<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075</atom:id><lastBuildDate>Thu, 10 Dec 2009 12:18:18 +0000</lastBuildDate><title>Equex Lapides Aurea.</title><description></description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-1899232643693355445</guid><pubDate>Mon, 02 Nov 2009 05:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-01T22:09:24.929-08:00</atom:updated><title>Comentário sobre  a “Enéada I: 8”, de Plotino (sujeito a revisão)</title><description>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Comentário sobre  a “Enéada I: 8”(O que são e de onde vem os males), de Plotino&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Aquém de maiores pretensões, não fiz um fichamento técnico nem exaustivo do Tratado I: 8 das Enéadas de Plotino, sobre “O que são e de onde vem os males”. Tentei colocar em minhas palavras, numa linguagem bem clara e contemporânea, o que julguei tão-somente o essencial de cada seção deste tratado, sem forçosamente repetir nem acompanhar todos os exemplos e argumentos usados por Plotino. É de bom alvitre lembrar que Plotino não escreveu seus textos; estes foram notações de aulas compiladas e depois editadas por seu discípulo Porfírio (Cf. Vida de Plotino), com autorização do mestre para tal. Por isso, os textos plotínicos parecem elípticos e lacunares em muitas passagens, e não devemos estranhar este fato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pequeno comentário que faço, utilizei uma tradução ainda não-publicada e feita por um amigo acadêmico, e por este motivo, não cito aqui nem parte nem o conjunto da tradução que usei, já que me foi confiada apenas para uso privado. Mas para que o leitor que ainda não leu Plotino possa cotejar meu comentário com o texto-base, resolvi postar no final a tradução inglesa do mesmo tratado feita por MacKenna, pois está disponível na Internet (com a ressalva que a tradução que usei contém 16 seções, e a de Mackenna, 12, e assim, não bate o número de seções na disposição espacial/tipográfica  dos respectivos textos, apesar do conteúdo ser o mesmo em ambos os casos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meu breve estudo, ainda me utilizei livremente de alguns comentadores plotínicos, como Prof. R. A. Ullmann (Plotino: um estudo das Enéadas, Edipucrs), Prof. Baracat Jr. (Trad. Comentada: Enéada 3: 8, Sobre a natureza, a contemplação e o Uno, Plotino, Editora Unicamp), de um estudo clássico de A. O. Lovejoy sobre ontologia e cosmologia (A grande cadeia do Ser, Palíndromo), e também de uma obra de G. Reale (Corpo, alma e saúde: o  conceito de homem de Homero a Platão, Paulus).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta postagem está sujeita a revisões e alterações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Comentário/Estudo sobre  a “Enéada I: 8”(O que são e de onde vem os males), de Plotino&lt;br /&gt;- por Daniel R. Placido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Plotino levanta inicialmente esta questão: o que é o mal e qual sua natureza. Mas como poderíamos conhecer o mal? O intelecto e a alma são formas, e assim conhecem de modo formal ou pelas formas: o semelhante conhece o semelhante. Ora, como conhecer o mal, se ele é a ausência de bem? E como conceber o mal, se ele não é uma forma? Aparentemente, isso é possível pela contrariedade: conhecer o bem é de certo modo conhecer seu contrário, ou seja, o mal. Isso talvez seja possível, conquanto de modo hierarquizado e não-reversível: as coisas melhores precedem as piores; uma é principial, e a outra, derradeira; uma é forma, e a outra, privação. Todavia, Plotino deixa para elucidar depois esta questão, e antes mais nada, vai tratar do Bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O Bem ou Uno é aquilo que todas as coisas desejam, e da qual dependem. O Uno é autosuficiente, sem carência, absoluto, e doa/emana de si o Intelecto (Nôus), a essência, a vida e a Alma (do Mundo). O Uno ou Bem não é belo, mas hiperbelo; do mesmo modo, está acima do Ser e da essência: é Sobre-Ser, é Sobre-Essência. Quanto ao Intelecto (Nôus), Plotino está aqui falando do Intelecto universal, e não dos intelectos particulares. O Nôus contém todas as coisas, é todas elas; mesmo estando só consigo, está com as coisas, e as contém sem estar contido nelas. Em outros termos, o Intelecto Universal abarca em si as formas/modelos das coisas, de maneira imediata e ilimitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Uno procede o Intelecto e a primeira essência, mas ele (o Uno) permanece só em si mesmo. Já o Intelecto exerce sua atividade, como se estivesse ao redor dele. E a Alma, como num espelho, vê o Uno através do Intelecto, estando por sua vez ao redor deste último. Ora, aqui não existe o mal, mas apenas o Bem primeiro (o Uno), e os bens dele processionados (o Intelecto e a Alma do Mundo). Temos aqui a “trindade” das hipóstases plotínicas, que não deve ser confundida com a Trindade cristã; nesta há igualdade entre as três pessoas, e naquela, subordinação e desigualdade entre as hipóstases. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Se temos aí os entes, e o sobre-ente (Uno), o mal não pode estar aí, pois aqueles são bons. Assim, se o mal “existe”, terá que existir nos não-entes, como uma espécie de “pseudo-forma” do não-ente e misturado com coisas relacionadas ao não-ente, ou que de algum modo comunguem com o não-ente. O que entender aqui por “não-ente”? Plotino aponta que é o sensível e suas afecções – seja o acidente delas, ou seja seu princípio, etc. Podemos caracterizar o sensível como aquilo que é indeterminado, informe, deficitário, escasso, por contraste como aquilo que é determinado, formal, auto-suficiente, completo. O sensível é indeterminado/deficiente, e assim, tudo que dele participa se torna mau, mesmo não sendo em si mesmo mau. Deve haver um mal primário e um mal acidental (secundário), assim como há o bem em si e o bem acidental. Assim como há o imensurável (ou a imensurabilidade) que não está no imensurado, porque se estivesse no imensurado não seria em si, e se estivesse no mensurado enquanto mensurado, seria impossível. Deve haver o ilimitado e informe por si, e aquilo que é posterior/secundário  a ele; o que é posterior o é por ser mesclado ao ilimitado, por “mirar” nele, ou ainda, ser produzido por ele. Essa é a “essência” do mal, se é que pode existir – a rigor – uma essência para o mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Para clarear o que está sendo dito, temos um exemplo de mal não-primário na natureza dos corpos, que participa da matéria; os corpos têm um movimento desordenado, além de uma pseudo-forma; destroem-se uns aos outros, e são um obstáculo para alma. A alma em si não é má, nem toda parte ou tipo de alma é má. É a parte irracional da alma que recebe o mal, ie. a imensurabilidade, a falha, excesso, donde  provém os vícios (como a covardia, falta de coragem; ou a licenciosidade, excesso de volúpia). A alma irracional participa da matéria, do imensurável; está fundida a um corpo que tem matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; E mesmo a alma racional pode ser obscurecida pela matéria/corpo, voltando-se para o devir, e contaminando-se como este. Plotino não usa estes exemplos, mas acho que poderíamos comparar esta relação alma-matéria com o mito da Medusa, que tornava pedra bruta os que para ela miravam. Plotino aponta que a matéria torna má a alma, a priva do bem ou da luz, como que prendendo-a. Por falar em mito, é clara aqui a influência/ressonância do orfismo em Plotino, que retoma isso de Platão: o corpo é o sepulcro material da alma (a respeito de orfismo e platonismo, cf. o estudo indicado de G. Reale, pp. 112-121, 171, 174-184)). Refém da matéria, a alma fica na escuridão, olhando para o que não se vê. Em contrapartida, conforme a ética plotínica, a alma perfeita e pura se inclina para o intelecto, para esfera inteligível, e se desvia da matéria ou mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Plotino se pergunta se o mal é a matéria mesma, ou algo anterior (sem sentido ontológica) à esta. O mal é uma carência total, e não parcial (pois um ser pode ser bom mesmo tendo alguma carência relativa, conforme sua posição dentro da universal: apenas o Uno é absolutamente perfeito e autosuficiente, e por isso, o Bem por excelência). Precisamente, esta é a matéria: uma carência total, e nada tem de bem, em grau algum. Logo, é o mal primeiro. A matéria – para começar – carece de algo mais elementar: o ser, e assim não participa do Bem. A carência absoluta é ausência total do bem; e os níveis de carência, implicam uma inclinação dos seres para o mal, uma possibilidade de tombarem mais e mais na matéria, e concomitantemente, se afastarem do Bem ou Uno, a saber, da Luz suprema. Sendo carência total, não podemos pensar o mal como “a priori” este ou aquele mal em particular, com esta injustiça ou aquele vício; estas são apenas modalidades de um mal mais anterior e primitivo. Como objeção, alguns poderiam formular: a pobreza, a doença e fealdade são males em si, e assim nós somos o princípio dos males – não a matéria -, por nós mesmos, já que podemos ser pobres, doentes ou feios. Mas se pensarmos mais detidamente, o que é a doença, senão carência de saúde e ordem no corpo? E o que é a pobreza, senão falta e privação das coisas de que necessitamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plotino observa que os deuses sensíveis ou astros não são maus, embora contenham materá; esta passagem não é assaz clara, mas até onde pude compreender, penso que Plotino diz isso porque os astros são entidades ordenadas e coerentes, seguindo uma regularidade. Além disso os astros não têm a possibilidade de cair no vício e na irregularidade, nem de sofrerem uma queda, mesmo porque não têm capacidade de escolha e deliberação. Plotino está falando aqui da matéria como causa do mal moral, que não diz respeito aos astros, e sim aos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Tendo caracterizado a natureza do mal, Plotino passa doravante a tratar de sua origem mais remota ainda, ie. donde veio o mal, porquanto não deve ter vindo de si mesmo, nem é o primeiro princípio. Para tal tem como referência o diálogo “Teeteto”, do “divino Platão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo Platão, como é de praxe, Plotino afirma – e aos poucos esclarecerá isso melhor – que o mal é “necessário” no plano cósmico. A terra é a esfera do mal e do vício, onde impera a natureza mortal. É preciso então evadir-se do âmbito terreno, mas não no sentido de se exilar ou alienar do mundo, e sim ser imanentemente justo, pio e sábio, aqui-e-agora, fugindo do contato com os vícios e suas solicitudes. Nem mesmo Sócrates pôde convencer todos os homens a renunciarem aos males (o martírio socrático é emblema disso); os males existem por necessidade, pois por necessidade deve existir o contrário do bem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plotino assevera que não é o vício (mal secundário) que é o contrário do bem absoluto ou Uno. E nem mesmo podemos imaginar um contrário para o Bem/Uno, pois este nem mesmo é uma qualidade ou possui qualidade. Plotino observa que nem toda relação de contrariedade é necessária; no caso do Bem, sim. Mas como conceber que, sendo o bem uma essência, tenha um contrário, uma “anti-essência”? A rigor, se o Bem é uma super-essência, como conceber o contrário disso? Aproveitando a lógica aristotélica, Plotino assente que as essências particulares não admitem contrário; mas e no caso de uma essência universal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À essência se contrapõe então a não-essência; ao Bem, o mal. Se os contrários são entendidos como coisas que estão maximamente afastadas entres si, sem nada em comum, devemos compreender que ao que é limite ou medida, se oponha o que é ilimitado e imensurado. Assim se opõe a natureza divina e a natureza do mal, do mesmo modo que o verdadeiro e o falso. Não devemos porém conceber esta oposição como quando pensamos na relação fogo-água, pois apesar de diametralmente opostos, ainda têm algo em comum – a matéria -; não é o caso da oposição bem e mal, já que este é justa e exatamente privação/ausência daquele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Plotino volta a se perguntar: como é necessário que, havendo o bem, haja o mal também? Em outras palavras: seria preciso existir matéria no universo? Este universo sequer existiria se não houvesse matéria. Mas se a matéria em certo aspecto existe por necessidade, como fugir dela? Não se trata de uma fuga corporal (no espaço), e sim anímico-espiritual: adquirindo virtude, e separando-se do corpo (ou seja, da matéria, o substrato do corpo). Estar no divino é estar no inteligível, na pura contemplação; eis a vida imortal dos deuses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos outrossim entender ontologicamente a necessidade do mal desta forma: o Uno (apesar de autosuficiente) não existe sozinho, pois conforme sabemos de outros textos plotínicos, ele não é ciumento, e gera de si um Outro, e que o Uno eflue e emana eternamente; no limite extremo desta superabundância, quando a Luz chega a seu máximo de afastamento/expansão, temos aí o Mal. Isso é a matéria. O posterior ao primeiro existe: a matéria (ou mal) é a última. Eis a “Cadeia do Ser” platônica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como observa A. O. Lovejoy, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“nessa suposição de necessidade metafísica e do valor essencial da realização de todas as formas de ser concebíveis, da mais elevada à mais baixa, estava obviamente implícita a base de uma teodicéia; e nos escritos de Plotino e Proclo podemos encontrar já plenamente expressas as palavras-chave e os raciocínios de King, Leibniz e Pope...A própria fórmula otimista, na qual Voltaire encontraria o tema de sua ironia em ‘Candide’, era plotiniana...Aqueles que supõem que o mundo pudesse ter sido melhor conformado o fazem porque deixam de ver que o melhor mundo precisa conter todo o mal possível – ou seja, todos os graus finitos concebíveis de privação do bem, que Plotino admite ser o único significado que pode ser atribuído ao ‘mal’...” (In: A Grande Cadeia do Ser, Palíndromo, p. 68).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, esta interpretação de Lovejoy ainda deixa no ar problemas e dificuldades para os comentadores, que não temos condições de solucionar aqui; apenas observando de passagem, como enfatiza entre nós brasileiros o Prof. Baracat Jr. (UFRGS), mesmo aceitando que o mal absoluto corresponde à imperfeição &lt;span style="font-style:italic;"&gt;absoluta&lt;/span&gt; dentro da escala de edução do Uno, não obstante é paradoxal admitirmos que o Bem, o qual doa aos seres sua bondade, produza (no final das contas) também o mal (mesmo como privação)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme Plotino diz em outros textos, o universo sensível tem uma função na estrutura do real. As formas inteligíveis não se afastam do intelecto; não há emanação nem diminuição da essência intelectual. Assim, as imagens ou razões formativas (logoi) das (nas) coisas sensíveis, precisam ser recebidas por um outro, que é justamente a matéria, seu receptáculo. A matéria é o assento para o ente, apesar dela mesma ser um não-ente (ou melhor pura possibilidade, por oposição à forma ou ato).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notamos aqui de passagem, seguindo os comentários do Prof. Reinholdo Ullmann, que apesar de identificar a matéria ao mal, Plotino discorda radicalmente (a respeito, cf. Enéada 2: 9, Contra os gnósticos) do dualismo extremista de alguns gnósticos, que faz do universo sensível algo intrinsecamente mau, e toma a matéria como substância má. Para Plotino, o cosmos sensível no conjunto é bom (se visto de um ponto de vista maior, as imperfeições se justificam), e o mau não é substancial, e sim privação (que se confunde com a matéria). O dualismo platônico é moderado: anti-somático, mas não anti-cósmico como os gnósticos (cf. ainda no livro citado de G. Reale, as discussões sobre a possibilidade de uma atenuação da recusa platônica do corpo, e assim do dualismo, conforme se aduz de obras como o "Timeu", em que o corpo é instrumento positivo da alma). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Mesmo quem de modo imediato, assuma que o mal não é provocado pela matéria, porém por formas impressas no sensível, como o calor, frio, sabores, as quais causam desejos e opiniões errôneas em nós, ainda terá de aceitar que os efeitos que as qualidades produzem não existem separadamente da matéria – assim como a forma do machado, sem a matéria, não faz nada. Além disso, as formas presentes na matéria não são as formas ou arquétipos em si mesmos, mas razões formativas materiais, e que foram corrompidas pela matéria. A forma do fogo em si não queima nem realiza mal algum; apenas a forma-fogo presente no sensível pode queimar. A forma verdadeira é o arquétipo, e a razão formativa uma espécie de simulacro. A matéria como “derruba” estes "logoi", os enegrece, suja, corrompe. Quem pensa ser o corpo a causa dos males, terá porém de reconhecer que é a matéria neste (em última análise) quem o faz. Em seu apelo ético-espiritual, Plotino mais uma vez nos alerta para fugirmos da matéria, assim como dos corpos e dos vícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal primário é a imensurabilidade, o mal secundário, o vício, o imensurado; aquele é a escuridão, e este, o escurecido. Analogamente, o Bem primário é o Uno, e o bem secundário, a virtude, a qual é imitação/participação do Uno ou Bem, consistindo na unificação/simplificação da alma, sua intimidade com o intelecto, e conseqüente fuga do corpo, do vício e da materialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 9. Plotino formula esta questão: como conhecemos realmente os males, se formos pessoas virtuosas, e assim não participamoes dos vícios nem somos maus? Plotino apresenta uma analogia elucidativa: tendo uma régua (ou padrão de medida) sabemos o que é reto, e por exclusão, o que não é reto (mesmo sem precisar obter diretamente um objeto não-reto); assim podemos imaginar o mal por abstração: aquilo que não temos, conhecemos pela falta, sem precisar participar diretamente dele (como um conjunto, poderíamos pensar nós, de números negativos, que imaginamos por falta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo virtuosos ou bons como podermos conhecer a matéria, se em si ela não tem forma? Novamente, abstraindo as formas dos seres e coisas materiais; o resíduo ou substrato último é a matéria (ou melhor, não é...). O vicioso é um como um cego, o qual perdeu sua luz imanente, e seu intelecto foi corrompido pela matéria; já o virtuoso – momentaneamente saindo do intelecto – pode conhecer apofaticamente o que está fora dele e lhe é contrário: como alguém que desviasse em um momento o olho da luz, “vendo” a escuridão, porém sem vê-la ou adentrar nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. Se a matéria é sem qualidade, como podemos chamá-la/qualificá-la de “má”? Não é um disparate? A bem da verdade, a matéria não é a qualidade ou uma qualidade, e sim o substrato para as qualidades ou acidentes ocorrerem. Ela portanto não tem qualidades, e é precisamente a ausência de qualidade e de forma (vale dizer, o mal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. O contrário da forma é a privação, que não é em si, mas em outro; logo, o mal não existirá por si mesmo, mas estará em outro. Conjectura Plotino, se o mal estiver na alma, privação (do bem) será nesta o vício. O mal seria a privação de bem interna à alma. Mas logo desmente esta hipótese, argüindo que a alma em si é boa, não tendo privação interna de bem. A alma não é o mal primário, nem o mal primário está nela como um acidente. O mal (enquanto princípio) é externo à alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. Se alma é em essência boa, poderíamos pensar que o vício nela existentes são alguma privação do bem, e que a alma seria misto de bem e mal. Porém, falta desvendar o mal primeiro e puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. A virtude não é o bem nem o belo em si, mas por participação. Do mesmo modo, o vício não é nem o mal nem o feio em si. Quem participa da virtude, ascende o ao bem em si; quem participa do vício, descende rumo ao mal em si. Quem contempla, apenas contempla o mal absoluto, mas quem se torna completamente mau, participa do mal: tomba na lama, e decai do humano para o infra-humano. Trata-se de uma morte da alma, afundada na matéria, e em soturna região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. Se pensamos que o vício é uma fraqueza da alma, teremos de inquirir o que é esta fraqueza e donde provém. Podemos aduzir que a fraqueza se dá nas almas caídas na matéria, impuras. Como água e óleo, alma e matéria coexistem, sem se misturarem. A matéria é iluminada quando se submete à forma, mas não a apreende; e a forma, embora presente na matéria, não a suporta, nem a vê (pois esta última é privação). Esta é a fraqueza da alma: vir à matéria, pois nenhuma das suas potências se atualizam, impedidas pela matéria, que o ocupa seu “locus”. A matéria é a causa da fraqueza anímica e do vício. É o mal primevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. A matéria existe por necessidade ontológica, assim como o mal. Duvidar disso é duvidar da existência do bem e do desejo por este. O Objeto do desejo é o bem, e da aversão, o mal. Para que desejamos o bem é preciso existir seu contrário, um outro (=o mal), sem o que nosso desejo pelo bem não seria preciso nem sincero. É preciso haver o puro bem, assim como um bem misturado ao mal, do qual possamos participar em vários graus; estas variações determinam a possibilidade de colaborar com o mal, se dele participamos, ou então com o bem total, se diminuímos esta participação. Sem isso, não teríamos algo além do Bem para poder participar. Se voltamos nosso desejo para o intelecto, nos mantemos livres do contato com a natureza inferior e o mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;The Enneads: I: 8&lt;br /&gt;THE NATURE AND SOURCE OF EVIL. HE SIX ENNEADS&lt;br /&gt;by Plotinus&lt;br /&gt;translated by Stephen MacKenna and B. S. Page&lt;br /&gt;[1917-1930]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.sacred-texts.com/cla/plotenn/index.htm&lt;br /&gt;1. Those enquiring whence Evil enters into beings, or rather into a certain order of beings, would be making the best beginning if they established, first of all, what precisely Evil is, what constitutes its Nature. At once we should know whence it comes, where it has its native seat and where it is present merely as an accident; and there would be no further question as to whether it has Authentic-Existence. But a difficulty arises. By what faculty in us could we possibly know Evil? &lt;br /&gt;All knowing comes by likeness. The Intellectual-Principle and the Soul, being Ideal-Forms, would know Ideal-Forms and would have a natural tendency towards them; but who could imagine Evil to be an Ideal-Form, seeing that it manifests itself as the very absence of Good?If the solution is that the one act of knowing covers contraries, and that as Evil is the contrary to Good the one act would grasp Good and Evil together, then to know Evil there must be first a clear perception and understanding of Good, since the nobler existences precede the baser and are Ideal-Forms while the less good hold no such standing, are nearer to Non-Being. No doubt there is a question in what precise way Good is contrary to Evil- whether it is as First-Principle to last of things or as Ideal-Form to utter Lack: but this subject we postpone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. For the moment let us define the nature of the Good as far as the immediate purpose demands.The Good is that on which all else depends, towards which all Existences aspire as to their source and their need, while Itself is without need, sufficient to Itself, aspiring to no other, the measure and Term of all, giving out from itself the Intellectual-Principle and Existence and Soul and Life and all Intellective-Act. All until The Good is reached is beautiful; The Good is beyond-beautiful, beyond the Highest, holding kingly state in the Intellectual-Kosmos, that sphere constituted by a Principle wholly unlike what is known as Intelligence in us. Our intelligence is nourished on the propositions of logic, is skilled in following discussions, works by reasonings, examines links of demonstration, and comes to know the world of Being also by the steps of logical process, having no prior grasp of Reality but remaining empty, all Intelligence though it be, until it has put itself to school. The Intellectual-Principle we are discussing is not of such a kind: It possesses all: It is all: It is present to all by Its self-presence: It has all by other means than having, for what It possesses is still Itself, nor does any particular of all within It stand apart; for every such particular is the whole and in all respects all, while yet not confused in the mass but still distinct, apart to the extent that any participant in the Intellectual-Principle participates not in the entire as one thing but in whatsoever lies within its own reach. And the First Act is the Act of The Good stationary within Itself, and the First Existence is the self-contained Existence of The Good; but there is also an Act upon It, that of the Intellectual-Principle which, as it were, lives about It. And the Soul, outside, circles around the Intellectual-Principle, and by gazing upon it, seeing into the depths of It, through It sees God. Such is the untroubled, the blissful, life of divine beings, and Evil has no place in it; if this were all, there would be no Evil but Good only, the first, the second and the third Good. All, thus far, is with the King of All, unfailing Cause of Good and Beauty and controller of all; and what is Good in the second degree depends upon the Second-Principle and tertiary Good upon the Third.&lt;br /&gt;3. If such be the Nature of Beings and of That which transcends all the realm of Being, Evil cannot have place among Beings or in the Beyond-Being; these are good. There remains, only, if Evil exist at all, that it be situate in the realm of Non-Being, that it be some mode, as it were, of the Non-Being, that it have its seat in something in touch with Non-Being or to a certain degree communicate in Non-Being. By this Non-Being, of course, we are not to understand something that simply does not exist, but only something of an utterly different order from Authentic-Being: there is no question here of movement or position with regard to Being; the Non-Being we are thinking of is, rather, an image of Being or perhaps something still further removed than even an image. Now this [the required faint image of Being] might be the sensible universe with all the impressions it engenders, or it might be something of even later derivation, accidental to the realm of sense, or again, it might be the source of the sense-world or something of the same order entering into it to complete it.Some conception of it would be reached by thinking of measurelessness as opposed to measure, of the unbounded against bound, the unshaped against a principle of shape, the ever-needy against the self-sufficing: think of the ever-undefined, the never at rest, the all-accepting but never sated, utter dearth; and make all this character not mere accident in it but its equivalent for essential-being, so that, whatsoever fragment of it be taken, that part is all lawless void, while whatever participates in it and resembles it becomes evil, though not of course to the point of being, as itself is, Evil-Absolute. In what substantial-form [hypostasis] then is all this to be found- not as accident but as the very substance itself?For if Evil can enter into other things, it must have in a certain sense a prior existence, even though it may not be an essence. As there is Good, the Absolute, as well as Good, the quality, so, together with the derived evil entering into something not itself, there must be the Absolute Evil. But how? Can there be Unmeasure apart from an unmeasured object? &lt;br /&gt;Does not Measure exist apart from unmeasured things? Precisely as there is Measure apart from anything measured, so there is Unmeasure apart from the unmeasured. If Unmeasure could not exist independently, it must exist either in an unmeasured object or in something measured; but the unmeasured could not need Unmeasure and the measured could not contain it.There must, then, be some Undetermination-Absolute, some Absolute Formlessness; all the qualities cited as characterizing the Nature of Evil must be summed under an Absolute Evil; and every evil thing outside of this must either contain this Absolute by saturation or have taken the character of evil and become a cause of evil by consecration to this Absolute. What will this be? That Kind whose place is below all the patterns, forms, shapes, measurements and limits, that which has no trace of good by any title of its own, but [at best] takes order and grace from some Principle outside itself, a mere image as regards Absolute-Being but the Authentic Essence of Evil- in so far as Evil can have Authentic Being. In such a Kind, Reason recognizes the Primal Evil, Evil Absolute. &lt;br /&gt;4. The bodily Kind, in that it partakes of Matter is an evil thing. What form is in bodies is an untrue-form: they are without life: by their own natural disorderly movement they make away with each other; they are hindrances to the soul in its proper Act; in their ceaseless flux they are always slipping away from Being. Soul, on the contrary, since not every Soul is evil, is not an evil Kind. What, then, is the evil Soul? It is, we read, the Soul that has entered into the service of that in which soul-evil is implanted by nature, in whose service the unreasoning phase of the Soul accepts evil- unmeasure, excess and shortcoming, which bring forth licentiousness, cowardice and all other flaws of the Soul, all the states, foreign to the true nature, which set up false judgements, so that the Soul comes to name things good or evil not by their true value but by the mere test of like and dislike.But what is the root of this evil state? how can it be brought under the causing principle indicated? &lt;br /&gt;Firstly, such a Soul is not apart from Matter, is not purely itself. That is to say, it is touched with Unmeasure, it is shut out from the Forming-Idea that orders and brings to measure, and this because it is merged into a body made of Matter.Then if the Reasoning-Faculty too has taken hurt, the Soul's seeing is baulked by the passions and by the darkening that Matter brings to it, by its decline into Matter, by its very attention no longer to Essence but to Process- whose principle or source is, again, Matter, the Kind so evil as to saturate with its own pravity even that which is not in it but merely looks towards it.For, wholly without part in Good, the negation of Good, unmingled Lack, this Matter-Kind makes over to its own likeness whatsoever comes in touch with it. The Soul wrought to perfection, addressed towards the Intellectual-Principle, is steadfastly pure: it has turned away from Matter; all that is undetermined, that is outside of measure, that is evil, it neither sees nor draws near; it endures in its purity, only, and wholly, determined by the Intellectual-Principle. The Soul that breaks away from this source of its reality to the non-perfect and non-primal is, as it were, a secondary, an image, to the loyal Soul. By its falling-away- and to the extent of the fall- it is stripped of Determination, becomes wholly indeterminate, sees darkness. Looking to what repels vision, as we look when we are said to see darkness, it has taken Matter into itself. &lt;br /&gt;5. But, it will be objected, if this seeing and frequenting of the darkness is due to the lack of good, the Soul's evil has its source in that very lack; the darkness will be merely a secondary cause- and at once the Principle of Evil is removed from Matter, is made anterior to Matter. No: Evil is not in any and every lack; it is in absolute lack. What falls in some degree short of the Good is not Evil; considered in its own kind it might even be perfect, but where there is utter dearth, there we have Essential Evil, void of all share in Good; this is the case with Matter. Matter has not even existence whereby to have some part in Good: Being is attributed to it by an accident of words: the truth would be that it has Non-Being.Mere lack brings merely Not-Goodness: Evil demands the absolute lack- though, of course, any very considerable shortcoming makes the ultimate fall possible and is already, in itself, an evil. In fine we are not to think of Evil as some particular bad thing- injustice, for example, or any other ugly trait- but as a principle distinct from any of the particular forms in which, by the addition of certain elements, it becomes manifest. Thus there may be wickedness in the Soul; the forms this general wickedness is to take will be determined by the environing Matter, by the faculties of the Soul that operate and by the nature of their operation, whether seeing, acting, or merely admitting impression. But supposing things external to the Soul are to be counted Evil- sickness, poverty and so forth- how can they be referred to the principle we have described? Well, sickness is excess or defect in the body, which as a material organism rebels against order and measure; ugliness is but matter not mastered by Ideal-Form; poverty consists in our need and lack of goods made necessary to us by our association with Matter whose very nature is to be one long want.If all this be true, we cannot be, ourselves, the source of Evil, we are not evil in ourselves; Evil was before we came to be; the Evil which holds men down binds them against their will; and for those that have the strength- not found in all men, it is true- there is a deliverance from the evils that have found lodgement in the soul. In a word since Matter belongs only to the sensible world, vice in men is not the Absolute Evil; not all men are vicious; some overcome vice, some, the better sort, are never attacked by it; and those who master it win by means of that in them which is not material. &lt;br /&gt;6. If this be so, how do we explain the teaching that evils can never pass away but "exist of necessity," that "while evil has no place in the divine order, it haunts mortal nature and this place for ever"? Does this mean that heaven is clear of evil, ever moving its orderly way, spinning on the appointed path, no injustice There or any flaw, no wrong done by any power to any other but all true to the settled plan, while injustice and disorder prevail on earth, designated as "the Mortal Kind and this Place"? Not quite so: for the precept to "flee hence" does not refer to earth and earthly life. The flight we read of consists not in quitting earth but in living our earth-life "with justice and piety in the light of philosophy"; it is vice we are to flee, so that clearly to the writer Evil is simply vice with the sequels of vice. And when the disputant in that dialogue says that, if men could be convinced of the doctrine advanced, there would be an end of Evil, he is answered, "That can never be: Evil is of necessity, for there must be a contrary to good."Still we may reasonably ask how can vice in man be a contrary to The Good in the Supernal: for vice is the contrary to virtue and virtue is not The Good but merely the good thing by which Matter is brought to order. How can there any contrary to the Absolute Good, when the absolute has no quality? Besides, is there any universal necessity that the existence of one of two contraries should entail the existence of the other? Admit that the existence of one is often accompanied by the existence of the other- sickness and health, for example- yet there is no universal compulsion.Perhaps, however, our author did not mean that this was universally true; he is speaking only of The Good. But then, if The Good is an essence, and still more, if It is that which transcends all existence, how can It have any contrary?That there is nothing contrary to essence is certain in the case of particular existences- established by practical proof- but not in the quite different case of the Universal. But of what nature would this contrary be, the contrary to universal existence and in general to the Primals?To essential existence would be opposed the non-existence; to the nature of Good, some principle and source of evil. Both these will be sources, the one of what is good, the other of what is evil; and all within the domain of the one principle is opposed, as contrary, to the entire domain of the other, and this in a contrariety more violent than any existing between secondary things. For these last are opposed as members of one species or of one genus, and, within that common ground, they participate in some common quality.In the case of the Primals or Universals there is such complete separation that what is the exact negation of one group constitutes the very nature of the other; we have diametric contrariety if by contrariety we mean the extreme of remoteness.Now to the content of the divine order, the fixed quality, the measuredness and so forth- there is opposed the content of the evil principle, its unfixedness, measurelessness and so forth: total is opposed to total. The existence of the one genus is a falsity, primarily, essentially, a falseness: the other genus has Essence-Authentic: the opposition is of truth to lie; essence is opposed to essence. Thus we see that it is not universally true that an Essence can have no contrary. In the case of fire and water we would admit contrariety if it were not for their common element, the Matter, about which are gathered the warmth and dryness of one and the dampness and cold of the other: if there were only present what constitutes their distinct kinds, the common ground being absent, there would be, here also, essence contrary to essence.In sum, things utterly sundered, having nothing in common, standing at the remotest poles, are opposites in nature: the contrariety does not depend upon quality or upon the existence of a distinct genus of beings, but upon the utmost difference, clash in content, clash in effect. &lt;br /&gt;7. But why does the existence of the Principle of Good necessarily comport the existence of a Principle of Evil? Is it because the All necessarily comports the existence of Matter? Yes: for necessarily this All is made up of contraries: it could not exist if Matter did not. The Nature of this Kosmos is, therefore, a blend; it is blended from the Intellectual-Principle and Necessity: what comes into it from God is good; evil is from the Ancient Kind which, we read, is the underlying Matter not yet brought to order by the Ideal-Form.But, since the expression "this place" must be taken to mean the All, how explain the words "mortal nature"? The answer is in the passage [in which the Father of Gods addresses the Divinities of the lower sphere], "Since you possess only a derivative being, you are not immortals... but by my power you shall escape dissolution." The escape, we read, is not a matter of place, but of acquiring virtue, of disengaging the self from the body; this is the escape from Matter. Plato explains somewhere how a man frees himself and how he remains bound; and the phrase "to live among the gods" means to live among the Intelligible-Existents, for these are the Immortals.There is another consideration establishing the necessary existence of Evil. Given that The Good is not the only existent thing, it is inevitable that, by the outgoing from it or, if the phrase be preferred, the continuous down-going or away-going from it, there should be produced a Last, something after which nothing more can be produced: this will be Evil.As necessarily as there is Something after the First, so necessarily there is a Last: this Last is Matter, the thing which has no residue of good in it: here is the necessity of Evil.&lt;br /&gt; 8. But there will still be some to deny that it is through this Matter that we ourselves become evil.They will say that neither ignorance nor wicked desires arise in Matter. Even if they admit that the unhappy condition within us is due to the pravity inherent in body, they will urge that still the blame lies not in the Matter itself but with the Form present in it- such Form as heat, cold, bitterness, saltness and all other conditions perceptible to sense, or again such states as being full or void- not in the concrete signification but in the presence or absence of just such forms. In a word, they will argue, all particularity in desires and even in perverted judgements upon things, can be referred to such causes, so that Evil lies in this Form much more than in the mere Matter.Yet, even with all this, they can be compelled to admit that Matter is the Evil. For, the quality [form] that has entered into Matter does not act as an entity apart from the Matter, any more than axe-shape will cut apart from iron. Further, Forms lodged in Matter are not the same as they would be if they remained within themselves; they are Reason-Principles Materialized, they are corrupted in the Matter, they have absorbed its nature: essential fire does not burn, nor do any of the essential entities effect, of themselves alone, the operation which, once they have entered into Matter, is traced to their action.Matter becomes mistress of what is manifested through it: it corrupts and destroys the incomer, it substitutes its own opposite character and kind, not in the sense of opposing, for example, concrete cold to concrete warmth, but by setting its own formlessness against the Form of heat, shapelessness to shape, excess and defect to the duly ordered. Thus, in sum, what enters into Matter ceases to belong to itself, comes to belong to Matter, just as, in the nourishment of living beings, what is taken in does not remain as it came, but is turned into, say, dog's blood and all that goes to make a dog, becomes, in fact, any of the humours of any recipient.No, if body is the cause of Evil, then there is no escape; the cause of Evil is Matter. Still, it will be urged, the incoming Idea should have been able to conquer the Matter.The difficulty is that Matter's master cannot remain pure itself except by avoidance of Matter.Besides, the constitution determines both the desires and their violence so that there are bodies in which the incoming idea cannot hold sway: there is a vicious constitution which chills and clogs the activity and inhibits choice; a contrary bodily habit produces frivolity, lack of balance. The same fact is indicated by our successive variations of mood: in times of stress, we are not the same either in desires or in ideas- as when we are at peace, and we differ again with every several object that brings us satisfaction.To resume: the Measureless is evil primarily; whatever, either by resemblance or participation, exists in the state of unmeasure, is evil secondarily, by force of its dealing with the Primal- primarily, the darkness; secondarily, the darkened. Now, Vice, being an ignorance and a lack of measure in the Soul, is secondarily evil, not the Essential Evil, just as Virtue is not the Primal Good but is Likeness to The Good, or participation in it. &lt;br /&gt;9. But what approach have we to the knowing of Good and Evil? And first of the Evil of soul: Virtue, we may know by the Intellectual-Principle and by means of the philosophic habit; but Vice? A a ruler marks off straight from crooked, so Vice is known by its divergence from the line of Virtue.But are we able to affirm Vice by any vision we can have of it, or is there some other way of knowing it? Utter viciousness, certainly not by any vision, for it is utterly outside of bound and measure; this thing which is nowhere can be seized only by abstraction; but any degree of evil falling short of The Absolute is knowable by the extent of that falling short.We see partial wrong; from what is before us we divine that which is lacking to the entire form [or Kind] thus indicated; we see that the completed Kind would be the Indeterminate; by this process we are able to identify and affirm Evil. In the same way when we observe what we feel to be an ugly appearance in Matter- left there because the Reason-Principle has not become so completely the master as to cover over the unseemliness- we recognise Ugliness by the falling-short from Ideal-Form.But how can we identify what has never had any touch of Form? We utterly eliminate every kind of Form; and the object in which there is none whatever we call Matter: if we are to see Matter we must so completely abolish Form that we take shapelessness into our very selves.In fact it is another Intellectual-Principle, not the true, this which ventures a vision so uncongenial.To see darkness the eye withdraws from the light; it is striving to cease from seeing, therefore it abandons the light which would make the darkness invisible; away from the light its power is rather that of not-seeing than of seeing and this not-seeing is its nearest approach to seeing Darkness. So the Intellectual-Principle, in order to see its contrary [Matter], must leave its own light locked up within itself, and as it were go forth from itself into an outside realm, it must ignore its native brightness and submit itself to the very contradition of its being. &lt;br /&gt;10. But if Matter is devoid of quality how can it be evil? It is described as being devoid of quality in the sense only that it does not essentially possess any of the qualities which it admits and which enter into it as into a substratum. No one says that it has no nature; and if it has any nature at all, why may not that nature be evil though not in the sense of quality?Quality qualifies something not itself: it is therefore an accidental; it resides in some other object. Matter does not exist in some other object but is the substratum in which the accidental resides. Matter, then, is said to be devoid of Quality in that it does not in itself possess this thing which is by nature an accidental. If, moreover, Quality itself be devoid of Quality, how can Matter, which is the unqualified, be said to have it?Thus, it is quite correct to say at once that Matter is without Quality and that it is evil: it is Evil not in the sense of having Quality but, precisely, in not having it; give it Quality and in its very Evil it would almost be a Form, whereas in Truth it is a Kind contrary to Form. "But," it may be said, "the Kind opposed to all Form is Privation or Negation, and this necessarily refers to something other than itself, it is no Substantial-Existence: therefore if Evil is Privation or Negation it must be lodged in some Negation of Form: there will be no Self-Existent Evil."This objection may be answered by applying the principle to the case of Evil in the Soul; the Evil, the Vice, will be a Negation and not anything having a separate existence; we come to the doctrine which denies Matter or, admitting it, denies its Evil; we need not seek elsewhere; we may at once place Evil in the Soul, recognising it as the mere absence of Good. But if the negation is the negation of something that ought to become present, if it is a denial of the Good by the Soul, then the Soul produces vice within itself by the operation of its own Nature, and is devoid of good and, therefore, Soul though it be, devoid of life: the Soul, if it has no life, is soulless; the Soul is no Soul. No; the Soul has life by its own nature and therefore does not, of its own nature, contain this negation of The Good: it has much good in it; it carries a happy trace of the Intellectual-Principle and is not essentially evil: neither is it primally evil nor is that Primal Evil present in it even as an accidental, for the Soul is not wholly apart from the Good.Perhaps Vice and Evil as in the Soul should be described not as an entire, but as a partial, negation of good. But if this were so, part of the Soul must possess The Good, part be without it; the Soul will have a mingled nature and the Evil within it will not be unblended: we have not yet lighted on the Primal, Unmingled Evil. The Soul would possess the Good as its Essence, the Evil as an Accidental. Perhaps Evil is merely an impediment to the Soul like something affecting the eye and so hindering sight. But such an evil in the eyes is no more than an occasion of evil, the Absolute Evil is something quite different. If then Vice is an impediment to the Soul, Vice is an occasion of evil but not Evil-Absolute. Virtue is not the Absolute Good, but a co-operator with it; and if Virtue is not the Absolute Good neither is Vice the Absolute Evil. Virtue is not the Absolute Beauty or the Absolute Good; neither, therefore, is Vice the Essential Ugliness or the Essential Evil. We teach that Virtue is not the Absolute Good and Beauty, because we know that These are earlier than Virtue and transcend it, and that it is good and beautiful by some participation in them. Now as, going upward from virtue, we come to the Beautiful and to the Good, so, going downward from Vice, we reach Essential Evil: from Vice as the starting-point we come to vision of Evil, as far as such vision is possible, and we become evil to the extent of our participation in it. We are become dwellers in the Place of Unlikeness, where, fallen from all our resemblance to the Divine, we lie in gloom and mud: for if the Soul abandons itself unreservedly to the extreme of viciousness, it is no longer a vicious Soul merely, for mere vice is still human, still carries some trace of good: it has taken to itself another nature, the Evil, and as far as Soul can die it is dead. And the death of Soul is twofold: while still sunk in body to lie down in Matter and drench itself with it; when it has left the body, to lie in the other world until, somehow, it stirs again and lifts its sight from the mud: and this is our "going down to Hades and slumbering there." &lt;br /&gt;11. It may be suggested that Vice is feebleness in the Soul. We shall be reminded that the Vicious Soul is unstable, swept along from every ill to every other, quickly stirred by appetites, headlong to anger, as hasty to compromises, yielding at once to obscure imaginations, as weak, in fact, as the weakest thing made by man or nature, blown about by every breeze, burned away by every heat. Still the question must be faced what constitutes this weakness in the Soul, whence it comes. For weakness in the body is not like that in the Soul: the word weakness, which covers the incapacity for work and the lack of resistance in the body, is applied to the Soul merely by analogy- unless, indeed, in the one case as in the other, the cause of the weakness is Matter. But we must go more thoroughly into the source of this weakness, as we call it, in the Soul, which is certainly not made weak as the result of any density or rarity, or by any thickening or thinning or anything like a disease, like a fever. Now this weakness must be seated either in Souls utterly disengaged or in Souls bound to Matter or in both. It cannot exist in those apart from Matter, for all these are pure and, as we read, winged and perfect and unimpeded in their task: there remains only that the weakness be in the fallen Souls, neither cleansed nor clean; and in them the weakness will be, not in any privation but in some hostile presence, like that of phlegm or bile in the organs of the body. If we form an acute and accurate notion of the cause of the fall we shall understand the weakness that comes by it. Matter exists; Soul exists; and they occupy, so to speak, one place. There is not one place for Matter and another for Soul-Matter, for instance, kept to earth, Soul in the air: the soul's "separate place" is simply its not being in Matter; that is, its not being united with it; that is that there be no compound unit consisting of Soul and Matter; that is that Soul be not moulded in Matter as in a matrix; this is the Soul's apartness.But the faculties of the Soul are many, and it has its beginning, its intermediate phases, its final fringe. Matter appears, importunes, raises disorders, seeks to force its way within; but all the ground is holy, nothing there without part in Soul. Matter therefore submits, and takes light: but the source of its illumination it cannot attain to, for the Soul cannot lift up this foreign thing close by, since the evil of it makes it invisible. On the contrary the illumination, the light streaming from the Soul, is dulled, is weakened, as it mixes with Matter which offers Birth to the Soul, providing the means by which it enters into generation, impossible to it if no recipient were at hand. This is the fall of the Soul, this entry into Matter: thence its weakness: not all the faculties of its being retain free play, for Matter hinders their manifestation; it encroaches upon the Soul's territory and, as it were, crushes the Soul back; and it turns to evil all that it has stolen, until the Soul finds strength to advance again. Thus the cause, at once, of the weakness of Soul and of all its evil is Matter. The evil of Matter precedes the weakness, the vice; it is Primal Evil. Even though the Soul itself submits to Matter and engenders to it; if it becomes evil within itself by its commerce with Matter, the cause is still the presence of Matter: the Soul would never have approached Matter but that the presence of Matter is the occasion of its earth-life.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. If the existence of Matter be denied, the necessity of this Principle must be demonstrated from the treatises "On Matter" where the question is copiously treated. To deny Evil a place among realities is necessarily to do away with the Good as well, and even to deny the existence of anything desirable; it is to deny desire, avoidance and all intellectual act; for desire has Good for its object, aversion looks to Evil; all intellectual act, all Wisdom, deals with Good and Bad, and is itself one of the things that are good. There must then be The Good- good unmixed- and the Mingled Good and Bad, and the Rather Bad than Good, this last ending with the Utterly Bad we have been seeking, just as that in which Evil constitutes the lesser part tends, by that lessening, towards the Good. What, then, must Evil be to the Soul?What Soul could contain Evil unless by contact with the lower Kind? There could be no desire, no sorrow, no rage, no fear: fear touches the compounded dreading its dissolution; pain and sorrow are the accompaniments of the dissolution; desires spring from something troubling the grouped being or are a provision against trouble threatened; all impression is the stroke of something unreasonable outside the Soul, accepted only because the Soul is not devoid of parts or phases; the Soul takes up false notions through having gone outside of its own truth by ceasing to be purely itself. One desire or appetite there is which does not fall under this condemnation; it is the aspiration towards the Intellectual-Principle: this demands only that the Soul dwell alone enshrined within that place of its choice, never lapsing towards the lower. Evil is not alone: by virtue of the nature of Good, the power of Good, it is not Evil only: it appears, necessarily, bound around with bonds of Beauty, like some captive bound in fetters of gold; and beneath these it is hidden so that, while it must exist, it may not be seen by the gods, and that men need not always have evil before their eyes, but that when it comes before them they may still be not destitute of Images of the Good and Beautiful for their Remembrance. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-1899232643693355445?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2009/11/comentario-sobre-eneada-i-8-de-plotino.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. 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Ele será um herdeiro de Cristo – não de acordo com os méritos ganhos por outrém, nem por algum favor conferido sobre ele por algum poder externo, mas pela graça interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditar meramente em um Cristo histórico, satisfazer-se com a crença de que em algum momento do passado, Jesus morreu para satisfazer a ira de Deus, não constitui um Cristão. Tal Cristão especulativo todo perverso demônio pode ser, pois todo mundo gostaria de obter, sem qualquer esforço de si próprio, algo bom que não merece. Para entrar no reino&lt;br /&gt;deve-se renascer no Espírito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Palácios de pedras ou caríssimas casas de adoração não regeneram o homem; mas o divino sol espiritual, existente no divino céu, agindo através do divino poder do Verbo de Deus no templo de Cristo. Um verdadeiro Cristão deseja apenas aquilo que o Cristo dentro de sua alma deseja”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todos os nossos sistemas religiosos são apenas obras de crianças intelectuais. Devemos repudiar todos nossos desejos pessoais, disputas, ciência e vontade, se quisermos restaurar a harmonia com a mãe que nos deu nascimento no princípio; pois no momento nossas almas são o parque de muitas centenas de animais maliciosos, que nós mesmos colocamos lá no lugar de Deus, e que adoramos como deuses. Estes animais devem morrer antes que o princípio Cristo possa começar a viver interiormente. O homem deve retornar ao seu estado natural (pureza original), antes de poder tornar-se divino”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não há outra caminho para Cristo viver do que através da morte do velho Adão; um homem não pode se tornar um deus e ao mesmo tempo permanecer ainda um animal. Ninguém é salvo por Deus como uma marca de sua gratidão por ter atendido a igreja e ter tido a paciência de ouvir a um sermão; mas sua atendencia a cerimônias externas só pode beneficiar ele se ele ouve Cristo falar dentro de seu próprio coração”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todas as nossas disputas e especulações intelectuais em relação aos mistérios divinos são inúteis; pois originam de fontes externas. Os mistérios de Deus só podem ser conhecidos por Deus, e para conhecê-los devemos primeiro buscar à Deus em nosso próprio centro. Nossa razão e vontade devem retornar à fonte interior da qual elas originam; então chegaremos à uma verdadeira ciência de Deus e Seus atributos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A vontade e a imaginação do homem tornaram-se pervertidas de seu estado original. O homem rodeou a si mesmo por um mundo de vontade e imaginação próprias. Ele assim perdeu de vista Deus, e só pode recuperar seu estado anterior e tornar-se um sábio se ele colocar a atividade de sua alma e mente novamente em harmonia com o Espírito divino”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um Cristão é aquele que vive em Cristo, e em quem o poder de Cristo está ativo. Ele deve sentir o divino fogo de amor queimar em seu coração. Este fogo é o Espírito de Cristo, que continuamente esmaga a cabeça da serpente, significando os desejos da carne. A carne é governada pela vontade do mundo; mas o fogo espiritual no homem é incitado pelo Espírito. Aquele que quer se tornar um Cristão não deve ostentar e dizer: “Eu sou um Cristão!” mas deveria desejar tornar-se um, e preparar todas as condições necessárias para que o Cristo possa viver nele. Tal Cristão poderá talvez ser odiado e perseguido pelos Cristãos nominais de seu tempo; mas ele deve carregar sua cruz, e deste modo se tornará forte”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os teólogos e sectários cristãos mantém-se continuamente disputando sobre a letra e forma, enquanto nada cuidam do espírito, sem o qual a forma é vazia e a letra morta. Cada um imagina que possui a verdade em sua guarda, e quer ser admirado pelo mundo como um guardador da verdade. Por conseguinte denunciam e difamam e atacam uns aos outros, e assim agem contra o primeiro princípio ensinado por Cristo, e que é o amor fraternal. Assim, a Igreja de Cristo tornou-se um bazar onde vaidades são exibidas, e como os Israelitas dançaram ao redor do bezerro de ouro, os modernos Cristãos dançam ao redor de seus fetiches auto-construídos, que chamam de Deus e de acordo com esta adoração de fetiches eles não serão capazes de entrar na terra prometida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Toda a religião Cristã está baseada no conhecimento de nossa origem, nossa atual condição, nosso destino. Ela mostra primeiro como da unidade caímos na variedade, e como podemos retornar ao estado anterior. Segundo, mostra o que éramos antes de nos tornarmos desunidos. Terceiro, explica a causa da continuidade de nossa presente desunião. Quarto, nos instrui sobre o destino final dos elementos mortais e imortais dentro de nossa constituição”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Todos os ensinamentos de Cristo não têm outro objeto do que nos mostrar o caminho como podemos re-ascender de um estado de variedade e diferenciação para nossa unidade original; e aquele que ensina diferentemente ensina um erro. Todas as doutrinas que foram agregadas a esta doutrina fundamental, e que não conformam com a última, são meros produtos de tolice mundana, pensando-se sábia; são meros ornamentos inúteis que irão criar erros, e são calculadas para jogar poeira nos olhos do ignorante”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Qualquer um que presuma colocar-se como um mestre espiritual, e não tenha nenhum poder espiritual de perceber a verdade, pensando servir à Deus pelo ensinamento do reino de Deus, do qual ele praticamente nada sabe, não serve ao verdadeiro Deus, mas serve a si próprio, e cuida e alimenta sua própria vaidade. Ele pode ter sido legalmente nomeado pelo escritório clerical, e ainda assim ele não é um verdadeiro pastor. Cristo diz: ‘Aquele que não entra no estábulo das ovelhas pela porta, mas entra pela janela, é um ladrão e um assassino, e as ovelhas não o seguirão, pois não conhecem sua voz’. Ele não está em possessão da voz de Deus, mas meramente da voz de seu ensinamento. Mas Cristo disse: ‘Todas as plantas que não foram plantadas pelo meu Pai celeste, devem ser arrancadas e destruídas’. Como, então, pode aquele que é sem Deus tentar plantar plantas celestes, não tendo semente espiritual e nenhum poder? Para tornar-se um verdadeiro mestre espiritual, deve-se ensinar no Espírito de Deus e não no espírito egocentrico”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php?page=Boehme+Verdadeiro+Crist%C3%A3o&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-1310323164027576104?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2009/09/verdadeiro-cristao-jacob-boehme.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-5198811630815430499</guid><pubDate>Thu, 03 Sep 2009 21:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-05T15:16:31.948-07:00</atom:updated><title>O perigo da megalomania espiritual (V. Tomberg)</title><description>Neste novo blog, havia inicialmente projetado apenas postar textos de minha autoria e/ou em que tivesse algum tipo de participação, mas ponderei hoje em abrir algumas  exceções, postando primeiramente excertos de um texto de autoria do esoterista russo V. Tomberg, pois contém uma mensagem significativa, e que gostaria de compartilhar com todos vocês, a respeito do perigo da megalomania e da vontade de poder em âmbito espiritual; tal mensagem pode suscitar uma reflexão profunda e séria, e serve de aviso para todos. A próxima postagem - neste sentido- será um texto de Jacob Boehme (Daniel).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O perigo da Megalomania Espiritual (V. Tomberg)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Estamos aqui diante de uma escala de fenômenos psíquicos que começa com formas relativamente inócuas, como a elevada opinião, não inteiramente justificada, que alguém tem de si mesmo, ou o desejo um tanto exagerado de seguir sua própria opinião. O segundo grau é francamente perigoso quando se manifesta nele um negativismo depreciativo em relação aos outros, com as faculdades de apreciação, da gratidão e da adoração concentradas em si mesmo. O terceiro grau constitui uma catástrofe raramente remediável; trata-se de obsessão ilustrada por ilusões facilmente reconhecíveis como tais - ou da megalomania pura e simples. Eis, pois, os principais graus de inflação: importância exagerada atribuída a si mesmo, complexo de superioridade de tendência obsessiva e megalomania. O primeiro grau indica tarefa prática para o trabalho sobre si mesmo; o segundo grau é provação séria, ao passo que o terceiro é a catástrofe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Ora, a inflação é o risco principal pelo qual passam todos aqueles que procuram a experiência da profundeza, a experiência do que é oculto, do que vive e age atrás da fachada dos fenômenos da consciência ordinária. A inflação constitui, portanto, o principal perigo e a maior prova dos ocultistas, dos esoteristas, dos magos, dos gnósticos e dos místicos. Sabem-no há muito os mosteiros e as ordens espirituais, com sua experiência milenar no domínio da vida profunda. É por isso que sua prática espiritual se baseia inteiramente na procura da humildade por meios como a prática da obediência, o exame de consciência, a confissão e o auxílio mútuo. Se Sabbatai Zevi (1625-1676) tivesse sido membro de uma ordem espiritual com disciplina semelhante a dos mosteiros cristãos, sua iluminação nunca o teria levado a se revelar (em 1684) a um grupo de discípulos como o Messias anunciado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)Conheci, há 38 anos, um homem tranquilo, de idade madura, que ensinava inglês em Ymca, na capital de um país báltico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia revelou ele que atingira o estado espiritual que se manifesta pela ‘visão eterna’, e que é o da consciência da identidade do si mesmo com a Realidade eterna do mundo. O passado, o presente e o futuro – vistos do patamar da eternidade, onde sua consciência tinha sua morada- eram para ele um livro aberto. Ele não tinha mais problemas, não porque os tivesse resolvido, mas porque tinha atingido o estado de consciência no qual eles desaparecem, por terem perdido sua importância. Porque os problemas pertencem ao domínio do movimento no tempo e no espaço; quem transcende esse plano chega ao domínio da eternidade e da infinidade, no qual não há movimento nem mudança, está livre de problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele me falava dessas coisas, seus belos olhos azuis brilhavam de sinceridade e certeza. Mas essa luz foi substituída por uma aparência contrariada e aborrecida logo que levantei a questão do valor do ‘sentimento subjetivo da eternidade’, sem saber nem poder objetivamente fazer alguma coisa a mais para ajudar a humanidade, seja no seu progresso espiritual, seja em seu sofrimento espiritual, psíquico e corporal. Ele não me perdoou essa pergunta, e a última recordação dele neste mundo foram suas costas voltadas para mim (ele viajou para a Índia, onde pouco depois morreu vitimado por epidemia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se narro este episódio de minha vida, caro Amigo Desconhecido, é para indicar-te quando e como o importante problema das formas e dos perigos da megalomania espiritual se apresentou a mim pela primeira vez. A megalomania espiritual é antiga como o mundo. A sua origem, segundo a tradição milenar concernente à queda de Lúcifer, se encontra acima do mundo terrestre. O profeta Ezequiel a descreve de modo impressionante: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;‘Tu eras um modelo de perfeição,&lt;br /&gt;cheio de sabedoria,&lt;br /&gt;de beleza perfeita.&lt;br /&gt;Estavas no Éden, jardim de Deus.&lt;br /&gt;Engalanavas-te com toda sorte de pedras preciosas:&lt;br /&gt;Rubi, topázio, diamante, crisólito, cornalina,&lt;br /&gt;Jaspe, lazulita, turquesa, berilo;&lt;br /&gt;de ouro eram feitos os teus pingentes&lt;br /&gt;de ouro eram feitos os teus pingentes e as tuas lantejoulas.&lt;br /&gt;Fiz de ti o querubim protetor de asas abertas;&lt;br /&gt;estavas no monte santo de Deus&lt;br /&gt;e movias-te por entre pedras de fogo...&lt;br /&gt;O teu coração se exaltou com tua beleza.&lt;br /&gt;Perverteste a tua sabedoria por causa do teu esplendor.&lt;br /&gt;Assim te atirei por terra&lt;br /&gt;e fiz de ti um &lt;/em&gt;espetáculo à vista dos reis...” &lt;br /&gt;(28, 12- 19) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis qual é, nas alturas celestes, a origem da inflação, do complexo de superioridade e da megalomania espiritual. E visto que ‘o que está em baixo é como o que está em cima’, isso se repete em baixo, na vida humana terrestre, de século em século, de geração em geração; Isso se repete principalmente na vida das pessoas humanas que se afastam do meio comum terrestre e do estado de consciência que ele comporta e que as transcende, seja no sentido da altura, seja no da largura, seja no da profundeza. Aquele que aspira a um plano mais alto que o do meio terrestre pode tornar-se altivo; aquele que procura a largura além dos limites do círculo normal de seus deveres e de suas alegrias terrenas corre o risco de considerar-se cada vez mais importante; aquele que quer a profundeza subjacente à superfície dos fenômenos da vida terrena corre o risco maior: o da inflação da qual fala C. G. Jung. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O metafísico abstrato que arranha os mundos na ordem escolhida por ele pode perder todo interesse pelo particular e pelo individual e chegar a considerar as pessoas humanas quase tão insignificantes como insetos. Ele as vê de cima para baixo. Vistas de sua altura metafísica, elas perdem suas proporções e se tornam pequena até a insignificância – ao passo que ele, o metafísico, é grande porque participa das grandes coisas da metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O reformador que quer corrigir ou salvar a humanidade sucumbe facilmente à tentação de considerar-se o centro ativo do círculo passivo da humanidade. Considerando-se portador da missão de alcance universal, ele se sente cada vez mais importante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ocultista, o esoterista ou hermetista prático (se ele não for praticante, será apenas metafísico ou reformador) experimenta as forças superiores que agem além da consciência e que penetram nele. A qual preço? – Ao preço da adoração de joelhos – ou ao preço da identidade de si mesmo com elas, o que leva à megalomania...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Não, nem a magia negra, nem as desordens nervosas constituem os perigos especiais do ocultismo. O seu perigo principal – que aliás, não é monopólio- se define em três termos: complexo de superioridade, inflação, megalomania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, é raro o ocultista experimentado isento desse mal moral ou que não o tenha sofrido no passado. A tendência megalomaníaca manifesta-se um pouco por toda parte entre os ocultistas. É o que a leitura da literatura ocultista e dezenas de anos de relações pessoais me ensinaram. Esse defeito moral tem muitos graus. Ele se manifesta, em primeiro lugar, por certo desembaraço e certa sem-cerimônia no modo de falar das coisas superiores e sagradas. Em seguida ele se afirma como ‘saber mais’ e ‘saber tudo’, isto é, como um modo de tomar a atitude de mestre de todo mundo. Por fim, ele se manifesta como infabilidade implícita ou mesmo explícita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desejo citar passagens da literatura oculta, com nomes, nem mencionar fatos biográficos de ocultistas conhecidos, a fim de provar ou ilustrar esse diagnóstico. Não te será fácil, caro Amigo Desconhecido, encontrá-los por ti mesmo em abundância. A minha intenção aqui é rejeitar as falsas acusações levantadas contra o ocultismo e mostrar o verdadeiro perigo que ele comporta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A antiga sentença ORA ET LABORA contem a única resposta. A ADORAÇÃO e o TRABALHO constituem o único remédio que conheço, tanto profilático quanto curativo contras as ilusões megalomaníacas. Devemos adorar o que está acima de nós e participar do esforço humano no domínio dos fatos objetivos, para podermos escapar das ilusões a respeito do que SOMOS e do que PODEMOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque quem sabe elevar sua prece e sua meditação ao nível da adoração pura estará sempre consciente da DISTÂNCIA que separa (e une ao mesmo tempo) o adorador do adorado. Assim ele não será tentado a adorar a si mesmo, o que, em última análise, é a raiz da megalomania. Ele terá sempre em vista a diferença entre si e o adorado. E não confundirá O QUE ELE É com o que é o SER ADORADO. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, aquele que TRABALHA, isto é, toma parte no esforço humano para a obtenção de resultados objetivos e verificáveis, não se iludirá facilmente a respeito do QUE PODE. Por exemplo, um médico inclinado a superestimar seu poder de curar aprenderá logo, com experiência dos malogros, a conhecer seus reais limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacob Boehme era sapateiro e iluminado. Se ele teve a experiência da iluminação...não concluiu que, enquanto sapateiro, pudesse mais, daí por diante, do que seus colegas de profissão ou mais do que ele mesmo podia antes da iluminação. Por outro lado, a sua iluminação lhe ensinou a grande de Deus e do mundo...e o encheu de ADORAÇÃO...Foram, pois, o TRABALHO PROFISSIONAL E A ADORAÇÃO DE DEUS que protegeram a saúde moral de Jacob Boehme. A minha experiência no domínio do esoterismo me ensinou que o que foi salutar no caso de Boehme o é também para todos aqueles que aspiram às experiências supersensoriais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adoração e o trabalho-ORA ET LABORA- constituem, pois, a condição SINE QUA NON do esoterismo prático para manter sob controle a tendência para a megalomania. Todavia, para se obter a IMUNIDADE contra essa enfermidade é preciso mais ainda. É preciso ter a experiência do ‘encontro concreto’ com algum ser superior. Por ‘encontro concreto’ entendo não o sentimento do ‘si mesmo superior’, nem o sentimento mais ou menos vago da ‘presença de um ser superior’, nem mesmo a experiência da ‘onda de inspiração’ que nos enche de vida e luz – não, o que entendo por ‘encontro concreto’ é um encontro verdadeiro e verdadeiramente concreto, isto é, face a face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pode ser espiritual – o face a face na visão- ou fisicamente concreto. Assim santa Teresa de Ávila (para citarmos só um exemplo) encontrava o Mestre, conversava com ele, pedia e recebia dele conselhos e instruções no plano espiritual objetivo (sim, a espiritualidade não é exclusivamente subjetiva, ela pode ser também objetiva). Assim ainda Papus e o grupo de seus amigos ocultistas encontrou Monsieur Philippe de Lião no plano físico. São dois exemplos do que entendo por encontro concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, aquele que teve a experiência do encontro concreto com um ser superior (um justo, um santo, um anjo ou outro ser hierárquico, a Santíssima Virgem, o Mestre...) torna-se imunizado contra a tendência para a megalomania. A experiência desse face a face com o que é Grande comporta necessariamente a cura completa e a imunidade contra toda tendência megalomaníaca. Jamais um ser humano QUE VIU E OUVIU poderá fazer de si mesmo um ídolo. Mais ainda: o verdadeiro e último critério da realidade das experiências ditas ‘visionárias’, isto é, o critério de sua autenticidade ou de sua falsidade, é o EFEITO moral dessas experiências no vidente, a saber, se ele se torna mais humilde ou mais pretensioso. A experiência dos encontros com o Mestre tornou santa Teresa cada vez mais humilde. A experiência terrestre do encontro com Monsieur Philippe tornou Papus e seus amigos ocultistas mais humildes. Essas duas experiências – por mais diferentes que fossem quanto ao sujeito e ao seu objeto- eram autênticas. Papus não se enganou sobre a grande espiritual daquele que ele reconheceu como seu “mestre espiritual”. Santa Teresa não se enganou sobre a realidade do Mestre que ela viu e ouviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lê a Bíblia, caro Amigo Desconhecido, e encontrarás muitos outros exemplos da seguinte lei: A EXPERIÊNCIA AUTÊNTICA DO DIVINO TORNA HUMILDES; AQUELE QUE NÃO É HUMILDE NÃO TEVE EXPERIÊNCIA AUTÊNTICA DO DIVINO. Considera os apóstolos, que “viram e ouviram” o Mestre, e os profetas, que “viram e ouviram” o Santo de Israel não encontrarás neles nenhum sinal das tendências da ‘hybris’ ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se é necessário “ver e ouvir” para se aprender a fundo a lição de humildade, que dizer das pessoas que são “naturalmente” humildes, mas não “viram nem ouviram”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem prejuízo de outras respostas, também válidas, a minha é que todos os que são humildes VIRAM E OUVIRAM outrora e em algum lugar – pouco importando se se lembram disso ou não. A humildade pode ser a reminiscência real (não intelectual) que a alma tem da experiência noturna sucedida durante o sono e permanecendo no domínio do inconsciente, ou, enfim, o efeito da experiência presente, consciente ou inconsciente, não confessada a si mesmo nem aos outros. Porque a humildade – como a caridade- não é qualidade natural da natureza humana. Sua origem não pode ser encontrada no domínio da evolução NATURAL; não é possível concebê-la como fruto da luta pela existência, como fruto da seleção natural e da sobrevivência do mais forte com sacrifício do mais fraco. Porque a escola da luta pela existência não produz humildes, mas lutadores e guerreiros de toda espécie. Ela é, portanto, uma qualidade que deve provir da ação da GRAÇA; ela deve provir do alto. Ora, os “encontros concretos face a face” dos quais falamos aqui são sempre e sem exceção acontecimentos devidos à Graça, uma vez que são ENCONTROS nos quais o ser superior se aproxima, por vontade própria, do ser inferior. O encontro que transformou o fariseu Saulo no apóstolo Paulo não foi devido aos seus esforços, e sim ato daquele que ele encontrou. O mesmo vale para todos os encontros “face a face” com seres superiores. O que compete a nós é “procurar”, “bater” e “pedir”; o ato decisivo vem do alto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meditações sobre os 22 arcanos maiores do Tarô, publicado anonimamente no original e na tradução acima (mas hoje em dia é amplamente divulgada a autoria deste livro como de Valentim Tomberg, não havendo mais necessidade de manter o anonimato). Paulus: São Paulo, 2005, pp. 164-175&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-5198811630815430499?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2009/09/o-perigo-da-megalomania-espiritual-v.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-2157349040428931453</guid><pubDate>Sun, 31 May 2009 23:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-03T14:51:41.739-07:00</atom:updated><title>O Livro V d' A República e as castas hindus (Daniel Placido)</title><description>&lt;em&gt;Nesta postagem, me proponho a falar sobre o paralelo entre a organização das classes sociais no Livro V da obra A República, de Platão, com as castas hindus.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A primeira vez -há alguns anos isso ocorreu-em que tinha visto alguém mencionar este paralelismo, antes de ter lido a obra platônica acima, foi num artigo de um hindólogo (cujo nome infelizmente não me recordo) publicado na Revista Brasileira de Filosofia (IBF), falando da mudança no sistema indiano de castas, de sua origem ao presente, e que mencionou a analogia entre o sistema social platônico e o sistema de castas; porém não tenho mais em mãos &lt;br /&gt; o supra-citado artigo nem  as referências bibliográficas exatas, e assim não pude agora aproveitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, resolvi abordar o assunto, por ocasião da redação de um trabalhinho  escolar, do qual aproveito trechos na concisa postagem abaixo -longe de esgotar assunto tão rico e complexo. (Daniel)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Livro V d' A República, Sócrates começa por responder a Adimanto, assegurando que se está procurando a felicidade –inseparável esta da realização da justiça- de toda a cidade, e não de uma ou outra classe em particular. Em seguida, Sócrates fala da necessidade de que a cidade se mantenha entre extremos –riqueza e pobreza-, e outrossim não cresça a ponto de perder sua unidade e autosuficiência – sendo a educação um meio adequado para evitar um crescimento descontrolado e a introdução de novidades destoantes das normas estabelecidas na cidade. Sócrates volta à questão da justiça e da injustiça. Fala de qualidades como a sabedoria, a temperança e a coragem. Mais adiante, Sócrates –nesta altura tendo Gláucon já adentrado no debate- afirma o seguinte: a justiça consiste em cada classe (e por conseguinte cidadão) cumprir sua função devida, enquanto ao contrário, a injustiça consiste em cada classe interferir nas funções e tarefas das outras. O que vale para a cidade vale para o indivíduo; portanto a cidade justa é simétrica ao indivíduo justo, e vice-versa. Enfim, o diálogo se encerra com Sócrates encetando uma caracterização da alma humana, assinalando o número de suas qualidades ou partes constitutivas (três), e como estas se relacionam no mesmo indivíduo, equilibradamente ou não, em analogia com as três classes da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justiça para Sócrates – porta-voz de Platão no diálogo- consiste em que cada classe (e cidadão) cumpra sua função social e obedeça à sua natureza própria, enquanto a injustiça é que cada uma extrapole (ou deixe de cumprir) suas funções e atribuições, interferindo nas dos outros, e assim cause prejuízo ao todo. A cidade é como um “espelho” do indivíduo, e vice-versa: o macrocosmo social é análogo ao microcosmo individual. Isso permite buscar uma relação de simetria entre as qualidades ou princípios anímicos nos indivíduos e as classes na cidade: (a) a alma racional ou princípio da razão, correspondente à classe dos guardiões ou governantes; (b) a alma impetuosa, responsável pelo ímpeto e fortaleza, correspondente à classe dos auxiliares ou guerreiros, os quais devem auxiliar e também se submeter à classe ‘a’ – tal como o ímpeto deve auxiliar e também obedecer à razão-; e (c) a alma concupiscente, responsável pelos desejos e paixões, correspondente à classe dos comerciantes e artífices –cuja característica natural é o desejo por riquezas e bens. Em cada indivíduo predomina mais esta ou aquela qualidade, configurando-lhe o “tipo”; de qualquer modo, é necessário a cada indivíduo procurar um equilíbrio entre as distintas partes de sua alma, sendo o vício –por analogia com injustiça e o desgoverno na cidade- o desequilíbrio e a disfunção entre as partes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, não podemos deixar de notar aqui, um parentesco verossimilhante entre a concepção político-social platônica com o sistema de castas (ou varnas) hindus, realidade histórica concreta, com sua divisão hierarquizada e quatripartite: (a) brâhmanas, sacerdotes e sábios; (b) kshatriyas, guerreiros e políticos; c) vaishyas, comerciantes, camponeses e artesãos; e (d) shûdras, trabalhadores não-qualificados (restando ainda o pária, que não tem casta alguma). Há dentro do hinduísmo um conceito-chave para fundamentar as castas, que pode outrossim ser aproximado da concepção platônica de justiça: trata-se do Dharma, lei ou justiça, que significa que cada ser, entidade e casta cumpra sua função e dever próprios, se abstendo de interferir nas funções alheias, para haver o equilíbrio universal (conforme define o Bhagavad-Gitâ III, 35 e o Manâva-Dharma-Shâstra, X, 97). Para o hindu, a justiça social deve ser reflexo da Justiça cósmica, a qual exige que cada ser e coisa cumpram sua natureza e legalidade intrínsecas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, podemos notar já uma diferença capital entre a concepção platônica e o sistema de castas: enquanto as castas hindus são determinadas por hereditariedade, sem a possibilidade de mudança de casta desde o nascimento, como um estamento rígido e explicitando um sistema social ultra-conservador, as classes sociais na cidade  platônica (conforme se vê nos Livros subsequentes da obra) não são hereditárias, mas estabelecidas por honra e mérito, havendo mobilidade social neste aspecto, e configurando uma “meritocracia”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A República, Platão, Martins Fontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consultados: Dicionário das religiões, Mircea Eliade&lt;br /&gt; e Ioan P. Couliano, Martins Fontes, verb. Hinduísmo; As filosofias da Índia, Heinrich Zimmer, Palas Atena; As religiões do mundo, Cap. Hinduísmo, Huston Simth, &lt;br /&gt;Cultrix; O Sentido das raças, F. Schuon, Ibrasa; Sabedoria Tradicional e superstições modernas, M. Lings, Polar.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-2157349040428931453?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2009/05/o-livro-v-d-republica-e-as-castas.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-1046591151337482654</guid><pubDate>Fri, 06 Feb 2009 22:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-03T15:04:20.451-07:00</atom:updated><title>Teologia apofática ou negativa (por Daniel Placido)</title><description>Teologia apofática ou negativa (por Daniel Placido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se costuma chamar de 'teologia negativa' ou 'teologia apofática', à concepção teológica (e/ou teosófica) que apresenta Deus como incognoscível e insondável em sua essência (ou como 'algo' além de qualquer essência), como Deus abscôndito ou inefável, como Nada ou Deidade, além do próprio Ser - podemos saber de Deus mais o que Ele não é, do que o que Ele é-, e que é recorrente entre muitos místicos e esoteristas ; a teologia apofática assim se opõe à teologia catafática ou positiva, que acredita que Deus é um Ser racional e pode ser vislumbrado pela razão humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, devemos balizar uma série de pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, a teologia negativa não se opõe tão radicalmente à teologia positiva, como se poderia pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, se admite duas faces para o mesmo Deus: uma, a Deidade ou Deus insondável, que é impenetrável e incognoscível; e a outra, o Deus revelado ou manifesto, através de seus atributos ou nomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Plotino, grande inspirador da teologia negativa cristã, o Uno é insondável, além da essência e do discurso, porém, a contemplação deste gera uma identidade absoluta, sem diluir o sujeito e forma da alma, o que pode ser entendido, paradoxalmente, como algum resquício de positividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cristãos como Pseudo-Dionísio ou Mestre Eckhart, temos a Deidade, o Deus abscondito, que não se separa da sua face revelada, que é o Deus monoteísta e trinitário da teologia formal; ou para Jacob Boehme, que diz que o Deus Sem-Fundo (Ungrund), gera de si um Deus revelado, o Deus nascente, o Grund (Fundamento), &lt;br /&gt;que é o Deus da Bíblia e da teologia- Boehme diz que a Trindade já está no Sem-Fundo imanifesta, e ela se revela propriamente como Pai (Fogo), Filho (Verbo ou Amor) e o Espírito Santo (Sopro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hinduísmo, especialmente no Vedanta e no não-dualismo shankariano, temos o Deus inqualificado, que é Brahman, e sua face positiva, que é Iswara, que é também tri-uno (Shiva, Vishnu, Kali).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cabalismo judeu, temos o Ayn Sof (ou uma trindade imanifesta, ayn, ayn sof, ayn Sof aur), o Ilimitado, que vai se revelando indiretamente através de Seus atributos ou qualidades, como Justiça, Misercórdia, Rigor, etc. que formam a chamada Arvore da Vida ou Arvore sefirótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E temos ainda os gnósticos antigos, como certas correntes valentianas, com ressonância platônica, que colocavam o Deus Pai e Bom como incognoscível e inefável, e radicalmente transcendente; em alguns casos, este Deus não é um criador do cosmos, mas está além deste, e a criação foi feita -para os marcionistas-pelo Deus pessoal do AT, Jeová, considera maléfico e/ou incompetente (em alguns casos, este Deus é chamado de Ildabaoth, que pode ter criado o mundo diretamente, ou dado esta tafera aos Elohins ou Arcanjos). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em segundo lugar, temos que observar que, no caso do cristianismo, comumente se associa a teologia negativa ao platonismo, mais místico, como em Pseudo-Dionisio e Mestre Eckhart, e a teologia catafática ao aristotelismo, mais racionalista, como no caso de Santo Tomás. Mas na verdade, a teologia tomista, além de ter influência do platonismo também -Agostinho e Pseudo-Dionísio, influências sobre o tomismo-, também perfilha uma posição apofática, na medida em que distingue o que é a argumentação racional sobre Deus, do que é sua essência última, um mistério superior da fé, e não da razão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, é preciso observar que os adeptos das teologias negativas não são propriamente "panteístas", apesar desta impressão que se tém muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Costumam ser cosmologicamente emanacionistas e processionistas (como Plotino&lt;br /&gt;e cabalistas), alguns podem ser criacionistas, ou senão mistos com o criacionismo (como J. Boehme). Mas nestes casos, Deus é a causa eminente que cria os mundos superiores e inferiores, mas sem serem estes a substância divina em si. Deus é imanente, está nas coisas que cria ou impulsiona, mas as coisas não estão nele: panenteísmo, sendo Deus simultaneamente imanente e transcendente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(N.- No caso gnóstico, se tende ao acosmismo, e a negar qualquer imanência divina no mundo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitos estes esclarecimentos preliminares, tentaremos agora compreender melhor a teologia negativa com citações diretas de alguns de seus principais formuladores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também na milenar tradição taoísta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"O caminho que pode ser expresso não é o Caminho (Tao) constante&lt;br /&gt;O nome que pode ser enunciado não é o nome constante..." (1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Caminho é invisível e não tem nome..." (41)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Constante que não pode ser nomeado&lt;br /&gt;É o retorno à não-existência&lt;br /&gt;É a expressão da não-expressão&lt;br /&gt;É a imagem da não-existência&lt;br /&gt;A isso se chama indeterminado..." (14) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lao-Tsé, "Tao Te Ching". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos apreciar Plotino a respeito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"Portanto, devemos ter pressa de sair daqui e de nos libertarmos de outras coisas, a fim de que possamos abraçá-lo com a totalidade de nós mesmos, e não tenhamos parte alguma que não esteja em contato com Deus...Virá um tempo em que a contemplação será ininterrupta, posto que não haverá mais nenhum obstáculo do corpo. Aliás, não é a parte que contemplou que é velada pelo corpo, mas a outra [a alma racional]: aquela que, quando a que contemplou está inativa no que diz respeito à contemplação, está ativa quanto ao conhecimento racional que consiste em demonstrações, provas e diálogos da Alma consigo mesma. Mas o ato de contemplar e o contemplador não são raciocinantes: são superiores, anteriores, transcendentes ao raciocínio, como o próprio Objeto de sua contemplação...É verdade, que não é possível à natureza da Alma chegar ao Nada absoluto [Uno]...Todavia, quando está apenas em si e não no Ser, está no Sobre-Ser. Ao se aproximar d’ele, torna-se semelhante ao que está além do Ser...Esta é a vida dos deuses e dos homens divinos e bem-aventurados: ser livre em relação às coisas deste mundo; viver sem se deleitar nas coisas terrenas; fugir, na solidão, ao Solitário”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;ENÉADA, VI: 9&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Antes de todas as coisas, tem de existir o [Uno] Simples, diferente de tudo o que dele advém, auto-existente, e no entanto capaz de estar presente nessas outras ordens...Não é possível conhecê-lo ou falar a respeito dele. Ele é descrito como ‘além do Ser’ ou ‘Sobre-Ser’...No entanto, como gerador [Uno] está acima da Inteligência, é necessária que o gerado seja a Inteligência. Mas porque a Inteligência não é gerador? Porque o ato da Inteligência é a intelecção...Por isso, a Inteligência não é simples, mas múltipla”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;ENÉADA V: 4&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Certos gnósticos dos primeiros séculos do cristianismo, como através do Apócrifo de João :&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele é o Espírito invisível, do qual não é lícito pensá-lo como deus ou algo similar, porque é muito mais do que um deus visto não haver nada acima dele nem nenhum senhora a governá-lo. (...) Ele é ilimitável, pois não há nada antes dele nem que lhe ponha limites. É inecontrável, pois nada existe que possa exámina-lo. É imensurável, pois nada existe que possa medi-lo. É inefável e inominável, pois ninguém pode compreendê-lo nem nomeá-lo. (...) Não é grande nem pequeno, nem corpóreo nem incopóreo; não é nada que exista mas muito superior a tudo isso; ele não partilha nada na eternidade, porque o tempo não lhe pertence. (...) É porém o Eterno e a Grandiosidade que dá a eternidade, é a Luz que dá a Luz, é a Vida que dá a vida; é o Bendito que dá a benção, o Conhecimento que dá o conhecimento, a Graça que dá a graça" (NHC, 36, 7-9)&lt;/em&gt; [citado por A. de Macedo, O Esoterismo da Bíblia, p. 77] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cabalistas medievais, através de sua obra máxima, O Zohar :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"Antes que qualquer forma tivesse sido criada, Deus estava só; sem forma e semelhante a nada. E porque o homem não é capaz de conceber Deus como Ele realmente é, não lhe é permitido representá-Lo, nem em pintura, nem por Seu Nome, nem inclusive por um ponto. Mas depois de ter criado o homem, Deus quis ser conhecido por Seus atributos: como o Deus de Misericórdia, o Deus da Justiça, o Deus Todo-poderoso, o Deus dos Exércitos e Aquele Que É. É só pelo conhecimento de Seus atributos que podemos dizer: 'toda a terra está cheia de Sua glória'. Tampouco Ele deve ser comparado ao homem, que vem do pó e está destinado à morte.Ele está &lt;br /&gt;acima de todas as criaturas e é maior que todos os atributos. Nem atributo, nem imagem, nem corpo; assemelha-se mais às águas, sem forma e sem limites...".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O Zohar, Parte 2, trad. parcial Polar, p. 82). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A posição do mestre hindu Shankara , refletindo o Vedanta advaita ou não-dualista :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"Brahman é supremo. É a realidade- o um sem um segundo. É pura consciência, livre de qualquer mácula. É a própria serenidade. Não tem começo nem fim. Não conhece mudanças. É alegria eterna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bhahman transcende a aparência do múltiplo, criado por Maya. É eterno, perpetuamente fora do alcance da dor; é indiviso, imensurável, sem forma, sem nome, indiferenciado, imutável. Ele brilha com a Sua própria luz. Está em todas as coisas que podem ser conhecidas neste universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os videntes iluminados O percebem como a realidade suprema, infinita, absoluta, sem partes- a pura consciência. E Nele descobrem que o conhecedor, o conhecimento e a coisa conhecida se tornam unos..."&lt;/em&gt;(A Jóia Suprema do Discernimento) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clássico do cristianismo oriental antigo, Pseudo-Dionísio, o Areopagita :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"...Se é necessário dar figura ao desfigurado, dar forma ao que está sem forma, não é somente porque somos incapazes de contemplar diretamente essas realidades, mas porque convém às passagens místicas das Sagradas Escrituras ocultar sob a forma de enigmas, a santa e misteriosa unidade dessas inteligências que não pertencem a esse mundo. Porque nem todos são santos e como dizem as Sagradas Escrituras: "Mas nem em todos há a ciência..." (1Co 8:7).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao caráter inadequado das imagens escriturísticas, é necessário responder a essa objeção afirmando que a revelação do sagrado se faz de dois modos: o primeiro modo procede por imagens adequadas ao seu objeto; o segundo modo pelo contrário passa pela inadequação das imagens que modela levada até à extrema inacreditibilidade, até o absurdo. É por isso que as Sagradas Escrituras se referem a Trindade sobreessencial com os nomes de Razão, Inteligência e Essência, manifestando assim o que convém atribuir a Deus de racionalidade e sabedoria: designando-A como Substância que subsiste por si própria, como causa verdadeira da existência de todos os seres, ou ainda, como Luz e Vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas designações são seguramente mais santas e parecem de algum modo superiores às imagens materiais. Mas na realidade elas são menos deficientes que as outras se se pretender significar toda a Verdade da própria Divindade que está para lá de toda a essência e de toda a vida e que não se caracteriza por nenhuma luz, da qual nenhuma razão e nenhuma inteligência pode dar uma imagem autêntica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que também acontece de celebrar-se nas mesmas Escrituras a Trindade, representando-A de um modo que não é desse mundo, por imagens que não se Lhe assemelham de modo algum. Elas descrevem-Na como invisível, ilimitada e incompreensível, não procurando significar o que Ela é, mas o que Ela não é. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, essa segunda maneira de celebrar a Santíssima Trindade Lhes convém melhor, porque seguindo a tradição sagrada nós temos razão em dizer que Ela não é nada do que são os outros seres, e nós ignoramos essa indefinível Sobreessência que não se pode pensar nem dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, as negações são verdadeiras no que concerne aos mistérios divinos, enquanto que toda afirmação pela positiva permanece inadequada. Convém mais ao caráter secreto d’Aquele que permanece em si próprio incomum, não revelar o invisível a não ser através de imagens sem semelhança com o seu objeto."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Hierarquia Celeste). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro mestre do cristianismo oriental, São Gregório Palamas :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"E então somente há verdade naquilo que conhecemos a respeito de Deus, quando nos sensibilizamos com o fato de que nada podemos conhecer a respeito Dele".&lt;br /&gt;(citado por H. Smith) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do aristotélico Tomás de Aquino, também influenciado pelo platonismo (via Agostinho e pseudo-Dionísio):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Com efeito, não podemos captar a respeito de Deus o que é, mas o que não é e como o resto se refere a Ele, como é patente a partir do que foi dito anteriormente".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Suma contra os gentios)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso do místico renano e medieval Mestre Eckhart:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"Assim eu peço à Deus que me livre de Deus".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aqueles que querem estudar Deus e dizer o que ele é, saibam que é proibido". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Sermões) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no do místico também alemão, Nicolau de Cusa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"(...) você será levado até a verdade, conduzindo sua inteligência muito alto, acima das palavras, elas lhe propiciarão uma grande felicidade; pois, na douta ignorânia, você progredirá por este caminho no qual, tanto quanto é permitido a um homem zeloso, que se elevou utilizando as forças da natureza, você poderá ver o máximo ele mesmo, único e supremo, que ultrapassa toda compreensão: Deus, em sua unidade e trindade para sempre benditas".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Douta ignorância)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De Jacob Boehme, o exponte máximo da teosofia ocidental :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"O Sem-Fundo (Ungrund) é um eterno Nada, mas cria um eterno início como uma atração [ou desejo]. Pois no Nada há uma atração por algo, mas como nada há com que possa criar algo, a própria atração o cria. No entanto, a atração também é um Nada ou apenas uma desejosa busca. Essa é a eterna origem da magia [divina], que cria em si, onde nada há. Cria algo de Nada, e apenas em si mesma, embora essa atração nada mais seja que um simples desejo. Ela nada tem e nada há a partir do qual possa criar algo, tampouco um lugar onde possa encontrá-lo ou repousar". &lt;/em&gt;(Mysterium pansophicum, 1620)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-1046591151337482654?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2009/02/teologia-apofatica-ou-negativa-por.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-8315089209569575280</guid><pubDate>Tue, 11 Nov 2008 05:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-30T14:00:51.877-07:00</atom:updated><title>Kali Yuga, Agartha e Fim do Mundo</title><description>Vou tentar expor um pouco o que seriam a Idade Sombria -Kali Yuga-, Agartha e a escatologia do fim do mundo, segundo o que alguns chamam de esoterismo tradicional, ou simplesmente "Tradição" (porém, neste caso, também se inclue o complemento ao esoterismo, que é o exoterismo ou a religião); porém não espero de ninguém acordo acrítico com estas informações, nem que aceitem completamente a idéia de "esoterismo tradicional" . Se trata de uma exposição; que é diferente de adesão - menos ainda, de uma adesão dogmática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há favor do que se vai expor, existe, além da concordância entre diferentes fontes qualificadas e tradicionais, neste assunto, as próprias manifestações de tendências perturbadoras e problemáticas no mundo atual.&lt;br /&gt;No final do século 19, o esoterista Saint Yves de Alveidre trouxe informações sobre um misterioso Reino, por muitos tomados como pura lenda: Agartha. &lt;br /&gt;Agartha é uma localidade indeterminada e lendária, em algum lugar da Ásia Central. Trata-se dum reino subterrâneo e inacessível aos profanos, contendo um povo ou raça super-desenvolvida, que é governado por um enigmático senhor: o Rei do Mundo. As informações trazidas por Saint-Ives, são completadas pelos relatos de Ossendowski, na obra "Homens, bestas e deuses", trazendo dados sobre a realidade do Reino de Agartha (na Mongólia? No Tibet?), e as profecias atribuídas ao seu Rei.&lt;br /&gt;Enfim, René Guénon, em sua obra "O Rei do Mundo", retrabalha estas informações, á luz da Tradição primordial. Agartha, para Guénon é emblema do Centro da Tradição, imagem geográfica do Centro do Mundo e matriz da Tradição primórdia. &lt;br /&gt;Guénon revela que o Soberano de Agartha, rei e sacerdote, é Senhor ou Rei deste nosso mundo todo, no sentido de ser o mediador entre Deus e a humanidade, e na sua função de mantenedor da lei e ordem universais- e da Tradição primordial.&lt;br /&gt;Em cada ciclo cósmico e humano, a Tradição é representa por um centro, aos qual podem estar ligados centros secundários...Hiperbórea, Atlântida, Mistérios gregos, Castelo do Graal, Reino do Preste João, Avalon, Glastonbury. São símbolos destes centros enigmáticos da Tradição, eterna, super-humana, unânime-segundo Guénon.&lt;br /&gt;Conta-se que Parsifal levou o Graal para o Oriente-Reino do Preste João-;a guerreira catara Esclarmunde virou pomba, e fez o Graal despencar em alguma montanha inacessível; os Rosacruzes partiram da Europa para a Índia; Swedenborg viu que a Palavra perdida estava na Mongólia; Ana K. Emmerich, que o Graal estava no Tibet; e o Conde Saint-Germain, antes de desaparecer, teria anunciado que ia repousar no Himalaia.&lt;br /&gt;Quando as condições se tornam inóspitas e os homens blasfemos e impuros, os iniciados, e com eles a Tradição, retornam ao Centro misterioso, esperando novas condições; segundo os tradicionalistas...&lt;br /&gt;Curiosamente, esta profecia abaixo é atribuída ao Rei do Mundo, e datada de 1890; depois foi compilada por F. Ossendowski. Ela trata do presente "Kali Yuga", ou Idade Sombria, que seria a época de degeneração e perda de tradicionalidade, já prevista pela Tradição, e que coincide nesta ótica com o mundo moderno e contemporâneo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cada vez mais os homens esquecerão as suas almas, preferindo ocupar-se dos seus corpos. A maior corrupção reinará sobre a terra. Os homens tornar-se-ão idênticos aos animais ferozes, embebidos no sangue de seus irmãos.O ‘Crescente’ se aniquilará e seus adeptos cairão em miséria e guerra perpétua. Seus conquistadores serão iluminados pelo Sol, mas não se elevarão duas vezes; acontecerá a maior das desgraças, que culminará em injúrias diante de outros povos. As coroas dos reis, grandes e pequenos, cairão: uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito,... . Haverá uma guerra terrível entre todas as nações. Os oceanos se tingirão com o sangue de irmãos contra irmãos. A terra e o fundo dos mares ficarão cobertos de ossadas. Povos inteiros morrerão de fome ou por moléstias desconhecidas ou pela prática de crimes não previstos nos códigos com que se regem os homens, e isto por nunca terem sido vistos iguais na terra. As maiores e mais belas cidades serão destruídas pelo fogo. Os pais revoltaram-se contra o filho, o irmão contra o irmão, a mãe contra a filha. O vício, o crime, a destruição do corpo e da alma continuarão a sua rota fatal. As famílias serão divididas. O amor e a fidelidade desaparecerão porque a prostituição reinará até nos lugares mais sagrados. Em dez mil homens, um só viverá, mesmo assim, louco e sem forças, não encontrando nem habitação nem alimento. Toda terra ficará deserta. Deus lhe voltará as costas. Sobre ela cairá o espesso véu da noite e da morte... Então enviarei um Povo agora desconhecido, que com mão firme ARRANCARÁ AS MÁS ERVAS DA LOUCURA E DO VÍCIO E CONDUZIRÁ AQUELES QUE FICARAM FIÉIS AO ESPÍRITO DE VERDADE NA BATALHA CONTRA O MAL – Eles fundarão uma nova vida na terra, purificada pela morte das nações. Após cinqüenta anos, apenas três grandes reinos aparecerão; estes viverão felizes durante setenta e um anos. Então os povos de Agarthi sairão das suas cavernas subterrâneas e aparecerão sobre a superfície da Terra&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;O final deixa uma ponta de esperança; como outro tradicionalista -Fulcanelli-, revela, o Kali Yuga, sendo idade da morte, também pode ser de renascimento, de fim de um ciclo, para uma novo. Não é propriamente o fim deste mundo ou de tudo; mas de um mundo determinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando o mundo após 1890, ou após 1921, quando Ossendowski a traz a lume, não parece que ela se realizou mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda mais pertubador, é analisar profecias tradicionais e milenares, que parecem concordar com a profecia do Rei do Mundo e com a situação do mundo atual:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Razas de esclavos serán los señores del mundo. Los jefes serán de naturaleza violenta. Los jefes, en lugar de proteger a sus súbditos, los explotarán. Sólo los bienes conferirán rango. El único vínculo entre los sexos será el placer. La tierra ya no será apreciada más que por sus riquezas minerales. El tipo de vida será uniforme en el seno de una promiscuidad general. Quien distribuya más dinero dominará a los hombres. Cualquier hombre se imaginará ser igual a un brahman (autoridad espiritual). La gente experimentará terror a la muerte, y la pobreza les espantará. Las mujeres serán simplemente un objeto de satisfacción sexual.&lt;br /&gt;(Visnu-Puranas)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;"Na horrível época do fim dos tempos, os homens serão malévolos, falsos, ruins e obtusos e imaginarão ter alcançado a perfeição, mas estarão longe disso".&lt;br /&gt;(Sutra budista) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Nos últimos dias sobreviverão tempos perigosos, porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, profanos, sem afeição, sem paz, caluniadores, incontinentes, desumanos, sem benignidade, traidores, mais amigos dos prazeres do que de Deus, com uma aparência de piedade, mas sem sua realidade..."&lt;br /&gt;(S. Paulo, II Timóteo, 3: 1-7) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, há muitos dados e elementos para se reflitir seriamente aqui, pela ótica do que professam as religiões tradicionais a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel Placido&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************&lt;br /&gt;Fontes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Obras de René Guénon que tratam destes temas, como O Rei do Mundo, Apreciações sobre a Iniciação, Teosofismo...., Símbolos fundamentais da ciência sagrada, Formas tradicionais e ciclos cósmicos, etc., podem ser baixadas em espanhol neste site: &lt;br /&gt;http://www.euskalnet.net/graal/index2.htm&lt;br /&gt;-O Livro da Tradição, Jean e Michel Angebert, Difel&lt;br /&gt;-Os caminhos do Graal, Patricik riviere, Ibrasa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Para entender melhor esta noção de Tradição primordial em R. Guénon, sugiro este artigos de Jean Tourniac:&lt;br /&gt;http://www.euskalnet.net/graal/turinac1.htm &lt;br /&gt;http://www.euskalnet.net/graal/turinac2.htm &lt;br /&gt;- O Mistério das catedrais, Fulcanelli, Edições 70&lt;br /&gt;-Artigo "Esoterismo como invenzione", Pierre Riffard&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-8315089209569575280?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2008/11/kali-yuga-agartha-e-fim-do-mundo.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-6016908634698747494</guid><pubDate>Tue, 11 Nov 2008 05:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-10T21:25:26.736-08:00</atom:updated><title>Blog antigo 5: Resenha sobre livro de Mauro Reli</title><description>“&lt;strong&gt;Rosacrucianismo sem Véus: a verdade que faltava”, Mauro Alfredo Chagas Reli. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Link para adquirir na Livraria Cultura:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=597547&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O autor desta obra, Mauro Reli, passou na juventude pela experiência de drogas, assim como pela desilusão com as religiões oficiais, até achar uma saída no mundo das sociedades esotéricas. Foi durante anos membro da AMORC, e depois da Rosacruz Áurea, além de conhecer diretamente muitos outros grupos do gênero...Desligado hoje de qualquer organização, segue na senda individual, estudando independentemente as obras de Guénon,  Boehme,  Rumi,  Swedenborg, Steiner e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Neste livro, Mauro Reli, baseado numa ampla pesquisa histórico-documental, assim como em suas vivências diretas neste meio, procura fazer um balanço crítico das principais instituições/grupos/personalidades envolvidas com a polêmica Rosacruz, desde o séc 17 até hoje, com destaque particular para a cena contemporânea.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Muitos desses grupos possuem hierarquia interna; sistema de “iniciação”; materiais doutrinários (livros, revistas, bibliotecas, livrarias etc.); sistema de contribuição e financiamento; influência político-social, etc. Mas apesar das suas inegáveis e evidentes similitudes, não é incomum que entre si  todos atuem de forma sectária, cada um apresentando-se como portador do “verdadeiro rosacrucianismo”. Mauro Reli não aceita nada disso sem contestação, para  questionar não só o exclusivismo desses grupos, mas também a veracidade das informações e interpretações por eles veiculadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Antes de mais nada, e mencionando alguns dos melhores historiadores do assunto (F. A. Yates, C. MacIntosih, B. Gorceix e outros), Mauro Reli dá sua visão pessoal sobre questões fundamentais que já no séc. 17 preocupavam tanto os simpatizantes quanto os adversários da Rosacruz:  existiu algum C. Rosenkreutz de verdade? a Ordem Rosacruz é uma entidade histórico-social, ou um mero símbolo? quem foi o (s) autor(es) dos manifestos rosacruzes, e quais seus verídicos objetivos? Sem pretender encerrar assunto tão antigo e vasto, Mauro Reli acredita ser improvável a existência histórica de algum C. Rosenkreutz (trata-se de um mito com sentido iniciático-espiritual), assim como a de uma Ordem Rosacruz; a origem do movimento rosacruz não tem nada a ver com o exótico Egito primordial (como acreditam a AMORC e outros), mas deve ser buscada nos círculos teológico-religiosos da Boêmia do séc. 17 e também em torno do teólogo alemão J. -V. Andreae, residente em Tübigen - o qual é o provável autor ou inspirador dos manifestos outrossim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Mauro vasculha primeiramente as organizações que têm sido apontadas como precursoras indiretas (ex.:templários) e diretas (ex.:Ordem da Jarreteira), assim como as personalidades históricas (Lutero, Paracelso, H. Khunrath etc.), para em seguir listar os idelizadores prováveis e diretos do movimento rosacruz no séc. 17 (J. –V. Andreae, M. Maier, R. Fludd etc.),  e ademais os pensadores costumeiramente associados ao mesmo (F. Bacon, T. Campanella, J. Boehme, Saint-Martin etc.). Aqui Mauro contesta a pretensa “filiação” rosacruciana (estabelecida pela AMORC) de alguns, como por exemplo F. Bacon, J. Boehme e E. Swedenborg. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Em seguida apresenta ainda organizações levando o nome Rosacruz desde o séc. 17, bem como seus fundadores e criadores; para ficar com algumas nesta lista enorme: Sociedade Frutificadora (C. Anhalt), R+C de Ouro (S. Richter), Ordem da Dourada Rosacruz (J. C. Woellner), Irmandade Eulis (P. B. Randolph), Golden Dawn (Mac Gregor Mathers), Fraternidade Rosacruz (Max Heindel), AMORC (H. S. Lewis), Rosacruz Áurea (J. Leene/Rijckenborgh), etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Todavia, o capítulo mais supreendente do livro é aquele chamado “Toda a verdade sobre a AMORC”, da qual Mauro foi membro, “iniciado” e dirigente durante vários anos, assim como de sua extensão, a TOM (Tradicional Ordem Martinista). Apresentando fontes e dados da própria AMORC (e outros), Mauro questiona duramente incongruências, omissões e adulterações, como por exemplo as versões contraditórias sobre a “iniciação” de H. S. Lewis, ou o ocultamento de suas relações com a OTO de A.Crowley. Mauro  questiona em seguida a facilidade de admissão ao grupo e o ‘marketing’ grosseiro; os valores (obrigatórios) de taxas e custos, bem como a pouca transparência de sua gestão. E não tem meias palavras para espezinhar a autencidade “rosacruciana” da AMORC , seu exclusivismo arrogante, e as manipulações efetuadas – segundo Mauro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Neste capítulo expõe ainda o grande cisma político-jurídico que culminou na destituição do Imperator da AMORC no final dos anos 80,  Gary Lee Stewart, pois sendo este um cargo vitalício e recebido do próprio filho de H. S. Lewis, R. Lewis, não poderia ser suspendido jamais, a não se de forma ilegal e suspeita. E para finalizar Mauro apresenta dados sobre um cisma menor, mas não menos ilegítimo e esdrúxulo, ocorrido na Loja de São Paulo (1997), no qual esteve diretamente envolvido, e contribuiu assaz para seu desligamento definitivo  da AMORC. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao final deste manual introdutório sobre Rosacruz, o qual está longe de ser um mero relato de mágoas pessoais contra ex-colgas, Mauro não nega o valor espiritual desses grupos todos, desde que eles não apresentem os objetivos espirituais como coisa fácil de ser conquistada, ou que os mesmos sejam desvirtuados por dinheiro, poder, mentira, arrogância e mesquinharia. Se for assim, é  mellhor então que a águia voe sozinha, como pensa Mauro sob a inspiração sufi...&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DANIEL PLACIDO&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-6016908634698747494?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2008/11/blog-antigo-5-resenha-sobre-livro-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-2744795481995206462</guid><pubDate>Mon, 10 Nov 2008 05:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-10T21:15:01.750-08:00</atom:updated><title>Blog antigo 4: E-book de António de Macedo</title><description>Este e-book do link:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.fraternidaderosacruz.org/antologia_antoniodemacedo.zip&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;, &lt;em&gt;Alquimia espiritual dos Rosacruzes e outros ensaios&lt;/em&gt;, é uma coletânea de artigos, textos e excertos de livros do Prof. António de Macedo, sobre vários temas: rosacrucianismo, cosmologia, alquimia, esoterismo cristão, paleocristianismo, judaísmo, teologia, ética, a questão da iniciação feminina etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser baixada gratuitamente, no link acima. O e-book está zipado, e o arquivo está em pdf (Adobe Reader).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O prefácio abaixo é mesmo que está na coletânea.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;&lt;br /&gt;Prefácio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presente coletânea de artigos e textos de António de Macedo reúne um pouco das várias facetas de sua obra acadêmica, ensaística e mística, servindo de introdução à mesma. Compõe-se de artigos dispersos em diferentes sítios da Internet; materiais inéditos apresentados em colóquios e encontros acadêmicos; excertos de livros publicados; entrevistas concedidas, nos últimos anos etc. Tudo complementado por ilustrações, apêndices e adendos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António de Macedo, nascido em 1931, em Portugal (onde reside ainda), é cineasta, esteta,ensaísta, romancista, professor de Esoterologia Bíblica (Universidade Nova de Lisboa), membro da Rosicrucian Fellowship e (como ele mesmo prefere) “alquimístico”. Em todas essas áreas e especialidades tem se destacado, obtendo reconhecimento internacional, todavia, por limites de espaço, e coerente com a proposta da presente antologia, vamos nos ater apenas ao António de Macedo esoterólogo e esoterista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é Esoterologia? Significa “estudo do Esoterismo”, e por tal hoje se entende a disciplina acadêmica surgida há alguns decênios em universidades importantes tais como Sorbonne (França), Estadual de Michigan (EUA), Amsterdam e Utrecht (Holanda), Londres (EUA), Turim (Itália), Novakchott (Mauritânia) e outras, acompanhando uma reaproximação entre o mundo dos esoteristas, de um lado, e o mundo acadêmico, do outro, após uma “déblacê” de certo positivismo...Reaproximação esta fundada em sutis distinções metodológicas e ontológicas (Cf. “O que é Esoterismo”, A. de Macedo, nesta&lt;br /&gt;coletânea). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dentro deste quadro esboçado, A. de Macedo se destaca outrossim como&lt;br /&gt;especialista/professor de uma sub-disciplina, baseada numa abordagem transdisciplinar combinando hermenêutica, filologia, teodicéia, sociologia da religião etc.: a Esoterologia Bíblica, ie, “estudo do Esoterismo da Bíblia”; e diante de possíveis objeções vindas de outros estudiosos bíblicos, ou mesmo&lt;br /&gt;autoridades religiosas, A. de Macedo trata de esclarecer: “Que os próprios textos da Bíblia contêm material esotérico, é um dado observacional indiscutível, além do facto, também indiscutível, de terem sido objeto de interpretações esotéricas, quer por parte da tradição judaica, quer da tradição cristã desde os seus primórdios” (In: “O Esoterismo da Bíblia”. Lisboa: Ésquilo, 2006, p.19).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto no mundo civilizado atual a Esoterologia obtém força, credibilidade e espaço (por exemplo, em Portugal, nosso irmão de laços histórico-culturais, além de A. de Macedo, nesta área ainda são notáveis J. M. Anes e J.A. Mourão, também da Universidade Nova de Lisboa), no Brasil em contraste desconhecemos em absoluto qualquer iniciativa institucional – por motivos cuja análise foge ao escopo&lt;br /&gt;deste Prefácio- , sendo escassa a bibliografia especializada, mal existindo traduções de obras básicas (a não ser: “O Esoterismo: uma antologia”, P. Riffard, Mandarim; e “O Esoterismo”, A. Faivre, Papirus). Por semelhante razão, outrossim o contato do leitor virtual de aquém-mar com a obra de A. de Macedo implica em certo sentido acessar o que há de mais ousado, inovador e sério na área acadêmico-esotérica&lt;br /&gt;pelo mundo afora, não sem contar com a feliz coincidência idiomática, ie, a tardia “flor do Lácio”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não só acadêmico: António de Macedo é místico rosacruzista, membro da Fraternidade Rosacruz, fundada no início do séc. XX, nos EUA, pelo ocultista dinamarquês Carl Louis Von Grasshof que ao emigrar para a América adotou o pseudônimo de Max Heindel (Cf. “Max Heindel em busca do Templo&lt;br /&gt;Ignoto”, “Max Heindel: uma cronologia”, “Origem da oração rosacruz”, “Prayer and the new Panacea”), se inserindo merecidamente numa linhagem de pensadores fecundos e versáteis engendrados por este movimento, a titulo de exemplo, Manly P. Hall e Corinne Heline (Cf. “Corinne Heline”, “Corinne Heline: uma vida em imagens”, “Meu tributo à Max Heindel”). Destarte, seja revolvendo a tradição rosacruz (Cf. “Alquimia espiritual dos rosacruzes”, “A cosmologia dos rosacruzes”), herdeira do hermetismo e da alquimia, ou seja esquadrinhando os múltiplos aspectos (esotéricos, teológicos, históricos) do paleocristianismo (Cf. “Logos e Lithos”, “Paulo: o iniciado”, “O uso do Pergaminho e o Pecado original”, “Inquisição e Tradição esotérica”, “As diferentes concepções sobre o Jesus histórico”, “Entrevista: Esoterologia Bíblica”), por sua vez tributário das&lt;br /&gt;tradições judaica (Cf. “A Misteriosa escrita de Jesus”, “A ressurreição corporal judaica”) e helênica, A. de Macedo demonstra conhecer os fundamentos do Esoterismo do Ocidente, transitando de modo livre pelas vários autores, escolas e correntes, de antanho e de hoje. Além do mais, é-lhe possível ainda falar de problemas intrínsecos da história oculta de Portugal (Cf. “Magia Áurea: o eneagrama sagrado”), da&lt;br /&gt;questão premente da iniciação feminina e do feminino universal (Cf. “Eu e o Pai somos Um”, “Iniciação feminina: astrológica, mágica, alquímico-hermética ou cabalística?”), ou filosofar sobre as relações entre estética, ética e gnose (Cf. “Graal Branco, Graal Negro”, “Regresso ao Pai de Amor”, “O pássaro azul da&lt;br /&gt;felicidade”), sem deixar de apresentar um lado mais intimista e desenvolto (Cf. “Entrevista a Estela Guedes”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso é apenas uma tentativa inábil de nossa parte em resumir o presente material por temas centrais, entretanto, a bem da verdade, não há como fazê-lo, pois todos os textos e artigos se complementam na forma e no conteúdo, na amplitude e na profundidade, refletindo a unidade deste rico, colorido e fascinante moisaco que é a obra de António de Macedo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;São Paulo, 17 de outubro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel R. Plácido*&lt;br /&gt;(*com a colaboração de Alexandre David Passos)&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.fraternidaderosacruz.org/antologia_antoniodemacedo.zip"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.fraternidaderosacruz.org/antologia_antoniodemacedo.zip"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.fraternidaderosacruz.org/antologia_antoniodemacedo.zip"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-2744795481995206462?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2008/11/blog-antigo-ltima-e-book-de-antnio-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-4398766005824191314</guid><pubDate>Mon, 10 Nov 2008 04:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-09T21:09:13.514-08:00</atom:updated><title>Blog antigo 3: Entrevista com António de Macedo</title><description>&lt;strong&gt;ENTREVISTA COM O PROF. ANTONIO DE MACEDO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Entrevista com Prof.António de Macedo: esoterologia bíblica, apócrifos, gnosticismo, hermenêutica bíblica, rosacrucianismo, iniciação, etc.&lt;br /&gt;Concedida a Daniel Placido, em abril de 2007 (por email).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* António  de Macedo, nascido em 1931, é professor de Esoterologia Bíblica na Universidade Nova de Lisboa, além de sociólogo, cineasta, escritor. etc.&lt;br /&gt;Site: &lt;/em&gt;&lt;a href="http://paginasesotericas.tripod.com/" target="_blank" rel="nofollow"&gt;&lt;em&gt;http://paginasesotericas.tripod.com&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Livro "O Esoterismo da Bíblia":http://www.esquilo.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Daniel Placido, nascido em 1983, é livreiro e pesquisador do Esoterismo.&lt;br /&gt;site: &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.polareditorial.com.br/" target="_blank" rel="nofollow"&gt;&lt;em&gt;www.polareditorial.com.br&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1) O que é a Esoterologia Bíblica, afinal? Como o senhor chegou até a mesma? E como tem sido sua experiência de professor desta disciplina em uma universidade (não esquecendo a pouca simpatia do meio acadêmico tradicional quanto ao tema “Esoterismo”)?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Esoterologia é uma ciência histórica e etno-sociológica que resultou de estudos sérios, em meios académicos, das correntes esotéricas e místicas, consideradas como realidades histórico-sociológicas, que, independentemente da sua presumível «verdade» ou «falsidade», interferiram e interferem nos respectivos contextos culturais e sociais, afectando formas e conteúdos literários, artísticos, filosóficos, educacionais, comportamentais, etc. O seu objecto de estudo é o esoterismo, definido como corpus de textos que constituem a expressão dum certo número de correntes espirituais, na história Ocidental desde a Idade Média até aos nossos dias, ligadas entre si por uma determinada «forma de pensamento» (correspondência, mediadores, transmutação, transmissão, etc.) que subjaz a essas correntes — e, de acordo com esta definição, a Esoterologia faz parte dos currículos académicos de certas universidades, como a Universidade de Paris (França), as Universidades de Amesterdão e Utrecht (Holanda), a Universidade da Califórnia (E.U.A.), etc., bem como numa secção do Departamento de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (Portugal). Alguns dos mais importantes esoterólogos da actualidade são, por exemplo, os professores catedráticos Antoine Faivre (França), Wouter J. Hanegraaff (Holanda), Pierre A. Riffard (Mauritânia), Arthur Versluis (E.U.A.), Roland Edighoffer (França), Karen-Claire Voss (E.U.A, Turquia), etc.&lt;br /&gt;Especificamente, a Esoterologia bíblica debruça-se sobre os aspectos referidos atrás mas respeitantes apenas aos contextos bíblicos, investigando não só os conteúdos de carácter esotérico que se podem detectar na própria Bíblia, mas também as interpretações esotéricas que historicamente têm sido levadas a efeito sobre os livros bíblicos pelos mais diversos autores e correntes místicas e espirituais ao longo dos séculos, até à actualidade.&lt;br /&gt;Quanto à minha experiência como professor devo dizer que tem sido das mais gratificantes, quer pelo empenho que eu prório sinto, desde há muitos anos, por uma matéria que me é muita cara, quer pela excelente recepção e adesão dos alunos aos temas tratados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2) Na sua obra “Esoterismo da Bíblia”, o senhor comenta em determinada passagem sobre as distorções e equívocos engendrados por livros populares como “O Código da Vinci” (agora também filme), porquanto este tipo de literatura amiúde parte de uma interpretação crua e literal dos documentos apócrifos, além de ignorar a fidelidade aos documentos históricos disponíveis, como é nítido na idéia do “casamento” de Jesus e Maria Madalena. O senhor poderia falar um pouco disso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Os muitos leitores d’ O Código Da Vinci com quem tenho contactado exprimem naturalmente as mais diversas opiniões, umas pró e outras contra, mas notei que um grande número deles acreditava que a investigação do autor Dan Brown para o seu livro tinha sido conduzida com honestidade e seriedade com base em documentos históricos, e, por outro lado, que se estaria agora a assistir a um processo de desmistificação da imagem de Jesus Cristo.&lt;br /&gt;Ora, na verdade o processo de «desmistificação» de Jesus Cristo não é de agora, nem sequer apenas do passado século XX: é coisa que tem vindo a durar há cerca de 2.000 anos… Os primeiros foram os judeus que nos textos rabínicos e talmúdicos dos séculos II e III d.C. puseram a circular a história de que Maria atraiçoara José com um soldado romano chamado Pandira ou Panthera, e portanto Jesus seria «filho de Panthera» (em hebr.: Yeshu ben Panthira). Daí a confusão dos evangelistas, diziam os judeus, que confundiram as palavras gregas huios pantherou (filho de Pantera) com huios parthenou (filho duma virgem). Existem diversos textos do Talmude da Babilónia, como por exemplo os tratados ‘Aboda Zara, o Talmud Shabbat, o Sanhedrin, etc. onde se insiste nessa atribuição do nascimento de Jesus ao adultério de Maria.&lt;br /&gt;Por outro lado, os autores pagãos dos primeiros séculos do Cristianismo, disseram o pior possível de Jesus e dos cristãos, como os filósofos Celso (Discurso Verdadeiro), Porfírio (Contra Christianos), Plotino (Enneadas Livro II, tratado IX), todos do séc. III, ou ainda Juliano (Contra Galilaeos), do séc. IV. A principal acusação era que Jesus seria um baixo mágico e um charlatão e que a falsa ressurreição não foi mais que um embuste dos seus sequazes (para não lhes chamar discípulos…), e portanto ou morreu mesmo e alguém roubou o corpo, ou então não morreu, e fingiu que ressuscitou porque se curou das feridas (há casos, embora raros, documentados por historiadores greco-romanos, de crucificados que sobreviveram e curaram-se dos ferimentos). Outros limitavam-se a acusar os cristãos de terem fabricado um Jesus mítico à semelhança das divindades pagãs, tais como Osíris, que morreu e ressuscitou, Dionysos, que também morreu e ressuscitou, filho da virgem Semele e do Pai dos deuses, Zeus, ou ainda Mithra, muito venerado no mundo romano, também filho da deusa-virgem Anaita, conhecido mito solar celebrado a 25 de Dezembro — data que a Igreja aproveitou; etc. Já no século II d.C., os autores patrísticos Justino Mártir (Diálogo com Tryphon, Apologia I e Apologia II) e Ireneu de Lião (Adversus Haereses) tiveram de combater essas «calúnias».&lt;br /&gt;Ao longo dos séculos o processo de denegrir e aviltar a imagem de Jesus, ou então ajeitá-la aos gostos e preferências de cada época, não é novo e tem passado por diversas fases. Uma das acalmias nesse processo decorreu entre os séculos IV e XVII devido ao forte domínio e à preponderante intolerância da Igreja na cultura ocidental, em que o «Jesus Filho de Deus e duma Virgem Mãe» era simplesmente indiscutível. Mas as dúvidas e as críticas do «Jesus histórico» reavivaram-se com o Iluminismo filosófico a partir do séc. XVIII. Como vimos atrás, a ideia de que Jesus sobreviveu à crucificação e fingiu que ressuscitou já é muito antiga, e não apenas uma «descoberta» recente dos autores d’O Código Da Vinci e doutros textos. Um dos livros que causou mais sensação na sua época chama-se The Unknown Life of Jesus Christ e foi publicado em Chicago em 1894, da autoria do judeu russo Nicolas Notovitch. Nesse livro o autor descreve uma viagem que fez ao Oriente em 1870; tendo chegado à Índia em 1887, Notovitch visitou o famoso Templo Dourado de Amritsar; e num lugar chamado Mulbek encontrou um Lama que lhe relatou uma tradição de um certo Issa (ou Jesus) que tinha chegado à Índia em meados do séc. I e aí tinha pregado e feito curas. De investigação em investigação, Notovitch concluiu que Jesus conseguira sobreviver à crucificação e fugira para a India, onde foi reverenciado e morreu idoso…&lt;br /&gt;Jesus, de facto, tem as costas largas, pois cada época redescobre um novo Jesus, ou uma nova faceta de Jesus, com base em autênticos ou supostos documentos, e com base também nas correlativas especulações. O Prof. Philip Jenkins, catedrático de História e Estudos Religiosos na Universidade de Pensilvânia, no seu livro Hidden Gospels (Oxford University Press, 2001), cuja leitura vivamente recomendo, descreve todas essas especulações ao longo dos tempos, chamando especialmente a atenção para a descoberta de manuscritos antigos, de tipo mais ou menos gnóstico e classificados pela ortodoxia romana como apócrifos, desde o famoso tratado Pistis Sophia, do século II, encontrado em 1773 num alfarrabista de Londres, passando pelos códices coptas desenterrados num primitivo cemitério cristão, no Egipto, em 1896 (Berolinensis Gnosticus), e outros, até aos mais recentes, como a biblioteca gnóstica de Nag Hammadi (1945) ou o ainda mais recente Evangelho de Judas (1978).&lt;br /&gt;Em vários destes textos já se abordava o aspecto da preponderância de Maria Madalena na vida de Jesus, como discípula predilecta e privilegiada: Pistis Sophia, Evangelho de Maria (Madalena), Evangelho de Filipe, Evangelho de Tomé, etc. — sendo que este último também refere Salomé com um papel semelhante.&lt;br /&gt;Finalmente, em 1982 foi publicado um livro que também levantou celeuma na época (já lá vão 25 anos!), The Holy Blood and the Holy Grail («O Santo Graal e a Linhagem Sagrada»), de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, onde os autores «demonstram» que Jesus sobreviveu à crucificação, casou com Maria Madalena, teve filhos, emigrou para França e a sua descendência deu origem à dinastia Merovíngia… com todos os plots secretos que daí derivaram, desde os cavaleiros templários, passando pela heresia cátara, mais os bastidores do fantasioso «Prieuré de Sion» e seus esforços para restaurar o poder político dos descendentes Merovíngios, depostos há mais de 1300 anos. Ora foi precisamente nos argumentos deste livro de quase 500 páginas que o autor d’ O Código Da Vinci se inspirou quase palavra por palavra, somente lhe entretecendo uma empolgante intriga policial.&lt;br /&gt;Mas… será de se levar a sério?&lt;br /&gt;Os «documentos históricos» utilizados pelo autor do Código são sobretudo os escritos não-canónicos utilizados por certas comunidades jesuânicas nos três ou quatro primeiros séculos do Cristianismo, e, em si, não são mais nem menos «históricos» do que os textos canónicos do Novo Testamento, que se compõem de quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas, João), um livro de actos, várias epístolas de Paulo e outros apóstolos — autênticas ou falsamente atribuidas —, e um apocalipse.&lt;br /&gt;Que no século I já circulavam muitos evangelhos ou «histórias» de Jesus, e não apenas os quatro que ficaram na Bíblia, é um facto que o próprio evangelho de Lucas reconhece e testemunha logo nas suas primeiras linhas (Lucas 1, 1-3). Para além do famoso e primitivo Evangelho Q, reconstituído pacientemente pelos estudiosos bíblicos após anos e anos de trabalho, temos conhecimento de que eram utilizados muitíssimos outros, dezenas ou mais, aceites e venerados em diferentes ekklêsiai e/ou círculos iniciáticos cristãos. A maior parte deles perdeu-se, ou deles só restam escassos fragmentos; o conhecimento que deles temos deriva não só das referências (nem sempre fidedignas) feitas pelos autores eclesiásticos da Patrística, mas também pela descoberta de manuscritos, encontrados em velhas bibliotecas, em alfarrabistas, em cemitérios, em terrenos escavados ou em mosteiros, sobretudo a partir do séc. XVIII, como referi atrás, e principalmente pela descoberta arqueológica da preciosa biblioteca gnóstica de Nag Hammadi, ocorrida em finais de 1945 no Alto Egipto, e que permitiu que se recuperassem 53 importantes tratados gnósticos dos séculos II a IV.&lt;br /&gt;Seja como for, teremos sempre de levar em conta que tanto esses textos «apócrifos» como os evangelhos canónicos não tinham uma preocupação historicista, mas uma intenção mistérica e iniciática, ou então teológica — eram na verdade rituais iniciáticos e/ou encenações litúrgicas que têm de ser interpretados à luz dos princípios da Esoterologia Bíblica ou da Teologia e não da historiografia convencional. Por isso é preciso o maior cuidado quando se pretende tomar à letra o que neles se contém, pois mais importante do que o sentido literal, é o sentido espiritual, como dizia Paulo: «A letra mata, porém o espírito é que vivifica» (2 Coríntios 3, 6).&lt;br /&gt;Vejamos um dos casos que mais especulações tem provocado, o da preferência dada por Jesus à discípula Maria Madalena, tal como vem relatada nalguns dos apócrifos, como os citados Pistis Sophia, o Evangelho de Filipe ou ainda o Evangelho de Maria (Madalena), já para não falar nos canónicos, nos quais Maria Madalena é sempre a primeira, ou das primeiras, a beneficiar da aparição do Cristo ressuscitado.&lt;br /&gt;No Evangelho de Filipe, que faz parte dos códices encontrados em Nag Hammadi, há uma descrição dos principais ritos iniciáticos da respectiva Escola de Mistérios: o próprio autor do evangelho chama «mistérios» a esses ritos e signos simbólicos, que ele enumera e descreve, ainda que nem sempre de forma clara: baptismo, unção, eucaristia, redenção e câmara nupcial («matrimónio místico» ou «boda alquímica» do Pneuma-Espírito-Superior com a Psique-Corpo Anímico- Inferior).&lt;br /&gt;A instrução iniciática era feita «de boca a boca», ou seja, por transmissão oral secreta de Mestre a discípulo, por isso há tantas referências simbólicas ao «beijo» em quanto forma de transmissão de conhecimento secreto nos variados textos gnósticos, nos quais se diz, por exemplo, que «os Iniciados engravidam mediante um beijo, e dão à luz» (Ev. de Filipe), ou a iniciação gnóstica simbolizada pelo beijo na boca que Jesus dá a Tiago, revelando-lhe «coisas que os céus não conheceram» (II Apoc. de Tiago), ou ainda, e de acordo com o mesmo princípio, os «beijos na boca» que Jesus dava a Maria Madalena registados no evangelho de Filipe.&lt;br /&gt;Por conseguinte, o «casamento» de Jesus com Maria Madalena, e o simbolismo de ela ter «engravidado» por obra de um «beijo» do Mestre, ficando «prenhe» de Gnose, é um facto místico e esotérico perfeitamente enquadrável no simbolismo das correntes gnósticas e esotéricas do cristianismo primitivo, e respectivos círculos iniciáticos (Matrimónio Místico do Eu superior com o Eu inferior), e não um evento cruamente biológico e historicista tal como tem dado azo a inúmeras e fantasiosas especulações. Aliás, os próprios gnósticos dos séculos II e III em cujos textos Dan Brown diz ter-se inspirado, ficariam horrorizados com a blasfémia de se pensar sequer que o simbolismo iniciático da Gnose pudesse ser entendido como um casamento físico entre o Mestre e algumas das suas discípulas…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3) O esoterólogo Pierre Riffard, alude em seu livro “O Esoterismo: uma antologia” ao fato da Igreja Católica não ser contrária ao Esoterismo em si, mas ser explicitamente contra alguns esoterismos em particular, considerados anti-católicos (rosacruz, maçonaria, teosofia, antroposofia, etc.). Pressupondo estar correta a asserção riffardiana, quais fatores ajudariam a compreender a ambiguidade desta relação Igreja-Esoterismo, na opinião do Senhor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, convém deixar bem claro que a generalidade dos teólogos cristãos (católicos ou protestantes) consideram que a abordagem esotérica da Bíblia é uma abordagem ilegítima, e que qualquer método ou sistema esotérico de interpretar a Escritura contraria frontalmente as próprias formas e conteúdos bíblicos porque, segundo a teologia da Igreja, não há nada de secreto ou oculto nos versículos bíblicos, e muito menos nos ensinamentos de Jesus como ele próprio afirma: «Eu falei francamente [gr. parrêsiai, abertamente] ao mundo, eu sempre ensinei na sinagoga e no templo onde concorrem todos os judeus, e no oculto [gr. en kryptôi] não falei nada» (João 18, 20).&lt;br /&gt;Para a teologia católica romana (e também protestante) a busca de significados espirituais profundos ou esotéricos nas passagens bíblicas constitui uma hermenêutica abusiva, e por isso mesmo não surpreende — segundo os teólogos — que os diversos intérpretes esotéricos apresentem contradições irreconciliáveis nas suas interpretações de específicos versículos bíblicos, visto que nenhuma autoridade individual, seja a dos diferentes esoteristas ou outros quaisquer intérpretes, se pode sobrepor à autoridade da própria Escritura, tal como explicita o teólogo Ron Rhodes no seu artigo “Esotericism and Biblical Interpretation” (Christian Research Journal, Winter 1992, p. 28).&lt;br /&gt;Tanto quanto julguei entender, o argumento de Pierre A. Riffard incide mais sobre a forma enviesada como a Igreja em certos casos lida com as situações incómodas, e Riffard estabelece, e bem, uma distinção entre o mistério e o segredo: a Igreja aceita o mistério, mas rejeita o segredo, tal como ele diz no seu livro: «…o esoterismo não é fustigado [pela Igreja] senão de forma indirecta […]. Que vemos nós? O Index librorum prohibitorum contempla a heresia, a irreligião, a superstição, o erotismo… mas não o esoterismo. Quando a Igreja condena a maçonaria, não condena o seu esoterismo, uma vez que a Igreja apenas conhece uma maçonaria exotérica, ela não condena o mistério, mas sim o segredo, como o segredo de qualquer associação clandestina» (L’ésotérisme: Qu’est-ce que l’ésotérisme? Anthologie de l’ésotérisme occidental, p. 24). Nem pode ser de outro modo, visto que a interpretação verdadeira da Escritura é uma prerrogativa e um magistério que a Igreja recebeu dos apóstolos (por isso a Igreja se auto-denomina apostólica) e deles não se pode desviar; qualquer outra interpretação, nomeadamente de tipo esotérico, será sempre condenada pela Igreja como ilegítima. Um dos maiores teólogos portugueses, o professor catedrático Joaquim Carreira das Neves, dedica vários textos seus, importantes, a este assunto, por exemplo no seu livro Jesus de Nazaré, Quem És Tu? (todo o capítulo: «Jesus foi um esotérico?», pp. 242-249), ou o artigo «A Bíblia como História frente ao Esoterismo» (na revista Didaskalia, XX, 1, 1990, pp. 167-188), onde desenvolve claramente a posição da Igreja rejeitando em absoluto o carácter esotérico dos conteúdos bíblicos bem como as interpretações esotéricas que os vários esoteristas têm feito deles ao longo dos séculos.&lt;br /&gt;Pese embora as objecções eclesiais que os teólogos possam argüir contra o Esoterismo bíblico, argumentando que «a Sagrada Escritura é uma literatura religiosa funcional», e não oculta ou de significados profundos, e que «Jesus não era um apocalíptico que falasse por enigmas» (Jesus de Nazaré, Quem És Tu?, pp. 243 e 245), a verdade é que tanto a Escritura judaica (Antigo Testamento) como os textos do Novo Testamento contêm inúmeras passagens susceptíveis de diferentes níveis de leitura: a «leitura literal», a «leitura teológica», a «leitura esotérica», etc. Como é óbvio, estas diferentes leituras conduzem a diferentes hermenêuticas; já as escolas rabínicas dos antigos judeus referiam os aspectos misteriosos, secretos e esotéricos de um certo número de livros da Escritura, proibindo mesmo o acesso a alguns deles (Génesis 1, Ezequiel 1 e 40-48, Cântico dos Cânticos, etc.), só os autorizando a adultos devidamente preparados e instruídos. Por sua vez o Targum, enquanto interpretação feita no Templo das leituras litúrgicas da Escritura hebraica, visava sobretudo trazer à luz o sentido oculto, ou esotérico, reconhecidamente existente na mesma Escritura.&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-18_16_05_05-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na hermenêutica cristã primitiva distinguiu-se o gigantesco Orígenes (sécs. II-III): ele considerava que a Bíblia fala uma linguagem de símbolos e que é crucial desvendar o «mistério último» contido cripticamente na Escritura. Foi figura preponderante na Escola de Alexandria, que preconizava o método alegórico para a hermenêutica bíblica, no que se opunha à Escola de Antioquia, que defendia o método histórico e literal. Escusado será dizer que foi esta última que venceu e preponderou na chamada «Grande Igreja», oficializada e imposta para todo o império romano por Constantino e sobretudo por Teodósio, no século IV. Em consequência, as teses de Orígenes foram condenadas no II Concílio de Constantinopla do séc. VI, que homologou os famosos «XV Anátemas Contra Orígenes».&lt;br /&gt;Antes de concluir este item, vale a pena chamar a atenção para o seguinte:&lt;br /&gt;Dos quatro evangelhos canónicos, o de Marcos é o mais antigo, o mais próximo das primitivas comunidades, ou ekklêsiai, iniciáticas cristãs e portanto o mais esotérico — sobretudo se considerarmos o fragmento desse evangelho descoberto pelo Prof. Morton Smith em 1958 no mosteiro cristão bizantino de Mar Saba, em Israel, e divulgado em dois livros seus, em 1966 e 1973. Para além duma inequívoca cerimónia iniciática cristã referida nesse fragmento, o próprio evangelho de Marcos tal como chegou até nós, nas Bíblias correntes, não deixa lugar a dúvidas quanto ao esoterismo dos ensinamentos de Jesus: Marcos insiste na ideia de que existia um círculo iniciáticio interno (os Doze) que podia ter acesso ao conhecimento profundo, em contraste com as multidões ( = «os de fora»: gr. ‘oi exô, ou seja, os profanos) às quais só se poderia falar em parábolas e comparações: «E dizia-lhes [aos discípulos]: A vós, foi-vos dado [conhecer] o mistério do Reino de Deus, mas aos de fora tudo se dá em parábolas» (Marcos 4, 11); «E com muitas parábolas semelhantes lhes falava a palavra [às multidões], segundo podiam entender; mas privadamente [gr. kat’idian] aos discípulos explicava tudo» (Marcos 4, 33-34). Muitos outros exemplos se poderiam aduzir, limitar-me-ei a apresentar mais um de carácter protocabalístico (Marcos 8, 16-21), e tem a ver com os números de pães e peixes, e o seu simbolismo numerológico, a propósito do milagre da multiplicação dos mesmos: o próprio Cristo chama a atenção para esses números, e obriga os discípulos a repeti-los: 5, 7 e 12, dizendo: «A vossa mente não alcança, nem entendeis?» (Marcos 8, 17), e perante a obtusidade deles surpreende-se como é possível não verem o mistério oculto nessa numerologia, e repete: «Ainda não entendeis?» (Marcos 8, 21).&lt;br /&gt;Ora, isto vem a propósito duma frase do evangelho de João, citada mais atrás, proferida por Jesus e utilizada pela Igreja para tentar provar que Jesus não era um esotérico: «Eu falei francamente ao mundo, eu sempre ensinei na sinagoga e no templo onde  concorrem todos os judeus, e no oculto não falei nada» (João 18, 20). Esta frase é dita quando Jesus é preso pelos guardas do Templo a fim de ir a julgamento.&lt;br /&gt;O evangelho de Marcos, muito anterior ao de João, refere a forma textual primitiva dessa frase: «Todos os dias estava no templo convosco ensinando, e não me prendestes» (Marcos 14, 49). O evangelho de Marcos terá sido redigido por volta do ano 70 d.C., ao passo que a redacção final de João é datável de perto do ano 100 d.C. O redactor tardio de João acrescentou «falei francamente, ou abertamente [gr. parrêsiai]», e insiste que nada disse «em oculto [gr. en kryptôi]». Trata-se obviamente dum acrescento proto-ortodoxo, de tipo eclesiástico, para acentuar o carácter «aberto» da doutrina, em contraste com o carácter oculto das outras comunidades iniciáticas, gnósticas ou não-gnósticas: a partir da segunda metade do século I, e sobretudo na viragem do século I para o século II, e seguintes, acentuou-se a tendência proto-ortodoxa que compreendeu que a melhor maneira de expandir a doutrina era «exoterizá-la», torná-la aberta e sem segredos e ao alcance de todos, e os «mistérios» deixaram de ser iniciáticos para serem apenas verdades reveladas que ultrapassam os poderes e as capacidades da razão natural — como o mistério da Imaculada Concepção, o mistério da Ressurreição, o mistério da Santíssima Trindade ou o mistério da Transubstanciação, mistérios esses que só podem ser aceites pela fé, e não entendidos pela gnose (conhecimento). Com isto desaparecia a exclusividade elitista dos círculos iniciáticos e gnósticos, que implicavam preparação, estudo, conhecimento, iniciação e segredo, acessíveis apenas a uns poucos, em contraste com a abertura a todos, mesmo os de fracas capacidades, proposta pela corrente proto-ortodoxa, porque aquilo que os crentes não entendessem, bastava que o aceitassem pela fé cega.&lt;br /&gt;Podemos surpreender-nos que o evangelho de João, tão prezado pelas mais variadas correntes esotéricas e ocultistas tanto antigas como actuais, esteja inquinado com algumas passagens nitidamente anti-esotéricas, como esta e outras que pretendem pôr em causa, por exemplo, a autoridade do misterioso evangelho de Tomé: na famosa aparição aos discípulos, depois da Ressurreição, em João 20, 19-23, estão todos presentes menos Tomé, de modo que, quando Jesus sopra sobre eles e diz: «Recebei o Espírito Santo», conferindo-lhes o poder de perdoar os pecados, Tomé fica excluído dessa efusão mistérica e pneumática, o que obviamente tem por fim desacreditar a autoridade do respectivo círculo iniciático (Tomé não recebeu a efusão do Espírito Santo, por isso a sua comunidade e o seu evangelho não são válidos!)&lt;br /&gt;A verdade é que o evangelho de João, nas cópias manuscritas mais antigas que chegaram até nós (aliás como os outros textos bíblicos), não oferece garantias de pureza original pois as mãos de muitos escribas e copistas passaram por ele, e hoje é impossível, mesmo com as mais sofisticadas técnicas de investigação e de «crítica textual», ter uma ideia sequer aproximada de como seria o primeiro texto autógrafo donde foram feitas as sucessivas cópias ao longo dos séculos.&lt;br /&gt;Já para não falar no problema da autoria dos evangelhos que só foi atribuída nos fins do século II d.C. pelo apologeta proto-ortodoxo Ireneu de Lião, que no entanto reconhecia (Adversus Haereses III, 11, 9) que certos grupos cristãos, que ele qualifica como «heréticos», não aceitavam a autoria joanina do Quarto Evangelho. Hoje existe um razoável consenso entre os especialistas bíblicos que o evangelho dito de João passou por vários estágios de transmissão do texto, com, pelo menos, três autores: (1) O autor do «evangelho dos sinais [gr. sêmeia]», em que os sete «milagres» registados em João fazem parte dum primitivo texto onde os «milagres» são designados como «sinais» certificadores da fé; (2) Um «evangelista» que interpreta os «sinais» como indicadores de uma revelação do Deus-Pai invisível, feita por intermédio de Jesus Cristo; (3) Um «redactor» eclesiástico, final, que acrescenta a proclamação do iminente fim do mundo, dos sacramentos e duma ética que coloca os cristãos como a elite entre os homens bons. Segundo certos biblistas, entre a primeira e a terceira fase decorreu um lapso de tempo de, pelo menos, 50 anos, ou seja, os últimos redactores e copistas tiveram tempo e oportunidade para «ajeitar» o texto a uma cristologia cada vez mais antignóstica, bem como à emergência crescente de Pedro como apóstolo principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-18_16_03_28-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;4) Ainda sobre Igreja e Esoterismo, desejo levantar uma questão específica, a qual pode se desdobrar em outros aspectos: o chamado “docetismo” gnóstico, mencionado no seu livro “Esoterismo da Bíblia". Conforme pude entender — e se estiver errado, me corrija —, esta teoria tinha duas variantes. Numa delas, o homem Jesus recebe Cristo (Espírito cósmico) no batismo do Jordão; no momento dramático da crucificação, Cristo abandona Jesus, e deixa este morrer sozinho. Noutra versão, Cristo na Terra apenas se valeu de um corpo “fantasma”, e por conseguinte, sua morte na cruz foi apenas de “aparência”… Semelhante teoria revela muito do dualismo gnóstico —ie, sua aversão à matéria—, e foi considerada “herética” pela Igreja de Roma. O senhor poderia nos explicar melhor o que era o tal “docetismo”?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Antes de mais convém esclarecer que ao contrário da opinião convencional acerca de «ortodoxia» e «heresia» no cristianismo primitivo, opinião essa que durante muito tempo transmitiu a falsa noção de que haveria um tronco central do cristianismo («proto-ortodoxo» e mais tarde «ortodoxo), derivado dos ensinamentos de Jesus e disseminado sem desvios pelos apóstolos, do qual divergiriam diversas tendências aberrantes e sectárias que por isso mesmo se chamam «heresias» — a realidade histórica é bem diferente. O primeiro a desferir um golpe demolidor nessa visão simplista foi Walter Bauer (1877-1960), um investigador do cristianismo primitivo de grande erudição, que em 1934 publicou uma importante obra de referência, em língua alemã, intitulada (na tradução inglesa) Orthodoxy and Heresy in Earliest Christianity. Através do estudo dos elementos históricos disponíveis Bauer concluiu que a corrente que veio a ser conhecida como «ortodoxia» era apenas uma, e nem sequer a mais significativa, dentre as inumeráveis formas de cristianismo nos primeiros séculos.&lt;br /&gt;Na realidade, dos ensinamentos e dos actos de Jesus saiu directamente um leque de formas divergentes que deram origem a um não pequeno número de linhas de espiritualidade, das quais nenhuma delas se poderia dizer que representasse uma clara maioria de crentes face a todas as outras: tão-pouco se poderia dizer que a chamada «ortodoxia» existisse nos séculos II e III — quando muito poder-se-á falar em «proto-ortodoxia». Aliás, em muitas das regiões por onde se espalhou o cristianismo, as comunidades cristãs maioritárias e dominantes eram constituídas por elementos que perfilhavam concepções cristológicas — gnósticas ou não-gnósticas — que mais tarde viriam a ser consideradas como «heréticas». Por muito estranho que isto nos pareça (então Jesus não é um só, e os seus ensinamentos não são os que vêm na Bíblia?), a verdade é que os próprios discípulos não compreendiam Jesus, como vemos em tantas passagens dos evangelhos, sobretudo no de Marcos, onde se insiste que os discípulos interpretam de diferentes maneiras os discursos e os actos do Mestre, ou nem sequer os entendem, tal como o exemplo que citei na resposta à pergunta anterior (Marcos 8, 16-21).&lt;br /&gt;Não surpreende, por conseguinte, que essas diferenças de interpretação dessem imediatamente origem a escolas e círculos iniciáticos com diferentes concepções cristológicas. Uns diziam que havia um só Deus, e que Cristo era a humanização d’Ele na terra; outros diziam que havia dois deuses, o Deus supremo e o Demiurgo, criador desastrado do mundo e da matéria, e que Cristo era um enviado do primeiro para resgatar os erros do segundo; outros diziam que havia dois deuses, Deus-Pai e Deus-Filho, porque consideravam a divindade de Jesus à parte; outros diziam que Jesus era completamente humano e não divino; outros diziam que Jesus era completamente divino e não humano; uns achavam que Jesus tinha vindo cumprir as profecias judaicas, e completar a lei; outros repudiavam a lei judaica, e que Cristo inaugurara uma nova era, a do amor, contra o rigor da lei, e rejeitavam o Antigo Testamento na sua totalidade; uns acreditavam que Jesus nascera duma virgem por obra do Espírito divino; outros defendiam que Jesus era um ser humano, nascido naturalmente de José e de Maria, e escolhido por Deus para desempenhar uma missão; etc. etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-18_16_02_51-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O professor catedrático Antonio Piñero da Universidade Complutense de Madrid, reputado especialista de cristianismo primitivo, de gnosticismo e de línguas antigas, numa conferência sobre este assunto que proferiu o ano passado em Lisboa, referiu pelo menos doze concepções diferentes, algumas antagónicas, reinantes nas mais distintas comunidades cristãs primitivas e todas em pé de igualdade, não se podendo dizer que uma fosse mais «verdadeira» ou mais «importante» que as outras — o que importa realçar é que todas essas diferentes escolas e correntes cristãs se reclamavam de ter a sua origem nos ensinamentos deste ou daquele apóstolo, como por exemplo o gnóstico Valentim que se dizia discípulo de Theudas que por sua vez fora discípulo de Paulo, ou os que se diziam seguidores e discípulos de Tiago, de Pedro, de Tomé, etc. considerando-se ao mesmo nível de autoridade e de apostolicidade da corrente proto-ortodoxa que mais tarde daria origem à chamada «Grande Igreja».&lt;br /&gt;É neste contexto que surgem designações cristológicas como «docetismo», «adopcionismo», «separacionismo», «patripassionismo», «subordinacionismo», etc., designações que foram sendo atribuídas às diversas concepções cristológicas que resumi mais atrás.&lt;br /&gt;A pergunta refere dois aspectos distintos de alguns dos vários movimentos gnósticos: um deles, o «adopcionismo», ensina que Jesus foi um ser humano excepcional filho natural de José e de Maria, que pelas suas inúmeras virtudes mereceu ser «adoptado» por Deus-Pai como seu Filho, tornando-se um instrumento do divino Cristo-Logos; uma das variantes dessa doutrina diz-nos que essa «adopção» teria ocorrido no momento do Baptismo, com a descida da Pomba do Espírito Santo sobre Jesus, ao passo que outra refere que essa «adopção» somente ocorreu no momento da morte na cruz, quando o espírito se libertou, a sua missão se cumpriu e Deus-Pai o divinizou.&lt;br /&gt;O «docetismo» propriamente dito pode também apresentar diversas variantes, por exemplo a do gnóstico Basilides ou a do gnóstico Cerinthus. De acordo com o primeiro, o Cristo-Logos sendo divino, eterno e perfeito, não poderia conspurcar-se com a sua involucração num corpo de carne, visto que a matéria é impura e má por natureza. Assim, o Cristo era um «poder incorpóreo» (lat. virtus incorporalis) e o seu corpo era apenas aparencial, parecia de carne mas na verdade era algo de fantasmático que devido ao seu grande poder crístico podia assumir aparência de solidez, comer, beber, falar às multidões, tocar nas pessoas e ser tocado, etc. — mas não passava tudo de aparência: a palavra «docetismo» quer dizer isso mesmo, vem do verbo grego dokeîn, que significa parecer ou aparecer. No momento da crucificação, segundo Basilides, quem morreu foi Simão de Cirene que carregou a cruz, e o Cristo foi visto pelo apóstolo Pedro (Apocalipse de Pedro, Biblioteca de Nag Hammadi) pairando sobre a cruz, em espírito e rindo com o engano dos seus executores. Por sua vez, e de acordo com Cerinthus, o Cristo-Logos incarnou no corpo do Jesus histórico no momento do Baptismo; na crucificação, a Espiritual Força Crística abandonou o corpo de Jesus de Nazaré, e foi este quem sofreu e morreu, e por isso exclamou: «Por que me abandonaste?»&lt;br /&gt;Em suma, tudo isto mais uma vez nos confirma as dificuldades com que depara o estudioso do cristianismo primitivo que queira apurar da «verdade» ou da «falsidade» de todas estas correntes, incluso a proto-ortodoxa. Por isso os investigadores esoterólogos procedem cautelosamente e não preconceituam da veracidade ou falsidade das diversas correntes místicas e esotéricas, debruçando-se antes sobre as condições e circunstâncias sócio-históricas que levaram ao seu surgimento, desenvolvimento e desaparição — ou, em alternativa, preponderância e triunfo histórico, como por exemplo o fascinante estudo que tenta explicar por que foi que a corrente proto-ortodoxa, organizada a pouco e pouco de forma patriarcal e autoritária, à semelhança da hierarquização rigorosa e implacável do Império romano, conseguiu finalmente vingar e ser aceite pelo imperador Constantino que, em Roma, disponibilizou enormes recursos financeiros aos cristãos, ou melhor, à chamada «Grande Igreja», que facilmente se impôs, com esses meios, e reescreveu a História dando desta corrente uma visão maioritária (Eusébio de Cesareia, Historia Ecclesiastica, sécs. III-IV), e fazendo com que os escritos que apoiassem outras visões ou outras correntes de espiritualidade cristã fossem sistematicamente destruídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5) Se possível, complemento a pergunta acima com outra: o rosacruz Max Heindel, autor estimado pelo senhor, aceita a distinção entre Jesus e Cristo, todavia, ao mesmo tempo, enfatiza a morte real e física do Cristo-Jesus na cruz, no chamado “Mistério do Gólgota”; salvo engano meu, a visão de Heindel não é —de certa maneira— uma “conciliação” entre os pontos de vista do gnosticismo e da teologia cristã tradicional?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a name="2007_05-18_16_01_51-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Realmente, o Rosacrucismo tem bastantes raízes gnósticas, e quando se estudam e comparam os antigos movimentos gnósticos com os princípios do esoterismo Rosacruz, encontramos muitos pontos de contacto, sobretudo em Max Heindel (1865-1919) que consegue uma excelente harmonização entre o princípio da Fé (cristianismo ortodoxo), e o princípio da Gnose ( = conhecimento/intelecto espiritual, princípio dos gnósticos). Em vez de opor um ao outro, como faziam e fazem os acérrimos defensores da Igreja, por um lado, e os ocultismos teosofistas, por outro, para os quais a Salvação ou está exclusivamente na Fé ou exclusivamente na Gnose (para estes últimos a ignorância [gr. agnoia] é o pior dos pecados) — Max Heindel salienta (e quanto a mim, bem), que ambos os princípios se complementam e se harmonizam, porquanto o ideal do Homem Superior é unir o coração (Fé) e a mente (Gnose), em vez de ficar apenas na devoção mística (Fé—Igreja) ou nas iniciações ocultas (Gnose—Escolas de ocultismo).&lt;br /&gt;Outros autores importantes, para além de Heindel, também perfilham este princípio de harmonização: por exemplo o hermetista suíço Oswald Wirth (1860-1943), contemporâneo de Max Heindel e discípulo do famoso ocultista Stanislas de Guaïta, explica que o ocultista desenvolve a sua individualidade através da exaltação do Enxofre e a sua Iniciação é masculina ou dórica (Marte), ao passo que o místico conforma a sua personalidade aos princípios da Iniciação feminina ou jónica (Mercúrio segundo Wirth, Lua segundo Heindel). O ideal máximo a alcançar consiste portanto na superior harmonização de ambos os princípios no mesmo ser humano a que Wirth chama o Teurgo e Heindel o Adepto, e no qual se concilia a elevada actividade intelectual do ocultista com a elevada passividade cordial do místico. Uma explicação mais aprofundada e muito clara deste excelso ideal encontramo-la no capítulo XVII da obra de referência Conceito Rosacruz do Cosmo de Max Heindel, onde se descreve o percurso das correntes sexuais respectivamente no místico, no ocultista e no Adepto, e sua sublimação e transmutação espiritual neste último.&lt;br /&gt;Para a corrente Rosacruz seguida por Max Heindel, há de facto diferença entre Jesus e Cristo: Jesus de Nazaré é um ser humano altamente evoluído, filho natural de José e de Maria, que se qualificou com um intenso preparo esotérico e espiritual para receber, no momento do Baptismo, o Espírito Cósmico do Cristo que utilizou o seu corpo durante o ministério de três anos, incluso na Crucificação, somente o abandonando no sepulcro. Por isso o sepulcro de Cristo Jesus foi encontrado vazio: as altíssimas vibrações do Cristo desintegraram os átomos do corpo morto de Jesus, o qual perdera com a morte o forte poder coesor de que necessitava para conter a elevadíssima espiritualidade vibratória do Cristo. Foi este, e não Jesus, quem apareceu em corpo espiritual «ressuscitado» aos discípulos, e ascendeu aos céus; Jesus, nos reinos invisíveis, tem desde então trabalhado com as Igrejas cristãs, sendo o génio protector da obra devocional das Igrejas mediante a qual a religião é fomentada e o ser humano é recuperado para Deus através da senda cordial (lat. cor, cordis, «coração») da Devoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-18_16_01_15-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Registe-se, por curiosidade, que a imagem de Jesus impressa no Sudário de Turim e cuja misteriosa formação tem constituído um quebra-cabeças para os cientistas das mais diversas especialidades, parece provir de uma radiação controlada emitida por um corpo que se desintegrou em átomos irradiando partículas de alta energia, o que justificaria, por um lado, o desaparecimento do corpo no sepulcro, e, por outro, a relutância da Igreja em aceitar a autenticidade do Sudário — se é autêntico, pode ser uma prova incómoda de que o Cristo não ressuscitou «em corpo de carne», mas em «corpo espiritual» ou «corpo etérico» como defendem os esoteristas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6) Falando de Rosacruz e rosacrucianismo, autores como G. Lessing (tido como rosacruciano), M. Heindel e R. Steiner concebiam o cristianismo como um ideal de moralidade livre e superior. Mesmo R. Abellio, que não era a rigor um “rosacruz”, assumia em sua autobiografia “Sol invictus”, sob a influência de Steiner, uma visão do Cristo como o “portador da liberdade”, ao abalar a autoridade paternalista da Lei antiga. Na sua visão de Rosacruz, o senhor outrossim enxerga esta relação entre cristianismo rosacruz e uma ética da liberdade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sem dúvida, desde que não se confunda uma visão de liberdade com uma visão libertinária. Aliás esse ideal de liberdade, tipicamente cristão e revolucionário no contexto sócio-histórico em que surgiu (um ambiente impregnado, simultaneamente, de judaísmo patriarcalista e autoritário, e de paganismo greco-romano também patriarcalista e autoritário), já é muito patente nas cartas de Paulo — e refiro-me às sete epístolas consideradas autênticas pelos especialistas bíblicos: 1 Tessalonicenses, Gálatas, 1 e 2 Coríntios, Filémon, Filipenses e Romanos, compostas entre os anos 50 e 56 d.C. — as restantes são pseudónimas e escritas muito posteriormente, nalguns casos para tentar «corrigir» precisamente essa visão de liberdade típica de Paulo, visão convivial e igualitária para todos os seres humanos, homens ou mulheres, senhores ou escravos, desta ou daquela etnia ou cor de pele, e correlativa não sujeição às autoridades repressoras, como naquele tempo a dos Romanos.&lt;br /&gt;Paulo sempre aceitou, tal como Jesus, a igualdade entre discípulos e discípulas, incluso cita o nome de mulheres diáconas e apóstolas (Febe: diácona, em Romanos 16, 1; Júnia: apóstola, em Romanos 16, 7), em contraste com a pseudopaulina e tardia epístola aos Efésios, por exemplo, em que se afirma que as mulheres têm de obedecer e submeter-se aos maridos (Efésios 5, 22-24), ou uma escandalosa interpolação na epístola aos Coríntios, em que se proíbe às mulheres de falarem nas igrejas e que perguntem aos maridos, em casa, se querem aprender alguma coisa (1 Coríntios 14, 34-35).&lt;br /&gt;O cristianismo Rosacruz não pode deixar de perfilhar essa ética superior de liberdade e igualdade, aliás magnificamente expressa pelos dois maiores Iniciados cristãos, Paulo e João: «Não sabeis que sois templo de Deus, e o Espírito de Deus habita em vós?» (1 Coríntios 3, 16); «O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor há liberdade» (2 Coríntios 3, 17); «Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará» (João 8, 32) — e isto é válido para homens ou mulheres, senhores ou escravos, judeus ou gentios, como acentua Paulo sem equívocos: «…já não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há varão nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gálatas 3, 28).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-18_16_00_04-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7) Para encerrar, li recentemente um artigo do R. Amadou, escrito em 1977, sob o influxo da contracultura dos anos 60-70; no artigo mencionado, o Amadou fazia uma crítica radical do que considerava versões burguesas e autocráticas de vida e de Esoterismo, postulando em contrapartida a iniciação esotérica como atualização da tradição, e como via da liberdade e efetivação do potencial humano. Trazendo um pouco daquela problemática para nosso contexto atual, e levando em conta os escritos do senhor sobre iniciação e Nova Era, pergunto: em sua visão, o Esoterismo, e portanto a iniciação, poderia contribuir para nossa sociedade não perder o sentido da vida espiritual, sem ao mesmo tempo ter de ficar presa às formas ultrapassadas de religião e espiritualidade? Se sim, como seria isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não creio que seja fácil de alcançar, esse ideal, nas sociedades laicas dos tempos que correm. Não estou a ver o presidente Lula da Silva, ou o presidente Hugo Chávez, já para não falar do presidente Putin ou do presidente Bush, a tornarem-se altos iniciados para dirigirem os destinos dos respectivos povos de forma esotericamente espiritual. Já houve tempo em que isso não só foi possível, como nem podia ser de outra maneira: os faraós do antigo Egipto eram reis e sacerdotes, e os monarcas medievais eram reis pela «graça de Deus».&lt;br /&gt;Entretanto os tempos mudaram com a evolução da História e da Humanidade. Por muito estranho que pareça o caminho da espiritualidade progressiva alcança-se apenas depois de ter batido no fundo da mais espessa materialidade — tal como diz um antigo provérbio alquímico: «Para que os ramos duma árvore alcancem o céu, é preciso que as suas raízes mergulhem no inferno». É isso que estamos a sofrer actualmente: o inferno da materialidade. Hoje os governantes (quaisquer governantes, mesmo o simples chefe de escritório ou o chefe de família) é um profano que na maioria dos casos se vangloria de ser ateu ou pelo menos agnóstico, e os que aparentam alguma forma de religiosidade, como os chefes de Estado de certas nações católicas ou protestantes, no fundo apenas seguem uma religiosidade exotérica não muito distante dum ritualismo meramente formal, sem a sacralidade de um sopro autenticamente divino — tal como, por muito que nos custe reconhecê-lo, as manifestações e os ritos cultuais, meramente externos, da própria Igreja e da maioria dos crentes. É este porém um passo indispensável, a materialidade tem de ser confrontada, compreendida, vencida e ultrapassada para podermos ascender, com uma nova super-consciência, à verdadeira e livre espiritualidade.&lt;br /&gt;Podemos interrogar-nos, de facto, se o Esoterismo e a Iniciação (que pressupõe adesão profunda e consciente a uma Escola de Mistérios), poderia contribuir para que a nossa sociedade não perdesse o sentido da vida espiritual, tão degradado pelos formalismos de certo modo ultrapassados das religiões institucionalizadas. A isso só poderei responder que as religiões, com todas as suas insuficiências, são todavia meios indispensáveis para que a generalidade dos seres humanos «alcancem Deus», pois para a maioria é mais acessível o caminho devocional da Fé, mesmo cega e irracionalista, do que o caminho oculto da Gnose, que implica o entendimento e a abertura a uma racionalidade superior, a Razão do Logos. Quando o evangelho de João revela, nos seus primeiros versículos, que «No princípio era o Logos [ = palavra, discurso racional] […] e tudo foi feito por ele», revela do mesmo passo que a racionalidade (divina!) é uma característica do universo e de tudo quanto nele existe, incluso o ser humano: o Real é Racional. Mas, claro, esta racionalidade sublime, que não é rasteiramente racionalista como a da quotidiana razão instrumental, não é alcançável por quem quer, por isso a suprema Inteligência ordenadora do cosmo permite que o Homem se eleve ao nível da Divindade por duas vias: a senda da Evolução e a senda da Iniciação.&lt;br /&gt;A senda da Evolução, a da humanidade comum, pode ser equiparada a um caminho ascensional circundando a montanha, em subida relativamente suave e sucessivas voltas espiraladas até atingir o Alfa-Ómega do cume. Claro que é um caminho longo e lento, talvez de muitos milhões de anos, e envolve todo o penoso percurso com seus muitos erros, tentativas, avanços e retrocessos — dos quais um dos passos inevitáveis é, precisamente, defrontar o desafio do materialismo e conseguir superá-lo e vencê-lo.&lt;br /&gt;Por sua vez a senda da Iniciação é como subir a montanha por meios alpinistas, em que o candidato se iça na vertical, a pique e à força de pulso; é muito mais rápido mas requer um esforço e um preparo muitíssimo maiores, e são raros os que o empreendem, e muito mais raros ainda os que conseguem ir até ao fim sem desistir a meio.&lt;br /&gt;Por isso não desanimemos! Se falharmos a plena realização da senda iniciática, sempre temos ao nosso dispor o caminho mais longo, mas não menos certo, da lenta evolução. Na certeza de que, quer num caso, quer no outro, o Alfa-Ómega do cume é o mesmo e estará sempre de braços amorosamente abertos, aguardando a nossa chegada ao topo e o regresso do filho pródigo à «Casa do Pai Misericordioso».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonio de Macedo&lt;br /&gt;Abril 2007&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-4398766005824191314?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2008/11/blog-antigo-3-entrevista-com-antnio-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-9044577253667677306</guid><pubDate>Mon, 10 Nov 2008 04:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-10T22:51:50.386-08:00</atom:updated><title>Blog antigo 2: Jacob Boehme-Introdução</title><description>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Jacob Boehme: introdução -Daniel Placido&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Escrito em maio de 2007)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“(...)Jacob Boehme, em sua locanda de sapateiro em Goerlitz,&lt;br /&gt;caía em êxtase perante o revérbero do sol em pratos de estanho...&lt;br /&gt;Aos olhos do contemplativo, o mais comezinho objeto pode&lt;br /&gt;converter-se em espelho do mundo e da alma, quando iluminado&lt;br /&gt;pela luz divina”.&lt;br /&gt;    Georges Gusdorf, in: “Tratado de Metafísica”, Civ. Brasileira, 1959&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os séculos passados tiravam suas idéias de sua força imaginativa...&lt;br /&gt;as grandes ideologias se manifestavam em figuras, em deuses...”&lt;br /&gt;   J. Goethe, in: “Carta a Riemer”(1806)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jacob Boehme (1574-1624), humilde sapateiro, se tornou um dos maiores filósofos e místicos alemães, ao erigir um dos mais complexos edifícios cosmogônicos e teogônicos da filosofia cristã, e mesmo de toda a metafísica ocidental; a mística é a alma e o ‘télos’ do seu sistema teológico-filosófico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lastro de Meister Eckhart e Nicolau de Cusa (1), o filósofo alemão renascentista envereda por uma metafísica “monista”: não há senão uma única substância ou essência – a divina -; e ademais “emanatista” ou “processionista”: como só há uma essência, os seres e mundos são “emanações” ou “processões” suas (2), portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na teologia boehmiana, Deus compreende um duplo aspecto: imanifesto e manifesto. Deus imanifesto (ou Deidade) é denominado Abismo ou Sem-Fundo (“Ungrund”) (3), Absoluto além da essencialidade, e de qualquer determinação e expressão lógico-linguística, parecendo um calmo e sereno Nada ou Não-Ser, chamado também de “primeiro temperamentum” (equilíbrio); neste Nada, há apenas a Trindade não-revelada, e um princípio de manifestação: Sofia ou a Sabedoria Divina (4). Já em seu aspecto manifesto, Deus é compreendido em três pessoas distintas, mas unas, em uma Trindade: 1) Deus Pai: Vontade original; 2) Deus Filho: Vontade original apreendida num lugar, Palavra ou Coração de Deus: 3) Deus Espírito Santo: Espírito ou Vida da Palavra apreendida. Boehme costuma comparar a Trindade ao Fogo, Luz e Éter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta (auto)manifestação divina, na dialética do Fundo e do Sem-Fundo, só atinge seu auge no Mundo de Luz, aonde a Trindade é realmente revelada, num novo nível teo-ontológico. Das Trevas sempternas, Deus “nasceu” para Si mesmo, autoconhecendo-se na processualidade dialética de Sua manifestação, tornando o em-si um para-si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-26_22_50_32-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E a Filosofia-da- Natureza (“Naturphilosophie”)? No Sem-Fundo, há não-revelado o que Boehme chama de “Mysterium Magnum”: um princípio de separação de Deus e Natureza, responsável pela diferenciação do Uno, sem que este perca sua unidade, dando sua força e virtude à multiplicidade (5). Este “Mysterium Magnum” tem sua revelação, e dele se origina o “centrum naturae” (centro da natureza), do qual deriva por sua vez a Roda da Natureza eterna. Esta Natureza eterna, da qual a natureza física é uma degradação, opera segundo uma dialética setenária, denominada “sete propriedades, espíritos ou formas naturais”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) adstringência, atração, sal, Saturno;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) amargor, expansão, Mercúrio;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) angústia, luta, enxofre, Marte;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) relâmpago, fogo, “Fiat Lux”;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e) luz suave, amor, Vênus;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;f) som, tom, Júpiter;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e g) corporalidade, tangibilidade, Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este setenário pode ser decomposto em outros dois ternários, mediados pelo fogo (d):&lt;br /&gt;Saturno, Mercúrio, Marte –atribuíveis ao Pai, Filho e Espírito Santo-; e Vênus [Marte transmudado], Júpiter [Mercúrio transmudado], Lua [Saturno, transmudado]- equivalem à revelação da Trindade no Mundo de Luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como Boehme nos pede para vermos as três pessoas da Trindade como um só ser, co-extensivo e sem sucessão, pede para vermos também as formas da Natureza sem ordem ou sucessão, e todas atuando e se combinando juntas; tal divisão é feita apenas para facilitar a nosso entendimento finito a compreensão. Em outras palavras, as sete formas equivalem a um ‘élan vital’, sem início ou fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-26_22_49_26-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Podemos agora falar propriamente da cosmologia boehmiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boehme organiza o universo em três gerações, princípios ou essências divinas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º) Mundo de Fogo, Trevas, Cólera Divina, ou Inferno: base ou raiz do Fogo, o qual é transformado em Luz, é o Inferno apenas nas criaturas e seres que se afastaram de Deus, como Lúcifer e os demônios;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2º) Mundo de Luz, Paradisíaco ou Coração de Deus: mundo das almas e anjos bons, é criado a partir do Fogo, e equivale a um “segundo temperamentum”(equilíbrio);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e 3º) Mundo terreno, externo ou extrageração: nosso mundo material, com seus astros e elementos (água, fogo, ar, terra, mais a quintessência oculta), oscila entre o primeiro e segundo princípios, até o Juizo Final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando na Trindade, podemos dizer: o primeiro princípio corresponde a Deus Pai, ie., ao Deus colérico; o segundo princípio, a Deus Filho, que suaviza a cólera do Pai, com seu Amor, fazendo dela a Luz; e o terceiro princípio, a Deus Espírito Santo, que criou este mundo, em sua matriz aquática, a partir do mundo paradisíaco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já pensando nas formas da natureza, podemos estabelecer, mas lembrando-se de que não se trata de uma divisão exata e estanque: 1. Mundo de Fogo: corresponde formas a, b, c [e d]; 2. Mundo de Luz: corresponde formas e, f, g; e 3) Mundo externo: forma d, o fogo (6).&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-26_22_38_21-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quanto às correspondências estabelecidas acima, vale destacar esta observação do próprio Boehme:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“(...) pois Deus não teve início algum. Vou no entanto expor as coisas como se Ele tivesse tido um início, a fim de que possa compreender o que Ele é no primeiro princípio e também seja possível conceber as diferença que há entre o primeiro e segundo princípios, bem como o que Deus ou o Espírito é. Na verdade, em Deus não há diferença alguma. Só quando se procura saber de onde vem o mal e o bem, deve-se saber o que é a primeira e original fonte da cólera, assim como a do amor , visto que ambos têm a mesma origem, a mesma mãe, e são uma única coisa. Estamos falando de maneira criatural...” .&lt;/em&gt; (in: “Os três princípios da essência divina”, Polar, p. 27). [7]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada ente, criatura, objeto, signo verbal manifestos no mundo visível e no invisível, traz em si a imagem da Trindade e das sete formas, e conforme seu nível de realidade, em maior ou menor grau; Deus conseqüentemente está em tudo e em todos. Mas nem todos estão em Deus...O Homem original (Adão), outrossim chamado de “príncipe angélico”, era a perfeita imagem de Deus, pois foi criado como tal, mas “manchou” esta imagem, ao cair do Paraíso.&lt;br /&gt;Este ponto da Queda adâmica é relevante, pois para compreender-se a teologia e cosmologia de Boehme, é necessário não esquecer de sua alquimia e escatologia, bem como de sua ética e psicologia, aonde se insinua um “dualismo” (mas não-substancial, diferente portanto dos gnósticos e similares).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Boehme, este mundo terreno-natural, e este homem decaído, oscilam entre o Bem e o Mal, a Luz e o Fogo, o Céu e o Inferno, numa dualidade dramática e vertiginosa. Como se originou o Mal?&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-26_22_37_15-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lúcifer (o primeiro e formoso príncipe angélico) foi criado por Deus para ser regente do “locus” deste mundo, junto ao Amor divino. Todavia, Lúcifer desviou-se da Vontade de Deus, tomado de soberba, cobiça e orgulho, e dirigiu-se para a matriz colérica do Fogo, desejando com isso usurpar o poder de Deus, e se tornar maior do que Ele; porém, ao fazê-lo, inflamou suas essências, envenenou as formas deste mundo, e caiu no Inferno da Cólera de Deus – junto com os anjos rebeldes e conspiradores-, aonde estará para sempre exilado da Luz de Deus, por seu livre ato (8). Mais tarde, com inveja de Adão (Homem), o qual foi colocado por Deus em seu antigo lugar, como novo príncipe angélico, Lúcifer ou a Serpente maligna resolveu tentar à Adão, e teve êxito neste afã, fazendo-o cair na matéria, tomado da cobiça e do amor de si mesmo que Lúcifer soprou nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aparentava sem esperança para o mundo e o Homem. No entanto, como este não tinha destruído totalmente sua imagem divina – como ocorreu com Lúcifer, inimigo de Deus, dos anjos bons e do Homem -, se apiedou dele Coração de Deus, e na geração astral criou um novo e terceiro príncipe angélico –Jesus Cristo ou o Novo Adão-, cuja missão era penetrar no mundo e na humanidade, e dar a esta uma nova possibilidade de libertação e salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus Cristo esmagou a cabeça da Serpente, subjugou o poder da Morte e do Inferno, e levará o Homem – através de uma transfiguração alquímica – de volta ao Mundo de Luz e ao Amor de Deus, após o Juízo Final, bastando somente que este imite a vida e a morte de Cristo, espiritualmente falando; já Lúcifer e seus anjos maus, assim como os homens ímpios e cegos à redenção em Cristo, viverão eternamente no Inferno, aonde se lançaram livremente e contra a Vontade de Deus. Há então em perigo para cada homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens humildes, pios, honestos, que entregaram seu coração e atos ao Coração de Deus, verão despontar a aurora e o tempo do lírio, plantado sobre o solo deste mundo; e os homens coléricos, orgulhosos, invejosos e luxuriosos, que assim corrompem e inflamam suas essências, como Lúcifer, já vivem no Inferno, sem saber disso, e aí ficarão para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="2007_05-26_22_36_00-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Falta comentar a forma mitopoética dos escritos de Boehme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os personagens, passagens, símbolos contidos nas Escrituras Sagradas ganham em Boehme um sentido metafísico-transcendental, unindo à mitologia cristã um sistema lógico-filosófico rigoroso, e fazendo da filosofia uma maravilhosa epopéia do Espírito divino. Entre metáforas belas e poderosas, Boehme salta o brado convicto e emocionado do profeta, sendo talvez o último grande filósofo a ter ao lado da ciência, o cajado de Moisés ou Davi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;NOTAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. As idéias de Boehme influenciariam mais tarde a Filosofia-da-Natureza do Romantismo alemão, em especial F. Von Baader e F. Schelling, assim como o racionalista G. Hegel.&lt;br /&gt;Cf. “A filosofia alemã”, M. Dupuy, Edições 70, p. 50 ss.; “História da filosofia”, J. Marías, Souza e Almeida, p. 468; “Contribuição para história da filosofia e da religião da Alemanha”, H. Heine, Iluminuras, p. 70; “O Esoterismo”, P. Riffard, Mandarim, p. 91, p. 622 ss.; “O homem e a natureza”, S. H. Nasr, Zahar, pp. 74-75, p. 109; “El assalto lá Rázion”, G. Lukacs, Fondo de Cultura, p. 111; “Spinoza et lê problème de l ‘ expression”, G. Delleuze, Les Éditions de Minuit, p. 14; "O ocultismo", W. Janzen, Vozes; "A poética do devaneio", G. Bachelard, Martins Fontes; "A literatura alemã", O. M. Carpeaux, s/e;" Homens .representativos", R. W. Emerson, Ediouro, pp.17, 31-32, 50-51, 59, 74, 77.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Nem sempre é simples diferenciar “monismo”, “emanatismo”, “processionismo” etc. Encontramos elementos similares a Boehme em Plotino, na dita “teologia negativa” (Pseudo-Dionísio, Eckhart, N. Cusa), e na Cabalá teosófica (“O Zohar”), contudo, Boehme  é diferente dos mesmos ao combinar um certo “dualismo” [mas não o gnóstico] com uma afirmação radical do tempo, como o fará mais tarde G. Hegel.&lt;br /&gt;Cf. “A mística judaica”, G. Scholem, Perspectiva, p. 207 ss. E p. 283; “As Enédas”, Plotino, Polar (Enéadas V 2, V 1, VI 9); “O Zohar: livro do esplendor”, A. Bension (org.), Polar; “Dicionário de Esoterismo”, P. Riffard, Teorema, verbetes: panteísmo, Deidade, Deus, Grund, Nada, emanação; “Dicionário de filosofia”, J. F.Mora, Martins Fontes, verbete: emanatismo. Artigos especializados: “A processão em Plotino”, R. A. Ulmann, Revista Brasileira de Filosofia, n 183, p. 280 ss.; “Deus presente e Deus futuro em R. M. Rilke”, R. C. Czerna, Revista Brasileira de Filosofia, n 12, p. 613 ss; "Theosophy and Antroposophy in Russia" e "Boehme and russian sophiology", N. Berdiaeff, WEB..Escrito por daniel-placido às 21h36[&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a id="p" href="javascript:abre(" postfilename="2007_05-26_22_36_00-118482692-0&amp;amp;idBlog=1957771','356','478','1');&amp;quot;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(0) Comente&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;] [&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a id="p" href="javascript:abre(" idblog="1957771&amp;amp;postFileName=2007_05-26_22_36_00-118482692-0','340','400','0');&amp;quot;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;envie esta mensagem]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; [&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a class="permalink" id="p" href="http://parzival.zip.net/arch2007-05-20_2007-05-26.html#2007_05-26_22_36_00-118482692-0"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;link&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;]&lt;br /&gt;dataPost = "";&lt;br /&gt;if (dataPost != "") {document.write("&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a name="2007_05-26_22_34_36-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;");}&lt;br /&gt;else {document.write("&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a name="2007_05-26_22_34_36-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;");&lt;br /&gt;}&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a name="2007_05-26_22_34_36-118482692-0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;3. Tomando em conta a nota 2, podemos colocar: o Sem-Fundo de Boehme corresponde aproximadamente ao Uno de Plotino, ao Deus inefável da teologia negativa, e ao “Ayn Sof aur” dos cabalistas judeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. A Sabedoria divina, ou Shechiná, ou Virgem celeste, é o véu ou espelho aonde o olho de Deus contemplou antes da manifestação as idéias e arquétipos dos seres a serem criados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Poderíamos imaginar Boehme como "panteísta", mas sua insistência em separar Deus Sem-Fundo e Natureza, no "MyteriuMagnum",  não o permite. Boehme insiste na presença de Deus no mundo e em tudo, mas sem se confundir com estes, como água e óleo podem estar presentes no mesmo lugar, sem se misturarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Tanto é possível colocar o fogo (forma d) correspondendo ao Mundo de Fogo, primeiro princípio, como exclusivamente ao Mundo terreno, terceiro princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Além da obra citada agora, estas são as outras obras básicas de Jacob Boehme consultadas por nós: "Mysterium Magnum", Tomo I, Editions Ahujourd Hui, trad. e intrudção de N. Berdiaeff; “Clavis”, Internet; “Aurora Nascente”, Paulus; “As 40 questões sobre a alma”, Polar; “A grande revelação do mistério divino”, contendo os tratados O verdadeiro arrependimento, Sobre a Contemplação divina, Mysterium pansophicum, e de A. D. Freher, Os princípios de J. Boehme, e Analogia entre Cristo e a pedra filosofial, Polar; “A sabedoria divina”, contendo biografia, um estudo de A. Mickiewickz, o tratado Sobre a vida supra-sensível, Diálogo entre uma alma renascida e uma não-renascida etc., pela Attar.&lt;br /&gt;E os estudos: “Jacob Boehme: vida e obra”, F. Hartmann, Internet; “Ciência, sentido e evolução: a cosmologia de Jacob Boehme”, de B. Nicolescu, com texto Os seis pontos teosóficos, de  Boehme, como apêndice, pela Attar; "A senda do homem celeste",  J. G. Gicthel, discípulo de Boehme, Polar; e “O conhecimento iniciático”, R. Steiner, Antroposófica. Para uma consulta sobre as cosmogonias tradicionais, Cf. "Os diferentes níveis de realidade", P. Paul, Polar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Por que Deus não pode “perdoar” Lúcifer? Primeiro, isto tiraria o valor da Justiça divina; e segundo, e sobretudo,  Deus não pode faze-lo, pois o Fogo ou Cólera é sua potência e um aspecto de Seu Ser, que só se torna Mal nas criaturas como Lúcifer, que separaram deliberadamente o Fogo da Luz, caindo no Mundo de Trevas livremente.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-9044577253667677306?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2008/11/blog-antigo-jacob-boehme-introduo.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-7994047875010952911</guid><pubDate>Mon, 10 Nov 2008 04:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-09T20:32:57.234-08:00</atom:updated><title>Blog antigo I: Antroposofia: uma introdução</title><description>Nesta e nas próximas postagens, vou aproveitar textos que escrevi no meu antigo Blog, Parzival (&lt;a href="http://parzival.zip.net/"&gt;http://parzival.zip.net/&lt;/a&gt;), e que ainda julgo aproveitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antroposofia: uma introdução – Daniel R. Placido&lt;br /&gt;(Escrito em setembro de 2005)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ao antropósofo B. T. Sixel, pelas correções e sugestões oferecidas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.O que é?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Antroposofia”, termo usado já na Renascença (H. Kunrath) e encontrado na obra de E. H. Fichte (o filho), significa, do grego, SABEDORIA DO SER HUMANO; foi criada pelo filósofo e esoterista austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), do qual falaremos mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rudolf Steiner (1861-1925)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Antroposofia, ou Ciência Espiritual Antroposófica, permite uma elaboração de uma concepção do mundo (WELTANSCHAUUNG) erigida sobre três pilares: 1º. rigor científico; 2º. a espiritualidade como fator objetivo; e 3º. a entidade do Cristo esotérico-cósmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Antroposofia propõe-se: primeiro, a reunir ciência e espiritualidade, dois pólos divorciados na âmago da civilização e alma modernas; segundo, “a levar o espírito que está no homem em direção ao Espírito cósmico”; terceiro, a ser uma mensagem universal do Cristo cósmico e, simultaneamente, correspondente a época moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutro ângulo de enfoque, podemos dizer: a Antroposofia, ou a Rosacruz moderna (S. Prokofieff), se propõe a “compreender e realizar as intenções do Cristo Vivo na Terra, sob as formas perfeitas da sabedoria (ciência), do belo (arte), e do bom (ética)”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Vida de Rudolf Steiner&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steiner nasceu em Krajelvc, atual Croácia; outrora essa cidade pertencia ao Império Austro-húngaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relativamente desfavorecido em termos materiais, filho de um modesto funcionário das estradas-de-ferro austro-húngaros, não seria demasiado fácil a Steiner realizar seus estudos básicos e superiores; ele desde cedo apresentou uma inteligência aguda e penetrante, se destacando com brilho nos estudos e revelando uma rara disposição para a ciência e a filosofia – muito criança se fascinou com a geometria, e apenas com 14 anos já lia Kant sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steiner completou seus estudos superiores na Academia Técnica de Viena. Ainda na faculdade, com meros 21 anos, foi-lhe confiada, por meio do seu professor, o eminente goetheanista, Karl Julius Schröer, a tarefa de editar os escritos científico-naturais de Goethe, autor ao qual se dedicava desde os 18 anos e cujo impacto foi profundo, decisivo e duradouro sobre a fisionomia espiritual e intelectual de Steiner; nessa época, com efeito, poderíamos concebê-lo como um ardoroso “goetheano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos mais tarde, Steiner vem a integrar o prestigiado grupo de comentaristas e estudiosos goetheanos, no Arquivo Goethe-Schiller, em Weimar; nesse círculo conhece e freqüenta muitas personalidades do mundo filosófico, científico e artístico alemão da época. Do período aqui aludido, data outrossim o doutoramento de Steiner em filosofia, cuja tese defendida sai um ano mais tarde sob o título de “Verdade e Ciência”, livro de considerações epistemológicas; adiante, Steiner publica seu livro “A Filosofia da Liberdade”, obra capital demarcando sua maturidade e autonomia  intelectuais. Por esta época casa-se com Anna, viúva Eunicke – anos depois, já falecida Anna, Steiner se casa pela segunda vez, agora com Marie von Sivers.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando-se subseqüentemente para Berlim, Steiner é aí co-editor de um relevante periódico literário; conferencista solicitado; docente em uma escola para operários, etc. Em Berlim, sendo este o acontecimento biográfico mais importante dessa fase de sua vida, Steiner é introduzido no círculo da Teosofia, aonde lhe é possível expor a Antroposofia, ainda em etapa embrionária. Decorrente do êxito das suas conferências e idéias, Steiner integra e preside a recém-criada Sociedade Teosófica na Alemanha. No âmbito da Teosofia, Steiner desenvolve intensa atividade: realiza inúmeras palestras e ciclos de conferências pela Europa, divulgando a sua Antroposofia; publica os livros antroposóficos básicos – “Teosofia”, “A iniciação”, “A ciência oculta” - ; dirige representações artísticas, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1912-1913, um conflito interno leva Steiner a deixar a Sociedade Teosófica; veio a lume as divergências entre a Antroposofia, enfática quanto a entidade cósmica do Cristo e a ciência, portanto ocidental, e o teosofismo, baseado em um orientalismo eclético e em métodos de trabalho não-científicos. Fora da ST, Steiner funda, junto aos colaboradores e discípulos mais assíduos, a primeira Sociedade Antroposófica; aí continua e alarga as tarefas de conferencista, escritor, artista, etc; é criado um movimento antroposófico de escala geral internacional. Para ser o edifício-sede da SA Steiner e colaboradores projetam, em Dornach-Suíça, o primeiro “Goetheanum”, em estilo arquitetônico inovador, sendo uma inconfundível homenagem e tributo a Goethe; esse edifício é destruído em 1923, por um incêndio criminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os últimos anos de vida de Steiner evidenciam um tensão dolorosa entre dificuldades consideráveis e êxitos surpreendentes. Há o desgosto terrível de ver o “Goetheanum”, trabalho de muitos e irrecuperáveis anos, ardendo em chamas; a manifestação de problemas internos no movimento antroposófico; as hostilidades externas - Steiner chega a sofrer um atentado - ; e, enfim, a doença sobrevindo. Em contrapartida, Steiner desenvolve uma atividade infindável e prodigiosa; cria algumas das derivações práticas da Antroposofia; refunda a Sociedade Antroposófica, reformulada e agora acrescida do nome “Geral” (1923); projeta o segundo “Gotheanum”, a ser acabado após sua morte, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steiner morre em 1925, em Dornach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. A obra de Rudolf Steiner&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra completa de Steiner (GA), traduzida para vários idiomas e conhecida no mundo todo, consiste em mais de 300 volumes, parcela dos quais sendo o resultado da transcrição de cerca de 6000 conferências feitas por Steiner em vida; não tão-somente a quantidade, mas a originalidade, exatidão, amplitude e rigor desta obra são impressionantes, abarcando praticamente todos os campos do conhecimento e da atividade humanas, de Buda à medicina.&lt;br /&gt;Uma isenta análise da extensão, profundidade e vigor da obra de Steiner é o suficiente para enquadrá-lo no rol dos grandes pensadores de todos os tempos, e reconhecer a Antroposofia como uma das grandes criações do espírito humano, e fazer de Steiner uma espécie de Platão ou Aristóteles em nossa tempo. Isso contrasta face o escasso reconhecimento dado a Steiner por parte dos filósofos e cientistas “oficiais”, os quais, amiúde, se dão ao luxo de descartá-lo sem mais nem menos, quando muito taxando-o de “místico visionário”. Ora, Steiner foi antes de tudo e sempre, UM HOMEM DE CIÊNCIA, como tal pensando, escrevendo e falando, e tal é, justamente, a razão de sua obra merecer o crédito de inumeráveis pessoas no mundo inteiro, muitas das quais destacadas e respeitadas em suas respectivas áreas de atuação – cientistas, artistas, filósofos, etc. Reconhecimento? Talvez este venha algum dia; mas Steiner não esperava-o, sendo para ele infinitamente mais importante a difusão e a prática da Antroposofia, em sua busca de espiritualizar o Homem e a Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Práticas antroposóficas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes são alguns impulsos prático-espirituais nascidos da obra de Steiner; eles estão semeados, espalhados e reconhecidos mundo afora, levando a Antroposofia ao âmbito social:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-eurritimia, nova arte do movimento, também aplicada pedagógica e terapeuticamente;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-pedagogia curativa: empregada no tratamento de crianças com deficiências mentais;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-pedagogia Waldorf: famoso modelo de educação humanística;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-medicina antroposófica: ampliação da medicina tradicional;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-tri-membração do organismo social: proposta de autonomia entre as&lt;br /&gt;esferas espiritual, estatal jurídica e econômica na sociedade;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-agricultura biodinâmica: a agricultura como uma atividade viva e integradora espiritualmente do homem e a natureza;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-comunidade de cristãos: movimento religioso difundida no mundo inteiro, nascido fora do contexto antroposófico propriamente dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros: farmacologia Weleda, arquitetura antroposófica, dicção etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Antroposofia e seus atributos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo por alto, estes são os atributos da Antroposofia, logo abaixo, a qual está sob a orientação da Sociedade Antroposófica, com sucursais e membros em diversos países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Antroposofia é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) abrangente;&lt;br /&gt;b) conceitual;&lt;br /&gt;c) espiritual;&lt;br /&gt;d) antropocêntrica;&lt;br /&gt;e) tem com essencial o desenvolvimento espiritual;&lt;br /&gt;f) tem com essencial o desenvolvimento da consciência, autoconsciência, individualidade e liberdade;&lt;br /&gt;g) pública e aberta;&lt;br /&gt;h) embasada na evolução histórica,&lt;br /&gt;i) renovadora da pesquisa científica;&lt;br /&gt;j) tem com essencial a liberdade como verdadeiro alvo do desenvolvimento moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. A Antroposofia NÃO é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a)misticismo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) religião;&lt;br /&gt;c) não emprega mediunismo;&lt;br /&gt;d) sexista, racista, nacionalista, etnicista, classista;&lt;br /&gt;e) moralista;&lt;br /&gt;f) dogmática;&lt;br /&gt;g) seita nem “secreta”;&lt;br /&gt;h) sociedade fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Pensamento de Steiner: de Goethe à Antroposofia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steiner foi, antes de mais nada, o mais profícuo, brilhante e original intérprete de Goethe, não se restringindo apenas a glosá-lo, e sim organizando e complementando seu pensamento; Goethe, além de grande poeta, era filósofo e cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contributo de Steiner em relação a Goethe pode ser resumido, grosso modo, nisto:&lt;br /&gt;a) demonstrar que a obra científica de Goethe, longe de se reduzir a descobertas e intuições isoladas - como o achado do osso intermaxilar e a criação da doutrina das cores -, ou , como queriam uns e outros, a um reles DILETANTISMO nebuloso, é, ao contrário, empresa da mais alta envergadura científica, produto de uma mente poderosa, criador de um novo método cientifico, constituindo uma revolução nas ciências naturais e um contraponto ao materialismo nessas instalado;&lt;br /&gt;b) b) Goethe, pela amplidão e universalidade de seu espírito, é o modelo do sábio esoterista: aquele que sabe o segredo de estabelecer o não-saber antes de qualquer juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra o mecanicismo e o fisicalismo nas ciências naturais, Goethe postulava ser necessário pensar o mundo orgânico tal como deve ser, ou seja, ORGANICAMENTE, por conseguinte, de forma irredutível à lógica mecânica de decompor/justapor o todo e suas partes, igual se pensava o mundo inorgânico; complementando essas proposições sobre a vida, epistemologicamente Goethe propunha combinar pesquisa empírica e idealismo objetivo, entender o pensar como ÓRGÂO DE PERCEPÇÂO de idéias e conceitos, o “tipo” como estruturador ideativo da espécie, e assim por diante.&lt;br /&gt;Ao resgatar Goethe, Steiner tinha um objetivo claro: combater o materialismo e o positivismo reinantes tanto na Alemanha como no mundo filosófico-científico europeu e extra-europeu do segundo quartel do séc. 19; de um lado, somente Goethe parecia insuficiente para fazê-lo e, do outro, a reação neo-kantina parecia anacrônica e presa ao próprio positivismo. O que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um ponto aonde o próprio Goethe não tinha deveras progredido em suas reflexões; qual? Goethe dominava e aplicava o seu método cientifico, mas não havia desenvolvido-o cientificamente Ele tinha uma aversão do “pensar sobre pensar”(autofundação reflexiva em Fichte). Nesse ponto Steiner enxergou um caminho fecundo e inexplorado para salvar a ciência da infecção materialista e, também, demarcou sua fronteira de “goetheano” para pensador autônomo; isso levaria-o da ciência natural ao problema do conhecimento e à epistemologia, retornando a Kant, e à ética fichteana, doutrina científica da liberdade, e daí para outros caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando o próprio pensar, Steiner reconhece que o pensar sem dúvida é ativo, sua atividade porém não é a da simples REPRESENTAÇÂO idealista, e sim a de PERCEBER A ATIVIDADE das idéias e conceitos, cuja existência é subjetiva-objetiva, real e independente do homem e de sua faculdade representativa; em outras palavras, a consciência pensante é o “palco” onde se apresentam as essências, em si e por si mesmas. Ainda muito jovem Steiner já vislumbrara essa via nova, quando reformulou a Doutrina-da-ciência de Fichte (pai), completando “O Eu põe o Eu”:para “O Eu põe a cognição”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superando tanto o antigo dualismo platônico quanto a (nova) dualidade kantiana – “coisa-em-si” e “coisa-para-mim”, “razão pura” e “razão prática” -, Steiner encontraria no pensar uma ponte assaz firme como elo entre o mundo espiritual das idéias e o mundo evidente aos sentidos exteriores, conformando uma unidade indissociável - vale dizer, entre o mundo do pensar e o mundo da experiência, o "eu”(Eu) e o mundo exterior dos sentidos. E mais. estabeleceria o sentido preciso da liberdade humana, sufocada nas abstrações materialistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Eu” dotado de autonomia e autoconsciência, concentrado sobre o próprio pensar, insubmisso a qualquer autoridade externa e maduro em sua cognição é fundamentalmente LIVRE, por ser capaz de determinar as leis de seu agir e querer, para além de quaisquer determinismo e teleologismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessas teses e idéias seria extraída a base filosófico-científica da Antroposofia/Ciência Espiritual, ainda que daquelas não se possa deduzir logicamente esta; aqui apenas aludiremos ao percurso da filosofia à Antroposofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o espírito contemplante observa na Idéia universal um conceito, por exemplo, o de “círculo”, o qual se vê com os olhos desenhado em uma lousa, compreendemos o seguinte: o conceito não é causado nem derivado da experiência evidente aos sentidos exteriores – contrariando o empirista -, e tampouco se trata de uma representação subjetiva; percebe-se através do pensar o CONCEITO do círculo, o qual não pode advir da experiência comum, isto é.dos dados evidentes aos sentidos exteriores – mas sim do pensar que concebe em experiência superior que todos os pontos da linha curva são eqüidistantes de um ponto central obtendo o conceito, a lei de um círculo perfeito, que como tal é universal, mas no ato da concepção é individualizado e torna-se representação da alma, isto é subjetivo. Diferenciar representação e conceito e um feito absolutamente novo de Rudolf Steiner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Steiner, o pensamento objetivo, autoeducado e exato, VIVENCIADO COM A FORÇA DA ALMA, conduz ao mundo das essências espirituais, isto é, ao mundo espiritual. Esse mundo, “visto” pelo clarividente como uma realidade inegável, pode ser apreendido metodicamente, em analogia ao mundo natural; muda-se o “objeto” de conhecimento e o método, entretanto não o estatuto de ciência; o mundo espiritual, ao qual o homem pertence por seus pensamentos e espírito, constituídos da mesma “substância”, é tão factível (na verdade mais) de ser conhecido quanto o natural, conquanto sob os parâmetros de uma ciência espiritual. O que é necessário para tanto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conjugando a metodologia científico-espiritual ao desenvolvimento sadio da clarividência – quer dizer, dos ÓRGÃOS SUPRA-SENSÌVEIS DE PERCEPÇÃO, análogos aos dos sentidos físico-exteriores -, o homem pode adentrar diretamente no mundo ideativo dos arquétipos, absolutamente certo de não estar sofrendo visões, alucinações, autosugestão, devaneio etc., podendo, então, em linguagem adequada, comunicar a toda inteligência humana o que objetiva e verdadeiramente ali se passa, como um autêntico PESQUISADOR ESPIRITUAL, analogamente ao naturalista, o qual, pelo treinamento árduo da observação e do pensamento, expõe ao leigo em ciência naturais as leis, características e pormenores da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel R. Placido&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Bibliografia Básica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rudolf Steiner, Johannes Hemleben, Antroposófica&lt;br /&gt;Antroposofia, ciência espiritual moderna, Rudolf Lanz, Antroposófica&lt;br /&gt;Passeios através da história á luz da Antroposofia, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra científica de Goethe, Rudolf Steiner, Antroposófica&lt;br /&gt;Teosofia, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;Verdade e ciência, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;A filosofia da liberdade, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;A ciência oculta, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evangelhos de Lucas; Evangelho de Mateus: Evangelho de Marcos; Evangelho de João, idem, Antropsófica&lt;br /&gt;O Quinto Evangelho, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristianismo como fato místico, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se adquire o conhecimento dos mundo superiores, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento iniciático, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fisiologia oculta, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como superar as carências da alma em nossa época, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação da criança segundo a Ciência Espiritual, idem,Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eterização do sangue: intervenção do Cristo etérico, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como atua o anjo em nosso corpo astral, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espiritual condução do homem e da humanidade, idem, trad e ed. F. Muller&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Theoosophia Rosicruciana, idem, Epidauro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Select Works R. Steiner: Rosicrucianism, A. Welburn (org.), Floris Books&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esoterismo, Pierre A. Riffard, Mandarim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historia da filosofia, Julían Marías, Souza e Almeida&lt;br /&gt;Autofundamentação reflexiva em Fichte, apud, Para além da fragmentação, M. A. de Oliveira, Loyola&lt;br /&gt;Fichte/ Kant/Schelling. Obras escolhidas, Abril cultural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigos:&lt;br /&gt;Antroposofia, um caminho difícil, Rudolf Lanz, Planeta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rudolf Steiner: o grande iniciado, J. Begier e E. Schumberg, Planeta&lt;br /&gt;80 anos de agricultura biodinâmica, Bernardo T. Sixel, Revista ABAB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Theosophy and Antroposohy in Russia, N. Berdiaeff, WEB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sites:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Página da Tropis, ONG idealizada por Ralf Rickli:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.tropis.org/biblioteca .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Sobre a teoria do conhecimento de Rudolf Steiner", este texto de Marcelo da Veiga Greul (Federal de Santa Catarina):&lt;br /&gt;http://www.bairrodemetria.com.br/antroposofia/antroposofia.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Antroposofia, ciência e religião", este texto de Waldemar Setzer (USP):&lt;br /&gt;http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/carta-Reale-religiosidade.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Crítica de Paulo Mota (UFMG)&lt;br /&gt;http://www.artnet.com.br/pmotta/textos_filosteiner.htm&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sites antroposóficos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.elib.com/steiner&lt;br /&gt;www.sab.org.br&lt;br /&gt;http://www.rudolf-steiner.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Defesa de Steiner, contra boatos e acusações falsas e absurdas, circulando na Internet, que ligam Steiner a Hitler, a OTO, à Sociedade Thule, ao racismo, etc.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.defendingsteiner.com/index.php &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-7994047875010952911?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2008/11/blog-antigo-i-antroposofia-uma-introduo.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-1875122473293281862</guid><pubDate>Sun, 24 Aug 2008 07:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-19T00:39:39.635-07:00</atom:updated><title>Bibliografia básica sobre Esoterismo</title><description>&lt;strong&gt;Sujeito a revisões, alterações, ampliações, etc. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elaborei uma bibliografia bem básica, na maior parte em português, sobre o assunto, seguida de curtíssimas resenhas a respeito; boa &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;parte destas obras li e reli&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;, além de anotar, &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;e por isso, indico com plena convicção. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estou fornecendo os dados bibliográficos mais básicos, ie, título/autor/editora, às vezes com a coleção; não achei necessário dar o fichamento bibliogr&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;áfico completo, ao menos por ora. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Daniel R. Placido)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;BIBLIOGRAFIA BÁSICA SOBRE&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; ESOTERISMO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A-Introdução geral:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Os mistérios ilustrados, F. X. King, Publifolha, 2 volumes&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É estudioso inglês da Magia o autor; vale pelas ilustrações, independentemente de imprecisões conceituais, sobre catarismo, Rosacruz, alquimia, fênomenos paranormais, mitos populares, etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Esoterismo, Pierre A. Riffard, Mandarim&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Monumental, obra com mais de 800 páginas, do Dr. P. Riffard (Sorbonne), é um texto básico sobre Esoterologia moderna (estudo academico do Esoterismo).A primeira parte aborda os temas, as correntes esotéricas, os invariantes, os tipos, a idéia de Esoterismo, os métodos, etc. A segunda é uma antologia do E Ocidental, dos mistérios gregos à R. Guénon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Dicionário de Esoterismo, idem, Teorema [Lisboa]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dicionário riquissimo de P. Riffard, interessa a meu ver tanto ao esotérico, quanto ao filósofo e estudioso da religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;O Esoterismo, Antoine Faivre, Papirus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro grande estudioso academico do Esoterismo, Prof. de Esoterismo cristão da Sorbonne, A. Faivre não tem a visão universalista de P. Riffard, e pensa o esoterismo-mais desligado aqui da religião- como restrito ao Ocidente, e mesmo, ao Renascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Esoterismo da Bíblia, António de Macedo, Esquilo (Lisboa).&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Aplica inovadora (e polemicamente) a Esoterologia aos estudos bíblicos (lato sensu).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;-Dictionary Gnosis and Hermeticism, Wouter Hanegraaf et al. (org.), [editora]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dicionário monumental, com mais de mil páginas e centenas de verbetes, elaborados por renomados especialistas (A. Favire, J. P. Brach, M. Introvigne, etc.) é obra de referência e consulta em Esoterologia, versando sobre alquimia, hermetismo, gnose, sufismo, perenialismo, teosofia etc. Agradeço a Adelmo Avancini, que me possibilitou o acessa a esta obra indispensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;B- Ciências e artes 'ocultas'&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A Magia, F. X. King, Edições del Padro, coleção Mitos, Deuses e Mistérios&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Todos os volumes desta coleção são um tesouro de ilustrações, e o texto é bom, como introdução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Magía, brujería e supersticion in Medievo, Franco Cardine, Edições Europa-àsia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudo academico do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Dogma e Ritual de Alta Magia, Éliphas Levi, Pensamento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Classico' ocultista, a despeito de confusões... Fundamental para o ocultismo inglês e frances.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Alquimia e misticismo, Alexander Roob, Taschen&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdadeiro tesouro de ilustrações e gravburas, dos antigos à W. Blake,passando pelos medievais, Boehme, rosacruzes, etc. Os textos de introdução e apoio são bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Alquimia, Stanilas Klossowski de Rola, Edições del prado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver coleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A revelação do grande mistério divino, Jacob Boehme, Polar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve coletanea, com 3 textos de Boehme, sobre alquimia e Naturphilosophie, além de e textos introdutórios de seu discipulo, A. D. Freher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;O Mistério das Catedrais, Fulcanelli [? quem será esse cara?], Edições 70 (Lisboa)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em nossa época, um misterioso iniciado propõe uma restauração da 'alquimia tradicional'. Estuda o simbolismo alquimico subjacente às grandes catedrais francesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Astros e símbolos, Olavo de Carvalho, Nova Stella&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaia uma astrologia tradicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Astrologia e religião, idem, Nova Stella &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O mundo da astrologia: um estudo antropológico, Luis Rodolfo Vilhena, Zahar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudo academico, leva em conta Guénon e Olavo, e o problema de uma 'astrologia tradicional'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Bruno e a tradição hermética, Frances A. Yates, Pensamento/Cultrix&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Academico, levanta sobre o influxo do platonismo alexandrino, do hermetismo e da Cabalá até o Renascimento, e deste, em Bruno, defendendo-o como um hermetista.Um pouco anódino, mas valioso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;C- Cabalá [ou Kaballah]&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O judaísmo, Brian Lancaster, Ediouro&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Manual. Meio anticristão, mas interessante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;A Cabala, Shimon Halevi, Edições del Prado&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Introdução, escrita por um cabalista mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-As grandes correntes da mística judaica, Gersom Scholem, Perspectiva&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo academico. Inova na tese de uma Gnose 'judaica'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Zohar: o livro do Esplendor, Polar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande texto da tradição judaica.Sua autoria é atribuída a Moses de Leon (alguns). Trata-se aqui de uma seleção do Zohar -que é uma enciclopédia em pseudo-aramaico, no original- feita por A. Bension.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;D- Gnosticismo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Gnostic Truth and Christin heresy: a study in the history of gnosticism, Alaister B. Logan, Hendrickson Publishers&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo academico denso, dá uma luz na complexidade do assunto, e o resume muito das atuais discussões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-The Gnostic gospels, Elaine Pagels, Penguim Books&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manual, a autora é importante estudiosa atual do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;En quête de la Gnose, Henri-Charles Puech, Galimmard, coleção&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vários volumes, organizado por um dos maiores especialistas do assunto no sec. 20. Fala não só da gnose e dos estudos atuais, mas de Plotino, Padres Orientais, Maniqueísmo, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Nova História da Igreja, (Cardeal) Jean Daniélou e Henri Marrou, &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Vozes, volume 1&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aborda num capítulo especifico o gnosticismo, e inclusive, contesta a visão muito comum, vinda de I. de Lyon e outros, de que o gnosticismo seria propriamente 'helenizante'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Cristianismo, as origens: fronteiras entre os mistérios pagãos e mistérios cristãos, Andrew Welburn, Best-Seller&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Salvo engano, este livro anda esgotado, mas dá pra achar em sebos.Erudito sem ser chato, o autor é Prof. de Oxford, especialista em essenismo, gnose e maniqueísmo. Defende o cristianismo como sintese superior dos mistérios antigos, e padrão de novos mistérios. Influência de Steiner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Mani, the angel and the column of glory, idem, Florisbooks&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo autor, uma antologia preciosa sobre maniqueísmo, esoterismo de linha gnóstica e oriental, que só começa a ser melhor compreendido com os estudos atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;A Nova Ciência da Política, Eric Voegelin, Universidade de Brasília&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Muitos já conhecem. Só friso que, de minha parte, nem este texto, nem outros do autor (e nem os escritos de Olavo de Carvalho), me convenceram AINDA de qualquer tipo de relação entre gnosticismo e modernismo, etc. A parte mesma sobre a renovação da ciencia política e da filosofia da historia, me pareceu bem mais frutífera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;The spirit in man, art and literature, Carl C. Jung, Ark Paperbacks&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coletânea de escritos de Jung, traz materiais interessantes sobre gnosticismo, alquima, Boehme, arte etc.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E- Rosacruz e Rosacrucianismo:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A Bíblia Rosacruz, Bernard Gorceix, Pensamento&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Acho que anda esgotado este título...Estudo histórico e meio cétio. Traz comentários e estudo introdutório, e os tres manifestos rosacruzes básicos: Fama Fraternitatis, Confessio Fraternitatis, e Nupcías alquímicas de C. Rosenkreutz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;La meta secreta dos rosacruzes, Jean-Pierre Bayard, Robin Books&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor é grande estudioso das sociedades secretas. Neste estudo, rico em ilustraçóes, aborda o assunto num viés mais esotérico, ainda que não completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Rosacrucianismo sem véus, Mauro Reli, AT Editores&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misto de biografia e manual, o autor, M. Reli, conta de sua decepção com varios grupos ocultistas e rosacrucianos porque passou, e faz críticas duras aos mesmos, enquanto oferece ao leitor um manual de introdução sobre o assunto- Rosacruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Alqumia dos Rosacruzes e outros ensaios, António de Macedo, WEB&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensaios e artigos esparsos do autor, sobre Rosacruz, Gnose, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-The Rosacrucian Enlightenement, Frances A. Yates, Routledge&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Classico estudo historiográfico, e inteiramente cético-reduz os rosacruzes a um golpe publicitário, para mascarar intenções políticas de luteranos alemães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Os mistérios, J. Goethe, WEB (bilingue)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema em prosa de juventude, Goethe se revela aqui rosacruciano. Na maturidade, voltará ao tema ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-La educacíon del género humano, G. E. Lessing, Obras filosoficas y teológicas escolhidas, lembro só do tradutor: Agustin A. Rodrigo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequeno texto pedagógico do maçon Lessing, para alguns revela influência rosacruciana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;F- Teosofia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Aurora Nascente, Jacob Boehme, Paulus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira obra do 'filósofo teutônico', expressa sua teologia, cosmologia, ética e alquimia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-As quarenta questões sobre a alma, Idem, Polar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boehme responde 40 questões sobre a alma humana, propostas por um hermetista amigo. É a psicologia de Boehme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Os tres princípios da essência divina, idem, Polar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A reflexão boehmiana sobre a Trindade, nos leva ao Fundo e ao Sem-fundo, aos mundos divino, infernal e terreno, a luta dialético-cósmica (não maniqueísta) entre o Bem e o Mal, a encarnação de Cristo ou o Coração de Deus, os perigos da Cólera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Mysterium Magnum, Jacob Boehme, Ed. Aujourd Hui, 4 tomos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em uma de suas ultimas obras, Boehme comenta monumentalmente o Genesis, versiculo a versiculo, formulando umas das teogonicas e cosmogonias mais complexas que a cristandade já produziu...A tradução e introdução é de Nicholas Berdiaeff. Com este, concordo: a Teosofia de Jacob Boehme é MODERNA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A Sabedoria divina, idem, Attar.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Coletanea, com textos de e sobre Boehme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A senda do homem celeste, J. G. Gicthel, Polar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discípulo e editor de Boehme, fala da senda para Deus, e os combates contra a Cólera e o Inferno, neste mundo passageiro, e sobretudo, dentro do Homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Swedenborg: um servo do Senhor Jesus Cristo, G. Tobridge, Nova Igreja&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Biografia básica sobre a Swedenborg, teólogo, cientista e místico visionário, que influenciou o Romantismo e o Simbolismo na literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Arcanos celestes, Emanuel Swedernborg, Nova Igreja, vol. 1&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta, Swedenborg expõe sua teoria sobre o carater simbólico da Biblia e de toda natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Céu, suas maravilhas e o Inferno, idem, Nova Igreja&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ética de Swedenborg e o destino post-mortem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Swedenborg: a continuuing vision, Swedenborg Foudation.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Encicloplédia ilustrada, tudo sobre a vida e a obra de Swedenborg, além de artigos sobre sua influencia na literatura, na psicologia, na cosmologia, suas relações com o sufismo e o gnosticismo, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;G -Maçonaria, Templários e Graal:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Chaves da Maçonaria, F. Tourret, Jorge Zahar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudo histórico-sociológico, deixa em aberto a questão do ‘esoterismo’ maçônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A maçonaria, Wiiliam Kirk Macnult, Edições del Prado&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Razoável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A maçonaria, Fernando Pessoa, Princípio&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dois artigos de F. Pessoa. Num deles defende a maçonaria de sua proibição em Portugual, em certo momento, alegando ainda que isto não teria efeito real, etc. No segundo, defende uma influencia gnóstica e cabalística sobre a Maçonaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Os templários e o Graal, Karen D. Ralls, Record&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo histórico, a autora discute certas especulações atuais, como a teoria da Linhagem Sagrada, do Graal como um tesouro perdido, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Graal, Edições del Prado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembro o autor, mas é da mesma coleção que já indiquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Perceval ou o Romance do Graal, Ch. De Troyes, Martins Fontes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romance, celebre versão medieval da legenda do Graal, conta as peripécias do cavaleiro Perceval para encontrar o Graal, tal como o cristão busca misticamente por Cristo. Inacabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Parsifal, Wolfram Eschenbach, Antroposófica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão alemã do poema, mais completa e longa do que a francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Os caminhos do Graal, Patrick Rivière, Ibrasa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudo de que aborda as varias vertentes das concepções esotéricas sobre o Graal, ie, Guénon, cátaros,Otto Hahn, etc.A tradução tem alguns problemas...Mas ‘passa’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Mistério do Graal, Julis Evola, Pensamento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudo do tema, pelo lado hermético e tradicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Rei de Ferro, Maurice Druon, Nova Cultural&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romance histórico, alude sobre os bastidores da destruição dos templários por Felipe IV e Cia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;H- Tradicionalismo[Outras obras básicas de Guénon e tradicionalistas, disponíveis em espanhol: &lt;a href="http://www.euskalnet.net/graal/index2.htm"&gt;http://www.euskalnet.net/graal/index2.htm&lt;/a&gt; ]&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Sabedoria tradicional e superstições modernas, Martin Lings, Polar.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O autor crítica, pelo viés da ‘sabedoria tradicional’ ou Filosofia perene, o que considera unilaterismos e aspectos desequilibrados da visão de mundo moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;A inteligência da fé: cristianismo, judaísmo e islamismo, Mateus Soares de Azevedo, Nova era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Compêndio sobre o estudo das religiões abrâamicas, sob a perspectiva da Filosofia Perene defendida, entre outros, por R. Guénon e F. Schuon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A Metafísica Oriental, René Guénon, Speculum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta rara tradução comentada de M. Veber, temos um dos textos básicos de Guénon, de uma breve e polêmica palestra feita na Sorbonne, em que R. Guénon fala da perene atualidade da metafísica, dos princípios metafísicos, da gnose e do conhecimento intelectual, da iniciação, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A Grande Tríade, idem, Pensamento.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudo do autor sobre a grande tríade, no taoísmo (e em parte em outras tradições); traz dados sobre o hermetismo também e a questão dos mistérios menores (homem transcendente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Symbolos fundamentales da ciencia sagrada, idem, Paidós-Orientalia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas das grande obras de Guénon, este estuda aqui-com clareza e rigor inigualáveis- os símbolos sagrados vários, presentes nas diversas tradições particulares, que por sua vez, são formas espaço-temporais da Tradição intemporal, como Graal, Rosacruz, Vaso, Coração, Centro do Mundo, etc.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;-A Crise do mundo moderno, idem, Vega (Portugual)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta obra clássica e que se tornou bastante lida nos meios intelectuais, Guénon expõe a crítica ou "desconstrução" dos diversos aspectos da modernidade - materialismo, espiritualismo, dessacralização, perda de autoridade e hierarquia etc.-, a qual coincide, segundo o autor, com a Kali-Yuga ou Idade Sombria prevista pelas tradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O homem e a natureza, Seyyed Hossein Nasr, Jorge Zahar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo da filosofias-da-natureza, pelo viés orientalista do autor (um acadêmico de porte nos EUA), desde a antiguidade até o mundo moderno, perpassando por vários problemas e questões correlatas, como: as características da ciência moderna, a perda de uma filosofia da natureza pelo pensamento ocidental, o desequilíbrio da relação entre natureza e homem no mundo moderno,&lt;br /&gt;etc.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I- Oriente [para começar]:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;A Gnosis chinesa, Jan Van Rijckenborg e Cathorose de Petri, Rosacruz Aúrea&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os autores comentam parte a parte o Tao te King, atribuído a Lao-Tsé; comentam pelo ponto de vista gnóstico e catáro-associação que julgo pertinente e singular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Tao te Ching, Wu Jy Cherng, Maaud.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução feita pelo sacerdote taoísta W. J. Cherng, da Sociedade Brasileira de Taoísmo (edição de bolso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- O maior perigo do Islã: não conhece-lo, José Tadeu Arantes, Mostarda.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Introdução suscinta mas cuidadosa, ao islamismo, incluindo seus aspectos místico-esotéricos (como o sufismo. Procura criticar uma série de preconceitos e lugar-comuns correntes sobre o Islã hoje, como se fosse pura e simplesmente uma religião de bárbaros, fanáticos e terroristas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Os sufis, Idries Shah, Círculo do Livro&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Autor contestado, até por ex-seguidores e ex-entusiastas, recomendo esta obra -não obstante- pelas referências bibliográficas e material citados na mesma, mais do que pela exposição e concepção do autor em cima deste material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Introdução ao zen-budismo, D. T. Suzuki, Jorge Zahar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor é provavelmente o maior e mais conceituado divulgador do zen-budismo no Ocidente. O prefácio é de Carl Jung.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A arte cavaleiresca do arqueiro zen, Eugen Herrigel, Pensamento-Cultrix&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O autor, filósofo europeu, relata sua experiência espiritual, , ao ir até o Oriente aprender a enigmática (para um ocidental) arte zen do arco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O zen e nós, Karlfried G. Durckheim, Pensamento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor, discípulo de D. T. Suzuki, procura aproximar o zen do Ocidente, não tomando o zenismo como algo espifica e estritamente oriental, sem por isso tentar fazer uma "adaptação" superficial e que desnature os pontos básicos do zen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Minha Fé, Herman Hesse, Record&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor dispensa apresentações. Nesta obra, há uma coletânea rica de pensamentos e meditações do mesmo, sobre as religiões e filosofias diversas em que fundamenta sua visão de mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A Filosofia perene, Aldous Huxley, Civilização brasileira&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Huxley defende que por trás das diversras religiões, filosofias e concepções místicas e esotéricas, existe uma Filosofia Perene. Não tem o rigor formalista, terminológico e ortodoxo de René Guénon. Rico em citações e referências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Introducíon general ao estudío de las doutrinas hindus, René Guénon, WEB &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor já foi recomendado em outra seção. Sua obra fundamental, e que contém em potências todas as posteriores, de certo modo. Neste estudo, crítica o que considera incompreensões dos ocidentais, mesmo os chamados especialistas, sobre o Oriente, seu pensamento e mentalidade, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;-Mitos hindus e budistas, Irmã Nivedita e A. K. Coomaraswamy, Landy&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmã Nivedita, expositora fiel do mundo hindu ao Ocidente moderno, com o auxílio do eminente indólogo Coomaraswamy, expõe aqui, de modo adaptado, pérolas da mitologia e literatura hinduísta (Ramayana, Bavagad-Gita, Vedas etc.) e budista, em seu valor deveras universal, com âpendices e introduções pertinentes, para auxiliar o leitor que ainda está desbravando o mundo hindu e oriental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Autobiografia de um Yogue, Paramansa Yogananda, Ed. Lótus do Saber&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autobiografia do yogue e escritor Yogananda, que se tornou conhecido e popular no Ocidente. Biografia que se por um lado parece cheia de mistérios e fatos extraordinários, revelados com grande franqueza e honestidade, por outro justamente foram escritos não com o intuito de chocar, mas de tentar chamar a atenção dos ocidentais -que parecem espiritualmente cegos- sobre coisas que para os orientais e yogues são fatos comuns e corriqueiros, sobre as relações entre o humano e o divino, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;J- Literatura e Esoterismo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O asno de Ouro, Apuleio, Ediouro&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Clássico da literatura e esoterismo latinos. Neste romance o autor narra simbólica e comicamente como um asno conseguiu se iniciar nos mistérios de Ìsis, após muitas peripécias e desventuras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A Cidade do Sol, Thomaso Campanella, In: Os Pensadores (volume Bruno, Galileu, Campanella), Abril Cultural&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para muitos, esta utopia do filósofo italiano, remete aos misteriosos Rosacruzes, e sua concepção sobre a Cidade Solar (Jerusalém Celeste)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;A nova Atlântida, Francis Bacon, In: Os Pensadores (volume F. Bacon), Abril Cultural&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alguns, esta obra e o autor teriam recebido o influxo rosacruciano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Fausto I, J. Goethe, trad. Kablin Segall [editora, não lembrei ainda]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parábola alquímico-hermética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O matrimônio do Céu e do Inferno, William Blake, Iluminuras&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blake, poeta e visionário, é mistura de conservadorismo romântico e revolução, piedade e sarcasmo, reverência e heresia... Boehme e Swedenborg são influências nítidas, e às vezes, parodiadas sem nenhum receio por Blake. Este recusa o dualismo entre Bem e Mal, Ceu e Inferno, Deus e o Diabo, corpo e alma, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-As Flores do Mal, Charles Baudelaire, Martin Claret [tradução economicamente viável]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um esotérico, mas não um esoterista ‘profissional’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Seráfita, Honoré de Balzac, In; Comédia Humana, Tomo 17, Nova Fronteira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Balzac aqui revela sua faceta swedenborgiana. Fala de um enigmático andrógino, que ora aparece como ser masculino, ora como feminino, fazendo na verdade um tributo ao legado espiritual de Swedenborg...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Poemas escolhidos, William Butler Yeats, Cia. das Letras&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Main#CommMemberManage.aspx?cmm=12930956&amp;amp;uid=2773943075528289597"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Introdução e notas de Paulo Vizioli, uma amostra da poesia yetsiana, com nítidas referências teosofistas e neoplatônicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Uma visão, idem, Relógio d’Àgua (Portugual)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nobel de Literatura W. B. Yeats, mostrando aqui sua faceta de ocultista e teosofista, além de erudito em platonismo e esoterismo, sistematiza supostas visões recebidas por sua consorte, dentro de uma filosofia da história, de uma psicologia, de uma chave simbólica, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Axël, Villiers de L’Isle Adam, Ed. Universidade Federal do Paraná&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O autor, amigo de Mallarmé e Wagner, redigiu este poema em prosa dramática, visando rivalizar deliberadamente com o ‘Fausto’ de Goethe. Obra decadentista e ocultista, narra o drama existencial espiritual, ético e amoroso de Axël, nobre isolado do mundo e que em seu castelo soturno, se defronta com um Mestre Rosacruz (Janus)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Zanoni: mestre rosacruz, Edward George Bulwer Lyttton, Pensamento.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clássico do ocultismo e rosacrucianismo ingleses do sec. 19, narra o encontro de Glydone outros personagens com um misterioso Rosacruz, chamado Zanoni, que a bem da verdade, parece uma versão romanceada do já lendário Saint-Germain...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Os grandes iniciados: Moises, Rama, Jesus, Buda, Rama, Krshna, Platão, Hermes, Eduord Schuré, Ediouro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romance ocultista e inspirado pelas concepções teosofistas sobre Mestres e Avatares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Manifestos do Surrealismo, André Breton, Brasiliense&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utópico, revolucionário, anárquico, polêmico, o surrealismo marcou as concepções estéticas do séc. 20. Esta obra é uma coletânea dos manifestos sucessivos de Breton, além dos escritos ulteriores, em que reavalia o surrealismo, as polemicas em torno dele, etc. No último texto, Breton propõe o surrealismo como uma Nova Gnose e experiência estético-alquímica. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Sidarta, Hermann Hesse, Publifollha&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O grande romancista, poeta e erudito de língua alemã, neste romance, fala de Sidarta, homem em busca da libertação espiritual, que passa pelos extremos dos diferentes caminhos possíveis, da ascese radical à entrega aos prazeres libidinosos e mundanos, encontrando finalmente o equilíbrio- ou búdico caminho do meio. Obra lida por gerações inteiras no mundo, sempre atual&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;L- Outros [variados]:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; O livro de ouro das ciências ocultas, Friedrich W. Doucet, Ediouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Limitado pelo ‘junguianismo’ do autor, e por certas imprecisões conceituais e factuais&lt;br /&gt;Aqui e ali, que podem confundir sobretudo o iniciante, nem por isso deixa de valer pelas ilustrações e informações que traz; nível introdutório mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Os diferentes níveis de realidade, Patrick Paul, Polar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor, médico e educador especialista em tradições esotéricas, expõe aqui em linguagem acessível os conceitos básicos de cosmogonia, antropogonia e escatologia, baseado em tradições como Cabalá, hermetismo, platonismo, cristianismo, taoísmo, etc. Frisa bastante a idéia de que a realidade é composta de vários níveis ou estados conectados, do qual o físico-sensível, no qual se centra a ciência moderna, é apenas um, e nem sequer o mais importante, pela ótica da Tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Nossa vida com Gurdjieff, Thomas de Hartmann, Pensamento/Cultrix&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor, renomado músico alemão, relata aqui seu encontro e experiência, junto com sua esposa, ao lado do polêmico esoterista Georges I. Gurdjieff, tendo como pano de fundo histórico, a Rússia em plena revolução comunista. Segundo o autor, Gurdjieff, usando um método radical de despertamento, o ajudou a chegar a seu próprio despertar e à lembrança-de-sei&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O despertar dos mágicos, Jacques Bergier e Louis Pauwles, Difel&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Obra um tanto confusa e fantátisca em muitos pontos, não obstante tem méritos, como chamar a atenção do grande público para as relações entre nazismo e ocultismo (magia negra), além de gerar na França – chegando até o Brasil-, um novo interesse por esoterismo, ocultismo, magia, civilizações perdidas, ufologia. L. Pauwels fundou mais tarde na França a célebre revista Planetè, que ganhou outrossim uma versão brasileira, Planeta, na qual até Olavo de Carvalho chegou a escrever alguns artigos (anos 70-80).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Manifeste de la nouvelle Gnose, Raymond Abellio, Gallimard&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raymond Abellio (Geórges Soulés), nesta obra dos anos 80, defende uma confluência entre o esoterismo e a fenomenologia de Husserl, numa proposta modernizante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Sol invictus: má demiers memóires, idem, Editions Ramsay, tres tomos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Abellio narra aqui suas memórias, contando sobre os estudos filosóficos-cientificos, os encontros amorosos, a sua iniciação e encontro com seu Mestre, a carreira literária, as lutas políticas, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Diálogo entre cientistas e sábios, René Weber (org.), Círculo do Livro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A autora coleta entrevistas e diálogos com personalidades como Dalai Lama, Krishnamurti, Pe. Bede Griffths, Ilya Prigogine, David Bohm, Rupert Sheldrake, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Vida após a vida, Raymoond A. Moddy, Best-Seller&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pioneiro nos estudos psicológicos e científicos dos chamados casos de ‘experiência de quase-morte’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Conde de Saint-Germain, Isabel Cooper-Oakley, Mercuryo &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra de cunho teosofista, não obstante coleta dados e documentos históricos sobre o misterioso Saint-Germain. Para alguns, este foi um impostor, um charlatão habilidoso, um impostor de gabarito, enquanto para outros (como a autora), foi na verdade um iniciado de elevado grau, dotado de capacidades invulgares, que atuou subterraneamente nos bastidores políticos e esotéricos da Europa do final do séc. 18.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O ocultismo, Wolfram Janzen, Vozes &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insiste para não se confundir, além do que é realmente permissível, correntes como ocultismo, teosofismo, espiritismo e new age.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Tratado elementar de ciência oculta, Papus, Ed. Três, 2 volumes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confuso e superficial em muitos pontos,pois se propoe a ser um estudo ELEMENTAR, vale todavia pelo estudo das analogias e correspondências. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O livro da Tradição, Jean e Michel Angebert, Difel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem seguir um estrito guénonismo (tradicionalismo ortodoxo), tendo influências ocultistas e do realismo fantástico, é traçado um painel da Tradição esotérica, desde seus primórdios nos mitos de Atlântida e Hiperbórea, passando pelos greco-romanos, germânicos, celtas, os cristãos gnósticos, o esoterismo do Graal, templários, cátaros, Rosacruzes, até o apagar de luzes da Tradição no Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Espiritualidade integral, Ken Wilber, Aleph.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;K. Wilber é filósofo e um dos grandes nomes da psicologia atual, à qual quis abrir aos conhecimentos das tradições místicas e esotéricas mundiais. Wilber é um dos grandes teóricos dos estudos integrais, que procuram integrar estruturalmente -sem atropelar as conexões, nem tampouco criar sínteses apressadas- os diferentes campos da realidade e do saber, do sujeito, do objeto, da intersubjetividade e interobjetividade, assim como os estados e estágios de consciência. Grande poder de síntese, só simplifica aqui ou ali. Wilber procura fazer uma síntese, assimilando os pontos fortes, e recusando os fracos, tanto da metafísica e misticismo clássicos, quanto do pós-modernismo, para neste livro tratar do que será -segundo o autor- a espiritualidade do século 21.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;M-Platonismo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-História da filosofia, Nicolla Abgnnano, Presença, v. volumes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Completo, panorâmico, com excertos de textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-História da filosofia ocidental, Bertrand Russell, Civilização Brasileira, 4 volumes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de claro e fluente, superficial em algumas coisas. As preferências do autor, e sua aversão a teologia e metafísica, atrapalham um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;História da filosofia, Julian Marías...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Síntese e organicidade notáveis, peca o livro por ser apenas um compêndio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-História da filosofia cristã, Etienne Gilson, Vozes/Edipucrgs&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito rico, aborda a filosofia cristã de seus antecedentes platônicos, a Nicolau de Cusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Paidéia, Werner Jaeger, Herder&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo monumental sobre a ‘Paidéia’(algo como a Cultura em sua formação do ideal humano) dos gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Antes e depois de Sócrates, Francis Mc Donald Cornford, Princípio&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela conferencia, situa o divisor de águas que é Sócrates ba história da filosofia e da cultura ocidental: fundador da moral e da ciência rigorosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-La teoria platonica de las ideas (mais Teeteto e Sofista), Idem,...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Tradução dos textos epistemológicos de Platão, com comentários do importante helenista Cornford.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Obras escolhidas: Sócrates e Platão, Abril Cultural&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Alguns diálogos e textos básicos de Platão, onde Sócrates é o personagem central, e seu porta-voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Sobre a metafísica de Aristóteles, Marco Zingano (org.), Odysseus&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo organizado pelo Prof. Zingano (USP), envolvendo artigos importantes de comentadores e estudiosos de Aristóteles ao longo do século 20, como D. Ross, S. Mansion, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;A religião de Platão, Victor Goldsmith, Difel&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo básico e introdutório sobre Platão, o título engana, pois da religião em si de Platão, o texto não fala tanto assim como se poderia esperar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Alexandria, Theodore Vrettos, Odysseus&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo sobre Alexandria, cidade famosa e quase mítica, sob os diferentes aspectos de sua história, com suas contribuições para a religião, a filosofia, a ciência, a arquitetura, geografia, a política, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Tratado das Enéadas, Plotino, Polar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução selecionada de 12 tratados de Plotino. Fundamental, pois não se dispõe em português de outra edição ainda..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Plotino: um estudo das Enéadas, Reinholdo Aloysio Ulmann, Edipucrgs&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudo erudito, fala muito de misticismo, da relação de Plotino com o cristianismo e o gnosticismo, etc; a meu ver, falha apenas por ser demasiado pro-católico, em alguns momentos e passagens. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;As Confissões, Santo Agostinho, Abril Cultural, Col. Os Pensadores&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Agostinho, maior teólogo e filósofo católico da Antiguidade, e grande sintetizador do cristianismo com o platonismo, faz aqui, em estilo literário inigualável ável,&lt;br /&gt;a narração de suas confissões para Deus, inseparável do método de autognosís e desvelamento da interioridade, de matiz platônica e humanista. Agostinho relata&lt;br /&gt;não só exterior, mas sobretudo interiormente sua biografia intelectual e espiritual, com seus episódios mais relevantes: de como passou da filosofia pagã ao maniqueísmo, até sua conversão dramática- enfim- ao catolicismo, do qual se tornaria líder e grande mentor intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N- Teosofismo, Antroposofismo e outros:&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Helena Blavatsky, col. Pensamento Vivo, Ediouro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve síntese biográfica e doutrinária; um tanto encomiástica.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;-A Doutrina Secreta, Helena P. Blavatsky, Pensamento, 6 volumes&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Obra máxima da autora, baseada –segundo a mesma- nas misteriosas Estâncias de Dzyan, e que pretende fazer a síntese de religião, filosofia, ciência e misticismo. O esoterismo para a autora é esta Doutrina Secreta, presente, ainda que de modo subjacente, em todas as épocas e idades. Seus admiradores colocam esta obra como inspirada e profunda; já seus críticos, apontam um sincretismo por vezes confuso, e uma erudição bizarra. Volume 1: cosmogênese; volume 2: simbolismo arcaico universal; volume 3: antropogênese; volume 4: simbolismo arcaico das religiões do mundo e da ciência; volume 5: ciência, religião e filosofia; volume 6: objetivo dos mistérios e prática da filosofia oculta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A chave da Teosofia, idem, Hemus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra básica, delinea as linhas gerais da moderna Teosofia (Sociedade Teosófica).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Os chacras, Charles W. Leadbeater, Pensamento&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Estudo dos chacras ou flores de lótus do corpo sutil ou ‘etérico’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O homem: visível e invisível, idem, Pensamento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gravuras e pinturas, em representações aproximadas, do que seria a aura humana e os diferentes corpos supra-sensíveis (etérico, astral, mental e causal), segundo o autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Conceito Rosacruz do cosmos, Max Heindel, Editora Rosacruz Max Heindel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clássico do ocultismo do séc. 20, o autor se declarada inspirado pelos rosacruzes, etc. O livro tem um conteúdo mais místico e cristão, porém sem dúvida denota certa influência de Blavatsky e do teosofismo, com os quais o autor rompeu. Versa sobre cosmologia, cosmogonia, antropogonia, iniciação, antigos mistérios, rosacrucianismo, reencarnação, carma, pelo viés do ocultismo. Lembrar Steiner, porém numa linguagem mais acessível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Como os rosacruzes curam os enfermos, Max Heindel, Ed. Rosacruz Max Heindel&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nesta obra, Max Heindel expõe que a cura – na esteira da tradição rosacruciana- espiritual e física das pessoas, é um dos objetivos básicos dos rosacruzes, além de um direito concedido a todos, e que possuem um método espiritual para isto, levando em conta fatores cármicos e astrológicos. Este escola, devemos notar, não cobra nada por este serviço, que presta a todos os interessados, sejam ou não membros da mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Ensinamentos de um iniciado, idem, Ed. Rosacruz Max Heindel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequena coletânea, em que Max Heindel fala de sua iniciação pelo Irmão Maior da Ordem Rosacruz, assim como da fundação e primórdios da Fraternidade Rosacruz que fundou, sob inspiração e guia deste Irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Advento do Novo Homem, Jan Van Rijkenborgh, Ed. Rosacruz Áurea&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dissidente da RC Max Heindel holandesa, o autor fala do advento de uma nova humanidade, na iminência da Jerusalém celeste, desde esta se liberte do campo dialético&lt;br /&gt;-imanente, pela Gnosis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;Filosofia elementar da Rosacruz moderna, idem, Ed. Rosacruz Áurea&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elementos básicos da concepção do autor e da escola que representa ( a Rosacruz Áurea ou Rosacruz de Harleem, como é conhecida). Não obstante a nítida influência teosofista e de Max Heindel, suas concepções são muito originais em antropologia e cosmologia, com&lt;br /&gt;um enfoque budista, gnóstico e cátara. Critica o evolucionismo, o racionalismo filosófico, o politicismo, o ocultismo/misticismo e o espiritismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Fama fraternitatis/Confessio fraternitais, idem, Ed. Rosacruz Áurea&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;As traduções dos manifestos rosacruzes básicos –de autoria controversa ainda-, é acompanhada de comentários originais do autor, que liga a Rosacruz ao dualismo gnóstico, cátaro e maniqueu, e interpreta o hermetismo e J. Boehme sob este prisma dualizante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt;A Rosacruz Áurea, Catharose de Petri, Editora Rosacruz Áurea&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um das expoentes da Rosacruz Áurea, expõe aqui os delineamentos básicos desta Escola e da iniciação gnóstico-moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Teosofismo, historia de uma seudo-religíon, René Guénon, Editorial Haiz (Buenos Aires)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o autor, o Teosofismo moderno da S Teosófica, afora os escândalos e suspeitas, é uma caricatura e distorção&lt;br /&gt;sincretista da verdadeira Teosofia, de J. Boehme e outros, constituindo uma falsa religião e&lt;br /&gt;pseudo-esoterismo, que misturou versões simplificadas da doutrina tradicional, com elementos modernos, como o evolucionismo, o cientificismo, o espiritismo, etc. O autor faz uma proposta de refutação teórica, combinada a um dossiê histórico (bem, usando um método que ele mesmo diz recusar em outras obras...o método histórico...), volvendo fatos e acontecimentos polêmicos em torno da S Teosófica e seus principais líderes, assim como de seus derivados (antroposofismo e outros). Esta obra é inseparável do conjunto do pensamento guénoniano, no eixo da crítica da modernidade e do espiritualismo engendrado por esta, que se completa pela defesa da Tradição pelo autor. Não creio particularmente que esoterismo seja necessariamente sinônimo de tradicionalismo, nem oposto à modernidade, mas em todo caso, tanto os simpatizantes quantos os adversários de Blavatsky não podem preterir este livro polêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-O Babuíno de Blavatsky, Peter Washington, Record.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor faz um estudo muito mais histórico e jornalístico, do que metafísico, relacionando a Tesofia moderna (e suas derivações), em sua origens imbricada ao espiritismo e positivismo, com o pulular de gurus e da chamada Nova Era. O autor não cita Guénon, o qual parece desconhecer; estranho, pois este é um dos mais famosos e importantes críticos do teosofismo, e alguns dons pontos defendidos, ainda que por razões diferentes (pois Washington é uma espécie de cético, e não um tradicionalista), são similares. Bem, limitações e erros deste livro, são apontados por especialistas em teosofismo também. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Rudolf Steiner, Johannes Hemleben, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Breve biografia sobre Steiner, com algumas fotos e ilustrações.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Antroposofia, ciência espiritual moderna, Rudolf Lanz, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Introdução ao assunto. Irrita um pouco no puxa-saquismo a Steiner, mas entendemos a admiração zelosa do autor por seu "Mestre"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Passeios através da história á luz da Antroposofia, idem, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Concepção antroposofica da história, que se liga às entidades e mundos cósmico-espirituais, e evoluem em conjunto. Também vale pelos dados sobre histórica "exotérica".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A obra científica de Goethe, Rudolf Steiner, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Obra pré-antroposofica ou pré-esotérica, em que o jovem Steiner ensaio seu "goetheanismo", desvelando um Goethe cientista.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;-Verdade e ciência, idem, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra obra pré-antroposófica, é tese de doutoramente de Steiner, focada em Ficthe, na busca de um idealismo objetivo, que supere o subjetivismo fictheano.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-A &lt;/em&gt;&lt;em&gt;filosofia da liberdade, idem, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outra obra pré-antroposófica, combate o Kantismo e a separação entre sujeito e objeto; a cognição humana é ilimitada para Steiner, e no pensar sobre o pensar, se desvela não só um campo cognitivo infindo, como o fundamento da liberdade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Teosofia, idem, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um das primeiras obras esotéricas de Steiner, na época membro da STeosófica. Dá as linhas gerais da cosmologia e medodologia espiritual do autor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A ciência oculta, idem, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Grande obra esotérica de Steiner, onde apresenta e aplica seu método científico-espiritual, estudando a cosmologia, a antropologia, a psicologia, da perspectiva do campo supra-sensorial do mundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Evangelhos segundo Marcos, Mateus, Lucas e João, idem, Antroposófica&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nestes quatro livros, resultado de conferências depois impressas, Steiner desenvolve sua complexa cristologia. Para Steiner, o Mistério do Gólgota é um evento central na evolução humana e cósmica, e por isso, só pode ser entendido, paulatinamento, sob diferentes ângulos. Cada evangelho bíblico é um ângulo, que se completa com os outros, sobre este evento, preparado longamente pelas forças espirituais evolutivas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Outras obras básicas de Steiner:&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Cristianismo como fato místico, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;Como se adquire o conhecimento dos mundo superiores, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;O conhecimento iniciático, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;Fisiologia oculta, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;Como superar as carências da alma em nossa época, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;A educação da criança segundo a Ciência Espiritual, idem,Antroposófica&lt;br /&gt;A eterização do sangue: intervenção do Cristo etérico, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;Como atua o anjo em nosso corpo astral, idem, Antroposófica&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;A espiritual condução do homem e da humanidade, idem, trad e ed. F. Muller&lt;br /&gt;La Theosophia Rosicruciana, idem, Epidauro &lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Select Works R. Steiner: Rosicrucianism, A. Welburn (org.), Floris Books&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CONTINUA.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-1875122473293281862?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2008/08/bibliografia-bsica-sobre-esoterismo.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-2864630065026924075.post-497405136409721962</guid><pubDate>Sun, 24 Aug 2008 06:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-24T17:17:29.856-07:00</atom:updated><title>Inaugurando novo blog.</title><description>Esta mensagem inagura meu segundo e novo Blog: Iehi Aur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos tratar destes assuntos, de modo livre porém sem abdicar do rigor: filosofia, esoterismo, misticismo, religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Usaremos aqui unicamente  textos e escritos de nossa autoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Daniel R. Placido&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2864630065026924075-497405136409721962?l=danielrplacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://danielrplacido.blogspot.com/2008/08/inaugurando-novo-blog.html</link><author>noreply@blogger.com (Daniel R. Placido)</author></item></channel></rss>