segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Kali Yuga, Agartha e Fim do Mundo

Vou tentar expor um pouco o que seriam a Idade Sombria -Kali Yuga-, Agartha e a escatologia do fim do mundo, segundo o que alguns chamam de esoterismo tradicional, ou simplesmente "Tradição" (porém, neste caso, também se inclue o complemento ao esoterismo, que é o exoterismo ou a religião); porém não espero de ninguém acordo acrítico com estas informações, nem que aceitem completamente a idéia de "esoterismo tradicional" . Se trata de uma exposição; que é diferente de adesão - menos ainda, de uma adesão dogmática.

Há favor do que se vai expor, existe, além da concordância entre diferentes fontes qualificadas e tradicionais, neste assunto, as próprias manifestações de tendências perturbadoras e problemáticas no mundo atual.
No final do século 19, o esoterista Saint Yves de Alveidre trouxe informações sobre um misterioso Reino, por muitos tomados como pura lenda: Agartha.
Agartha é uma localidade indeterminada e lendária, em algum lugar da Ásia Central. Trata-se dum reino subterrâneo e inacessível aos profanos, contendo um povo ou raça super-desenvolvida, que é governado por um enigmático senhor: o Rei do Mundo. As informações trazidas por Saint-Ives, são completadas pelos relatos de Ossendowski, na obra "Homens, bestas e deuses", trazendo dados sobre a realidade do Reino de Agartha (na Mongólia? No Tibet?), e as profecias atribuídas ao seu Rei.
Enfim, René Guénon, em sua obra "O Rei do Mundo", retrabalha estas informações, á luz da Tradição primordial. Agartha, para Guénon é emblema do Centro da Tradição, imagem geográfica do Centro do Mundo e matriz da Tradição primórdia.
Guénon revela que o Soberano de Agartha, rei e sacerdote, é Senhor ou Rei deste nosso mundo todo, no sentido de ser o mediador entre Deus e a humanidade, e na sua função de mantenedor da lei e ordem universais- e da Tradição primordial.
Em cada ciclo cósmico e humano, a Tradição é representa por um centro, aos qual podem estar ligados centros secundários...Hiperbórea, Atlântida, Mistérios gregos, Castelo do Graal, Reino do Preste João, Avalon, Glastonbury. São símbolos destes centros enigmáticos da Tradição, eterna, super-humana, unânime-segundo Guénon.
Conta-se que Parsifal levou o Graal para o Oriente-Reino do Preste João-;a guerreira catara Esclarmunde virou pomba, e fez o Graal despencar em alguma montanha inacessível; os Rosacruzes partiram da Europa para a Índia; Swedenborg viu que a Palavra perdida estava na Mongólia; Ana K. Emmerich, que o Graal estava no Tibet; e o Conde Saint-Germain, antes de desaparecer, teria anunciado que ia repousar no Himalaia.
Quando as condições se tornam inóspitas e os homens blasfemos e impuros, os iniciados, e com eles a Tradição, retornam ao Centro misterioso, esperando novas condições; segundo os tradicionalistas...
Curiosamente, esta profecia abaixo é atribuída ao Rei do Mundo, e datada de 1890; depois foi compilada por F. Ossendowski. Ela trata do presente "Kali Yuga", ou Idade Sombria, que seria a época de degeneração e perda de tradicionalidade, já prevista pela Tradição, e que coincide nesta ótica com o mundo moderno e contemporâneo:
Cada vez mais os homens esquecerão as suas almas, preferindo ocupar-se dos seus corpos. A maior corrupção reinará sobre a terra. Os homens tornar-se-ão idênticos aos animais ferozes, embebidos no sangue de seus irmãos.O ‘Crescente’ se aniquilará e seus adeptos cairão em miséria e guerra perpétua. Seus conquistadores serão iluminados pelo Sol, mas não se elevarão duas vezes; acontecerá a maior das desgraças, que culminará em injúrias diante de outros povos. As coroas dos reis, grandes e pequenos, cairão: uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito,... . Haverá uma guerra terrível entre todas as nações. Os oceanos se tingirão com o sangue de irmãos contra irmãos. A terra e o fundo dos mares ficarão cobertos de ossadas. Povos inteiros morrerão de fome ou por moléstias desconhecidas ou pela prática de crimes não previstos nos códigos com que se regem os homens, e isto por nunca terem sido vistos iguais na terra. As maiores e mais belas cidades serão destruídas pelo fogo. Os pais revoltaram-se contra o filho, o irmão contra o irmão, a mãe contra a filha. O vício, o crime, a destruição do corpo e da alma continuarão a sua rota fatal. As famílias serão divididas. O amor e a fidelidade desaparecerão porque a prostituição reinará até nos lugares mais sagrados. Em dez mil homens, um só viverá, mesmo assim, louco e sem forças, não encontrando nem habitação nem alimento. Toda terra ficará deserta. Deus lhe voltará as costas. Sobre ela cairá o espesso véu da noite e da morte... Então enviarei um Povo agora desconhecido, que com mão firme ARRANCARÁ AS MÁS ERVAS DA LOUCURA E DO VÍCIO E CONDUZIRÁ AQUELES QUE FICARAM FIÉIS AO ESPÍRITO DE VERDADE NA BATALHA CONTRA O MAL – Eles fundarão uma nova vida na terra, purificada pela morte das nações. Após cinqüenta anos, apenas três grandes reinos aparecerão; estes viverão felizes durante setenta e um anos. Então os povos de Agarthi sairão das suas cavernas subterrâneas e aparecerão sobre a superfície da Terra.
O final deixa uma ponta de esperança; como outro tradicionalista -Fulcanelli-, revela, o Kali Yuga, sendo idade da morte, também pode ser de renascimento, de fim de um ciclo, para uma novo. Não é propriamente o fim deste mundo ou de tudo; mas de um mundo determinado.

Olhando o mundo após 1890, ou após 1921, quando Ossendowski a traz a lume, não parece que ela se realizou mesmo?

Ainda mais pertubador, é analisar profecias tradicionais e milenares, que parecem concordar com a profecia do Rei do Mundo e com a situação do mundo atual:

Razas de esclavos serán los señores del mundo. Los jefes serán de naturaleza violenta. Los jefes, en lugar de proteger a sus súbditos, los explotarán. Sólo los bienes conferirán rango. El único vínculo entre los sexos será el placer. La tierra ya no será apreciada más que por sus riquezas minerales. El tipo de vida será uniforme en el seno de una promiscuidad general. Quien distribuya más dinero dominará a los hombres. Cualquier hombre se imaginará ser igual a un brahman (autoridad espiritual). La gente experimentará terror a la muerte, y la pobreza les espantará. Las mujeres serán simplemente un objeto de satisfacción sexual.
(Visnu-Puranas)


"Na horrível época do fim dos tempos, os homens serão malévolos, falsos, ruins e obtusos e imaginarão ter alcançado a perfeição, mas estarão longe disso".
(Sutra budista)


"Nos últimos dias sobreviverão tempos perigosos, porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, profanos, sem afeição, sem paz, caluniadores, incontinentes, desumanos, sem benignidade, traidores, mais amigos dos prazeres do que de Deus, com uma aparência de piedade, mas sem sua realidade..."
(S. Paulo, II Timóteo, 3: 1-7)


Bem, há muitos dados e elementos para se reflitir seriamente aqui, pela ótica do que professam as religiões tradicionais a respeito.


Daniel Placido

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Fontes:

-Obras de René Guénon que tratam destes temas, como O Rei do Mundo, Apreciações sobre a Iniciação, Teosofismo...., Símbolos fundamentais da ciência sagrada, Formas tradicionais e ciclos cósmicos, etc., podem ser baixadas em espanhol neste site:
http://www.euskalnet.net/graal/index2.htm
-O Livro da Tradição, Jean e Michel Angebert, Difel
-Os caminhos do Graal, Patricik riviere, Ibrasa

-Para entender melhor esta noção de Tradição primordial em R. Guénon, sugiro este artigos de Jean Tourniac:
http://www.euskalnet.net/graal/turinac1.htm
http://www.euskalnet.net/graal/turinac2.htm
- O Mistério das catedrais, Fulcanelli, Edições 70
-Artigo "Esoterismo como invenzione", Pierre Riffard

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