“Rosacrucianismo sem Véus: a verdade que faltava”, Mauro Alfredo Chagas Reli.
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O autor desta obra, Mauro Reli, passou na juventude pela experiência de drogas, assim como pela desilusão com as religiões oficiais, até achar uma saída no mundo das sociedades esotéricas. Foi durante anos membro da AMORC, e depois da Rosacruz Áurea, além de conhecer diretamente muitos outros grupos do gênero...Desligado hoje de qualquer organização, segue na senda individual, estudando independentemente as obras de Guénon, Boehme, Rumi, Swedenborg, Steiner e outros.
Neste livro, Mauro Reli, baseado numa ampla pesquisa histórico-documental, assim como em suas vivências diretas neste meio, procura fazer um balanço crítico das principais instituições/grupos/personalidades envolvidas com a polêmica Rosacruz, desde o séc 17 até hoje, com destaque particular para a cena contemporânea.
Muitos desses grupos possuem hierarquia interna; sistema de “iniciação”; materiais doutrinários (livros, revistas, bibliotecas, livrarias etc.); sistema de contribuição e financiamento; influência político-social, etc. Mas apesar das suas inegáveis e evidentes similitudes, não é incomum que entre si todos atuem de forma sectária, cada um apresentando-se como portador do “verdadeiro rosacrucianismo”. Mauro Reli não aceita nada disso sem contestação, para questionar não só o exclusivismo desses grupos, mas também a veracidade das informações e interpretações por eles veiculadas.
Antes de mais nada, e mencionando alguns dos melhores historiadores do assunto (F. A. Yates, C. MacIntosih, B. Gorceix e outros), Mauro Reli dá sua visão pessoal sobre questões fundamentais que já no séc. 17 preocupavam tanto os simpatizantes quanto os adversários da Rosacruz: existiu algum C. Rosenkreutz de verdade? a Ordem Rosacruz é uma entidade histórico-social, ou um mero símbolo? quem foi o (s) autor(es) dos manifestos rosacruzes, e quais seus verídicos objetivos? Sem pretender encerrar assunto tão antigo e vasto, Mauro Reli acredita ser improvável a existência histórica de algum C. Rosenkreutz (trata-se de um mito com sentido iniciático-espiritual), assim como a de uma Ordem Rosacruz; a origem do movimento rosacruz não tem nada a ver com o exótico Egito primordial (como acreditam a AMORC e outros), mas deve ser buscada nos círculos teológico-religiosos da Boêmia do séc. 17 e também em torno do teólogo alemão J. -V. Andreae, residente em Tübigen - o qual é o provável autor ou inspirador dos manifestos outrossim.
Mauro vasculha primeiramente as organizações que têm sido apontadas como precursoras indiretas (ex.:templários) e diretas (ex.:Ordem da Jarreteira), assim como as personalidades históricas (Lutero, Paracelso, H. Khunrath etc.), para em seguir listar os idelizadores prováveis e diretos do movimento rosacruz no séc. 17 (J. –V. Andreae, M. Maier, R. Fludd etc.), e ademais os pensadores costumeiramente associados ao mesmo (F. Bacon, T. Campanella, J. Boehme, Saint-Martin etc.). Aqui Mauro contesta a pretensa “filiação” rosacruciana (estabelecida pela AMORC) de alguns, como por exemplo F. Bacon, J. Boehme e E. Swedenborg.
Em seguida apresenta ainda organizações levando o nome Rosacruz desde o séc. 17, bem como seus fundadores e criadores; para ficar com algumas nesta lista enorme: Sociedade Frutificadora (C. Anhalt), R+C de Ouro (S. Richter), Ordem da Dourada Rosacruz (J. C. Woellner), Irmandade Eulis (P. B. Randolph), Golden Dawn (Mac Gregor Mathers), Fraternidade Rosacruz (Max Heindel), AMORC (H. S. Lewis), Rosacruz Áurea (J. Leene/Rijckenborgh), etc.
Todavia, o capítulo mais supreendente do livro é aquele chamado “Toda a verdade sobre a AMORC”, da qual Mauro foi membro, “iniciado” e dirigente durante vários anos, assim como de sua extensão, a TOM (Tradicional Ordem Martinista). Apresentando fontes e dados da própria AMORC (e outros), Mauro questiona duramente incongruências, omissões e adulterações, como por exemplo as versões contraditórias sobre a “iniciação” de H. S. Lewis, ou o ocultamento de suas relações com a OTO de A.Crowley. Mauro questiona em seguida a facilidade de admissão ao grupo e o ‘marketing’ grosseiro; os valores (obrigatórios) de taxas e custos, bem como a pouca transparência de sua gestão. E não tem meias palavras para espezinhar a autencidade “rosacruciana” da AMORC , seu exclusivismo arrogante, e as manipulações efetuadas – segundo Mauro.
Neste capítulo expõe ainda o grande cisma político-jurídico que culminou na destituição do Imperator da AMORC no final dos anos 80, Gary Lee Stewart, pois sendo este um cargo vitalício e recebido do próprio filho de H. S. Lewis, R. Lewis, não poderia ser suspendido jamais, a não se de forma ilegal e suspeita. E para finalizar Mauro apresenta dados sobre um cisma menor, mas não menos ilegítimo e esdrúxulo, ocorrido na Loja de São Paulo (1997), no qual esteve diretamente envolvido, e contribuiu assaz para seu desligamento definitivo da AMORC.
Ao final deste manual introdutório sobre Rosacruz, o qual está longe de ser um mero relato de mágoas pessoais contra ex-colgas, Mauro não nega o valor espiritual desses grupos todos, desde que eles não apresentem os objetivos espirituais como coisa fácil de ser conquistada, ou que os mesmos sejam desvirtuados por dinheiro, poder, mentira, arrogância e mesquinharia. Se for assim, é mellhor então que a águia voe sozinha, como pensa Mauro sob a inspiração sufi...
DANIEL PLACIDO
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
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